Pub
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na passada quinta-feira à noite foram inauguradas as obras de restauro do retábulo e dos frescos do altar-mor da igreja do Colégio, em Portimão, iniciadas no dia 7 do passado mês de outubro.

Na igreja, situada na Alameda Nuno Mergulhão, em pleno centro da cidade de Portimão, aonde acorreu uma multidão de pessoas que encheu por completo o espaço, o pároco da paróquia matriz de Portimão regozijou-se por agora se poder “contemplar a beleza” daquele retábulo do século XVIII, “restaurado depois de um grande esforço graças também à Câmara Municipal”.

O sacerdote referiu-se na inauguração à importância daquele trabalho. “A conservação do património que nos foi legado é um imperativo moral que a todos nos assiste e a nossa cidade, infelizmente, não tem assim tanto que possa já conservar. Pois, que o pouco que tem se saiba agarrar a ele e quem tem a responsabilidade nos seus diversos setores que o faça com amor, com carinho e dedicação”, afirmou o padre Mário de Sousa, garantindo ser “isso que a comunidade cristã tem procurado fazer”.

“Fala-se muito das riquezas da Igreja, mas as riquezas da Igreja são este património que é um grande custo para as comunidades porque são as comunidades que, com as suas boas vontades e com a sua partilha, vão permitindo que se conserve tudo isto que a todos pertence”, prosseguiu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“É uma obrigação que temos. Custa, é difícil, exige um grande esforço, mas que bonito é a gente poder chegar nesta noite e contemplar o restauro em toda a sua beleza”, acrescentou, lembrando que a obra do retábulo da igreja do Colégio da Companhia de Jesus é obra de Manuel Martins, considerado pelo historiador especialista da talha, Francisco Lameira, como o “maior entalhador algarvio da sua época”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na sessão de inauguração que incluiu um concerto, com perto de centena e meia de vozes, de elementos do Coral Adágio e também da nova Academia de Música de Portimão, o padre Mário de Sousa referiu-se aos “atos de generosidade” e aos “gestos de grandeza de alma” que se replicaram ao longo dos séculos e que permitiram chegar àquele dia. “Se hoje aqui podemos estar a ouvir este coral magnífico é porque muita gente soube ter atos de generosidade. O primeiro foi do fidalgo Diogo Gonçalves que, vindo da Índia, dedicou a sua fortuna a construir na nossa cidade uma igreja e um colégio para a educação dos jovens desta zona do nosso Algarve”, afirmou, lembrando que o construtor, falecido em 1664, está sepultado na capela-mor.

A presidente da Câmara de Portimão garantiu que a autarquia “não fez mais do que a sua obrigação”. “A Câmara somos todos nós. Quem contribuiu com o dinheiro para o restauro do retábulo foram os portimonenses. A Câmara, só por si, obviamente, tem pouco dinheiro, não fossem os portimonenses a pagar os seus impostos. Portanto, esta obra é vossa”, afirmou Isilda Gomes, considerando tratar-se de uma “obrigação de todos”. “Temos tão pouco património cultural que se não pugnamos por aquele que temos, qualquer dia ficamos ainda mais pobres”, prosseguiu, considerando que “um povo sem cultura é um povo sem futuro”.

A autarca não deixou ficar sem resposta o desafio do padre Mário de Sousa de que se possam restaurar brevemente os restantes retábulos. “Obviamente, agora iremos pensar nos outros. E se tivemos dinheiro para recuperar este, certamente também teremos dinheiro para recuperar os restantes. Fica aqui também esta promessa dos portimonenses porque somos todos nós”, complementou, explicando também que o ano 2020 será dedicado pelo município à cultura.

O retábulo agora restaurado “apenas tinha sido limpo e consolidado”, aquando das obras recuperação da igreja que permitiram, em junho de 2008, a reabertura da igreja encerrada desde a década de 1970.

A intervenção incluiu a “consolidação da estrutura”, a “reconstrução das peças de talha desaparecidas ou danificadas”, a “remoção da sujidade acumulada assim como de repintes do século XIX”, o “restauro da pintura e do ouro” e a aplicação de um “novo frontal em talha dourada para substituir a janela de vidro que foi colocada numa intervenção anterior”.

A paróquia referiu ainda que a intervenção inclui também uma “limpeza e integração dos frescos do teto e das paredes”. Levada a cabo, durante 88 dias úteis, por uma equipa de cinco técnicos, a obra custou 37.073 euros (valor a que acresce o IVA), custo que “o município assumiu na quase totalidade, no esforço que com a paróquia da matriz de Portimão tem feito de conservar este património da cidade”, classificado como de “interesse municipal”.

A paróquia assumiu os custos com o alojamento dos técnicos (comparticipados também pela Misericórdia de Portimão), assim como a da envernização do soalho da igreja e da renovação do sistema de som e da iluminação, num total de cerca de 10.000 euros.

A igreja do Colégio da Companhia de Jesus, concluída em 1707, tem como patrono São Francisco Xavier.

Pub