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Ordem Franciscana Secular de Faro recupera antigo quiosque para dar “Pão de Sto. António” aos pobres

A Ordem Franciscana Secular (OFS) de Faro arrancou no passado dia 1 de fevereiro com um serviço de apoio aos mais pobres, inspirado numa tradição da devoção de Santo António: a distribuição do «Pão dos Pobres».

Assim, todas as terças-feiras ao final de tarde, é distribuído no ‘Quiosque de São Francisco’ o pão, benzido momentos antes na Eucaristia celebrada na igreja franciscana, situada a poucos metros. Juntamente com o pão, os carenciados recebem ainda, entre as 19.15h e as 20.30h, uma sopa e uma peça de fruta.

Maria Paula Canário, da OFS, explica à FOLHA DO DOMINGO que o abandonado quiosque foi pedido há dois anos à Câmara de Faro para que ali pudessem ser vendidos alguns artigos religiosos, revertendo a receita dessa venda a favor das urgentes obras de restauro da igreja e do Convento de São Francisco. No entanto, surgiu depois a ideia de se recuperar esta devoção antoniana. A Câmara Municipal cedeu o espaço e o protocolo assinado entre as duas entidades, no dia 17 de novembro do ano passado, prevê a sua devolução caso a autarquia precise do quiosque.

No dia 30 de janeiro, o quiosque foi benzido e inaugurado numa celebração que contou com a presença do presidente da Câmara, Macário Correia.

O serviço é assegurado por três voluntários da OFS, sendo um deles, cozinheiro aposentado do Aeroporto de Faro, o responsável pela confeção da sopa.

Paula Canário explica que são assistidos cerca de 30 utentes, com idades compreendidas entre os 35 e os 60 anos, entre sem-abrigo, arrumadores de automóveis, toxicodependentes e outras pessoas pobres em dificuldades. “Primeiro vinham poucos mas depois começaram, progressivamente, a aumentar”, testemunha, lembrando que muitos são estrangeiros provenientes da Ucrânia, Roménia ou Cabo Verde, mas também há espanhóis e irlandeses. “Alguns comem duas e três sopas”, conta aquela responsável, admitindo, por isso, a possibilidade de vir a aumentar as refeições se a procura continuar a crescer.

Aquela franciscana explica que, com o fornecimento da refeição, é feita uma abordagem como primeiro passo na procura de uma solução para os seus problemas. “Tentamos conversar com eles e perguntar da sua vida mas alguns retraem-se muito”, relata, acrescentando que, com alguns, já foi conseguida “alguma aproximação”. “Explicamos-lhe que o pão é benzido na missa, com a bênção de Santo António, para que essa graça também faça alguma coisa nas suas vidas”, observa Paula Canário.

Aquela iniciativa da OFS está a ser apoiada por um empresário de Faro que contribui mensalmente para a compra dos alimentos, mas, segundo os organizadores, há já mais pessoas interessadas em colaborar. De acordo com Paula Canário, também os alunos da vizinha Escola de Hotelaria e Turismo de Faro (EHTF) já se disponibilizaram para ajudar e doar refeições que sobram das suas aulas.

Recorde-se que a EHTF já colabora numa iniciativa semelhante promovida pela Caritas Diocesana do Algarve (ver notícia). Para além destas, existem ainda outras iniciativas de instituições da capital algarvia que procuram articular-se na sua ação, como a Santa Casa da Misericórdia, que proporciona almoços, a CASA – Centro de Apoio ao Sem Abrigo ou a paróquia de São Pedro, que facultam jantares noutros dias da semana.

As Ordens Terceiras são associações de fiéis leigos (não clérigos ou consagrados) agregadas a uma ordem religiosa para efeitos de natureza espiritual, mantendo a autonomia jurídica. A Terceira Ordem da Família Franciscana, igualmente denominada OFS, é constituída em Faro por 42 membros professos, 10 formandos e 10 jovens da Juventude Franciscana (JUFRA) e foi fundada em agosto de 1735.

 

Samuel Mendonça

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