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"Agora já não vou ter cortiça, nem daqui a 50 anos aquelas árvores dão cortiça", lamentou, hoje, à agência Lusa, frisando que esse era o seu sustento e que sempre viveu da agricultura.

Maria Isabel Pires vive na Cova da Muda, uma das zonas do interior de São Brás de Alportel devastadas pelos incêndios dos últimos dias e também atingidas pelo fogo, há oito anos.

"Agora que eu estava a compor a minha vida, acontece isto. Faltavam só dois ou três anos para as árvores recuperarem", afirma, explicando que as árvores recuperam de dez em dez anos.

Maria Isabel Pires, que cuida do marido doente, chegava a ter um rendimento de 15 toneladas de cortiça por ano. Depois, com os fogos de 2004, passou para 750 quilos/ano e agora "nem isso".

Além da cortiça, Maria Isabel Pires também produz mel, mas, das colmeias que tinha, cerca de 400 arderam em 2004 e nos últimos dias, apesar de ainda não ter verificado, estima que tenham ardido mais de uma centena.

"Ainda me sobraram algumas migalhas, mas este era o nosso sustento, dava para comer e ainda empregava pessoas", refere, tentando conter as lágrimas.

A sua sorte, diz, foi no ano passado ter limpado e lavrado um terreno onde tinha algumas árvores, uma imposição por parte das entidades que a apoiaram financeiramente para um novo projeto.

"Há males que vêm por bem, lavrei-o e foi o que me salvou", afirma, acrescentando que lhe restam algumas oliveiras, a horta e a casa, que ficou a salvo das chamas.

O incêndio florestal, que deflagrou em Tavira e se estendeu a São Brás de Alportel, foi, na tarde de sábado, declarado como dominado, dada a probabilidade de a área afetada pelas chamas se alargar ser considerada como muito reduzida.

Lusa

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