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Padre algarvio Paulo Duarte veio apresentar o seu livro na sua cidade natal

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre Paulo Duarte, sacerdote algarvio natural de Portimão, veio apresentar naquela cidade o seu livro ‘Deus como Tu’, lançado em abril deste ano.

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Na apresentação, que teve lugar no passado sábado à noite no salão do Centro Paroquial de Nossa Senhora do Amparo, Suzanne Rodrigues – a amiga de infância do sacerdote jesuíta que apresentou a publicação em parceria com o próprio padre Paulo Duarte – explicou que o livro “é uma súmula dos textos que ele foi escrevendo ao longo dos anos sobre todas as vivências” que teve, “desde as mais caricatas às mais sérias”. “É um livro onde ele faz uma partilha muito genuína do dia-a-dia, mas também da profundidade e da interioridade do que é ser pessoa e padre no mundo de hoje”, acrescentou.

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Suzanne Rodrigues garantiu assim que o sacerdote “não deixou de ser o Paulo para passar a ser jesuíta, para passar a ser padre”. “E é isso que ele consegue fazer tão bem. Consegue ser padre, consegue traduzir a palavra de Deus e trazer Deus para o nosso quotidiano nas coisas mais simples”, prosseguiu, considerando então que o autor “humaniza a ideia, a noção e a experiência de Deus” e que a publicação constitui assim um “trabalho de genuinidade” do próprio sacerdote.

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“No ‘Deus como Tu’, ele traduz exatamente aquilo que ele é e aquilo que consegue fazer com que Deus seja nas nossas vidas”, justificou, garantindo que a “genuinidade” é “uma caraterística muito própria” do amigo que “continua a espantar-se com as coisas mais corriqueiras da vida”. “E ele convida-nos, ao longo de todo o livro, a observar as coisas assim”, concluiu.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo
Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre Paulo Duarte confirmou que obra adota a “partilha” como género literário. “A partilha surge muito a partir também da minha experiência dos exercícios espirituais de Santo Inácio”, explicou o autor, acrescentando que a ideia de partilhar reflexões, pensamentos, poesias ou questões sociais e teológicas surgiu-lhe quando uma amiga o interrogou sobre os seus sentimentos na preparação próxima para a sua ordenação.

O padre Paulo Duarte era comissário de bordo quando decidiu ser padre, fez o percurso formativo na Companhia de Jesus e foi ordenado sacerdote jesuíta em 2014.

A partir daí – contou – “muita gente” lhe começou a “agradecer como um modo de partilha pode ajudar ao encontro com Deus”. “Então comecei a escrever quase diariamente no blogue oinsecto.blogspot.com e, sobretudo, no Facebook”, lembrou, explicando no consiste o que publica: “deixar Deus falar a partir da autenticidade do que a minha vida, na relação com Ele, tem feito”.

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O autor confessou que começou por rejeitar a ideia de publicar o livro, mas, depois de um “processo que não foi fácil”, acabou por aceitar o convite de uma das editoras interessadas. “Se entreguei a minha vida é para que Deus me atravesse e para que ajude outras pessoas a serem atravessadas. Este ‘Deus como Tu’ convida-me a sair de mim, a ser como Ele, no sentido de humanidade. Então, esta relação da criatura com o Criador – que depois nos desafia a sermos à imagem e semelhança d’Ele – é para uma maior abertura e um maior serviço”, afirmou.

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Por outro lado, o padre Paulo Duarte considerou que a sua partilha poderá ajudar outros a reencontrarem-se com Deus. “A nossa experiência de vida, bem enquadrada na relação com Deus, pode ser motivo de regresso, porque Deus está à nossa porta a bater e se nós abrirmos, Ele entra para ficar”, disse, acrescentando: “Deus, o que mais quer é que possamos dar o melhor de nós, o melhor dos nossos dons e dos nossos talentos. E a vocação tem que ver com isso”.

O autor considerou ainda que a “facilidade de comunicar” num sacerdote ajuda a eliminar estereótipos. “Há muitos estereótipos à volta da figura dos padres. Esses estereótipos bloqueiam-nos a possibilidade de perceber a mensagem”, lamentou, defendendo existir uma “enorme sede de espiritualidade”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Dividido em três partes, o livro, com chancela da ‘Matéria-Prima Edições’, agrupa os textos em torno dos temas “escutar”, “partilhar” e “reconciliar” e relata, entre outros acontecimentos, o início da sua interpelação vocacional ou situações vividas na escola onde também trabalha.

Ao Folha do Domingo, o padre Paulo Duarte confirmou que a verba resultante da venda dos livros naquela apresentação reverte para as vítimas do fogo de Monchique e será entregue à Caritas Diocesana do Algarve.

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