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O pároco de Loulé sublinha o impacto comunitário da festa da Nossa Senhora da Piedade, a “Mãe Soberana”, e afirma que “há uma grande carga religiosa que tem de ser estudada”, nesta manifestação.

“Quando cheguei a Loulé há quatro anos ouvi muito esta expressão: ‘Pode não existir Deus, mas existe a Mãe Soberana’”, disse o padre Carlos Aquino, convidado das ‘Conversas na Ecclesia’.

Em ‘O Sagrado e as Gentes’, desta sexta-feira, está em destaque a festa de Nossa Senhora da Piedade, popularmente evocada como Mãe Soberana, e apresentada como a mais significativa expressão de devoção mariana algarvia e a maior manifestação de fé a sul do Tejo.

No domingo de Páscoa, realiza-se a ‘festa pequena’ com a imagem a ser transportada da sua ermida, “construída em 1553”, para a igreja de São Francisco, na cidade de Loulé, e, desde 1893, estabeleceu-se que no terceiro domingo de Páscoa, passado quinze dias, é a ‘festa grande’ de Nossa Senhora da Piedade, “as festas solenes”, com o regresso da imagem.

“É uma festa muito primaveril, a celebração da vida, desde os cantos, os vivas, aquele esforço heroico da subida, em que se reconhece o sacrifício da vida, mas depois é todo um povo que transporta esta imagem ao cimo do monte”, realça.

O pároco de Loulé explica que tem “alguma dificuldade” em “separar o profano do sagrado” porque “pode não ser uma dimensão cristã, mas há uma dimensão profundamente religiosa”.

No início da celebração esteve “um povo crente, que vivia esta espiritualidade”, como na “prece tão espontânea de pedir pelo dom e pela graça da chuva”; em muitos anos, a imagem de Nossa Senhora da Piedade, uma pietá, “desce à cidade por causa de tempos graves de seca”, como em 1605, 1750, 1773 ou 1896.

O padre Carlos Aquino recorda a dança que é feita com o andor no regresso à ermida, que “é uma dança muito bela, uma dança de festa”, “com um ritmo nada de profano e de muito respeito à Senhora”.

“Evoca-me sempre a dança de David em frente da Arca da Aliança”, acrescenta.

A ‘Mãe Soberana’ é transportada pelos homens do andor que “são escolhidos de entre o povo”.

Ao longo do tempo, a festa “foi-se valorizando muito”, são oito homens do andor, mais os ‘tochas’, que levam as velas à frente, e “vão quase coordenando a procissão e orientando o próprio caminho naquela estrada tão ingreme”.

“São expressão de um povo e é muito bonito porque quando sabem aquela ladeira é todo o povo que vai agarrado aos homens do andor”, salienta o padre Carlos Aquino.

Ao longo do mês de julho, de segunda a sexta-feira, a Agência Ecclesia divulga um lugar onde “O Sagrado e as Gentes” se cruza, em festas e romarias, na preservação do património ou na divulgação de tradições e culturas religiosas.

Ecclesia

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