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Partido_os_verdes_petroleo_algarveO Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) lançou uma campanha de sensibilização da população algarvia contra a prospeção de hidrocarbonetos, que está, segundo o partido, em “contraciclo” com as políticas ambientais internacionais de redução de emissões poluentes.

O lançamento da campanha foi assinalado na passada segunda-feira em Aljezur e Tavira, concelhos algarvios para onde estão atribuídas licenças onshore para prospeção de gás natural e petróleo e que foram incluídos nas zonas onde o partido colocou faixas com a inscrição “Petróleo no Algarve, não obrigado!”.

Joaquim Correia, da direção nacional do PEV, falou à agência Lusa em Tavira e apontou a necessidade de “mudar o paradigma” energético e “apostar em energias renováveis”.

O dirigente lamentou que o Estado português tenha decidido avançar para a prospeção de gás natural e petróleo, em terra (onshore) e no mar (offshore), “em contradição” com os objetivos assinados pelo Governo na última cimeira do clima das Nações Unidas em Paris (COP21).

“Achamos que, com, a assinatura pelo Governo português do COP21, não faz sentido nenhum terem começado a fazer prospeção e eventual exploração de petróleo no Algarve. Em 2015, Portugal foi dos países que mais aumentaram as emissões de carbono e, portanto, temos que mudar de paradigma e voltarmo-nos para energias renováveis, que pensamos será o futuro, até para atingirmos as metas da COP21 que o Governo assinou”, afirmou.

O dirigente nacional do PEV considerou que “a exploração de hidrocarbonetos vai contra tudo o que a economia portuguesa necessita, que é ser descarbonizada”, e advertiu que a atividade económica algarvia está “sustentada quer no turismo, quer no setor das pescas”.

A região, sublinhou, “tem 40% de áreas de reserva, quer da [rede] Natura 2000, quer de zonas húmidas, a ser preservadas”.

Joaquim Correia criticou ainda a “falta de transparência” dos contratos de prospeção de gás natural e petróleo já assinados para o Algarve e recordou que os responsáveis do setor “já admitiram a possibilidade de o contrato com a Portfuel, em onshore, na zona de Aljezur, ser anulado”.

“Estamos à espera que o Governo, como bom fiscalizador, anule já esse contrato. Os outros, depois, se houver alguma hipótese de começar a fazer os primeiros furos, devem ser alvo de estudos de impacte ambiental e aí esses contratos possam também ser anulados”, acrescentou.

A falta destes estudos tem sido criticada por partidos políticos, autarcas e pela Plataforma Algarve Livre Petróleo, estrutura composta por associações ambientalistas e de defesa do património, que têm pedido o fim da prospeção e exploração de hidrocarbonetos no Algarve.

Joaquim Correia considerou que “é um contrassenso não haver esses estudos de impacte ambiental antes” de os contratos serem assinados e adiantou que o partido, após esta campanha de sensibilização da população, vai decidir que ações tomar ao nível político e parlamentar para acabar com a prospeção e exploração de hidrocarbonetos no Algarve.

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