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Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

O padre António Fernandes da Rocha celebra 50 anos de ordenação sacerdotal no dia 15 do próximo mês de agosto.

Natural da freguesia de Deão, Viana do Castelo, onde nasceu em 1942, António da Rocha seguiu para Braga com 11 anos para o Seminário de Nossa Senhora da Conceição, mais conhecido como Seminário da Tamanca. Após quatro anos naquele seminário menor, passou no quinto ano pelo Seminário Conciliar e seguiu no ano seguinte para o Seminário de Santiago onde se completavam os estudos em Filosofia. Ali permaneceu três anos, regressando depois ao Seminário Conciliar para mais quatro anos de Teologia.

Desde muito cedo admitiu a possibilidade de seguir para as missões. Certo dia, D. Altino de Santana, então bispo da Diocese de Sá da Bandeira (atual Lubango), Angola, visitou o Seminário Conciliar para recrutar padres. Embora ainda estudante de Teologia, António da Rocha aceitou o convite e acordou ir para aquela diocese com mais dois colegas após a ordenação.

No dia 15 de agosto de 1966 foi ordenado sacerdote na Sé de Braga pelo então bispo auxiliar daquela arquidiocese, D. Francisco Maria da Silva.

Por via da indisponibilidade dos dois colegas para seguirem para Angola, depois de ordenado acabou por ser nomeado coadjutor da paróquia de São Vicente de Braga, adstrita ao Seminário Conciliar, função que desempenhou durante ano e meio. D. Francisco Maria da Silva disse-lhe que, para não ir sozinho para África, viria para o Algarve a pedido do bispo D. Júlio Rebimbas, então bispo da diocese algarvia, juntamente com padre António Alves Araújo de Sousa, falecido em 2013, que foi pároco de Conceição de Tavira durante 44 anos e de Cacela durante 38.

No dia 16 de outubro de 1967 chegaram ao Algarve, ficando alojados no Seminário, tendo o padre António da Rocha ficado ali a viver durante pouco mais de um mês. “A intenção de D. Júlio era mandar-nos para Aljezur, mas deve ter-se apercebido que tínhamos uma diferença etária bastante considerável”, conta o sacerdote ao Folha do Domingo, explicando que acabou por ir como coadjutor para a paróquia de São Brás de Alportel e o seu colega para as paróquias já referidas.

Em São Brás de Alportel esteve dois anos a colaborar com o pároco da altura, o padre Manuel Coelho Gomes, tendo também lecionado no externato local.

D. Júlio Rebimbas convidou depois em 1969 o padre Joaquim Beato, que estava em Monchique, e o padre António da Rocha para irem para São Luís, uma zona pastoral limítrofe da cidade de Faro que estava em forte desenvolvimento, no sentido de se vir a constituir ali uma comunidade paroquial. Os sacerdotes ficaram a residir na rua ator Nascimento Fernandes e começaram a trabalhar naquela zona que tinha ao tempo apenas uma celebração dominical, sendo assistida pelos padres do Seminário de Faro.

“Lançámos os alicerces de uma nova paróquia, organizou-se a catequese e a vida pastoral. O padre Beato estava mais diretamente implicado na animação pastoral. Eu, para além de estar com ele, tinha outras atividades, inclusive ia presidir à celebração das 9h em São Pedro e depois também no Montenegro, ainda como capelania, e na Goncinha (Loulé), durante dois anos”, recorda o padre António da Rocha, acrescentando que começara a lecionar Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) na Escola Afonso III, inaugurada naquele ano de 1969. O estabelecimento educativo, que acolhia cerca de 900 alunos para o 5º e 6º ano de escolaridade, contava na altura com quatro professores de EMRC, todos com horário completo.

Os padres António da Rocha e Joaquim Beato trabalharam conjuntamente na comunidade de São Luís até 1975, altura em que o segundo foi nomeado por D. Florentino de Andrade e Silva para Armação de Pêra e Porches, onde ainda se encontra.

A constituição da comunidade farense como vicariato ocorreu em 1983 e a construção da nova igreja teve início a 6 de janeiro de 1991, tendo sido inaugurada a 21 de junho de 1992, sendo depois o vicariato erigido na atual paróquia. O padre António da Rocha reconhece os dias da inauguração da nova igreja e da ereção da paróquia de São Luís, onde ainda é pároco, como momentos marcantes nestes 50 anos. “Representou para mim um desafio na linha da fé em que vi que, quando as obras são de Deus, não há que temer”, testemunha.

Em 1994, D. Manuel Madureira Dias nomeou-o também pároco de Pechão, função que desempenhou até 2001, com um trabalho que diz ter sido “bastante significativo” de “investimento no património”. Naquele ano, o bispo do Algarve propôs-lhe deixar Pechão e assumir o Montenegro, que já era paróquia e que inclui o núcleo pastoral de Gambelas, onde ainda é pároco.

Para além da Escola Afonso III, onde foi professor durante 34 anos, até 2003, o aniversariante lecionou ainda em Faro no extinto Colégio Algarve durante cerca de quatro anos. Passou também como professor, embora de forma muito breve, pelas escolas João de Deus e Tomás Cabreira. Foi ainda fundador e diretor durante seis anos do CEFLA – Centro de Estudos e Formação de Leigos do Algarve e, durante muitos anos, responsável pelo Secretariado do Ensino da Igreja nas Escolas da Diocese do Algarve. Foi vigário da vigararia de Faro durante seis mandatos e fez parte de vários Conselhos Presbiterais, do Colégio de Consultores, do Conselho Diocesano de Pastoral e membro da Fraternidade Sacerdotal.

Fazendo parte de uma geração de sacerdotes ordenada na conclusão do Concílio Vaticano II, o padre António da Rocha explica que a sua geração acompanhou o acontecimento “com muito entusiasmo e expetativa”. “Toda aquela dinâmica do Concílio nos tocou muito. Quando viemos para a vida pastoral tentámos levar à prática. A minha geração foi a que viveu o antes e o depois e só quem viveu a liturgia antes do Concílio pode entender em profundidade a mudança que ocorreu com a abertura que trouxe, ainda que haja muita coisa preconizada que está longe de ser uma realidade entre nós”, afirma.

O sacerdote diz ainda que o facto das bodas de ouro da sua ordenação sacerdotal ocorrem neste Ano Santo da Misericórdia é também motivo de reflexão. “Não deixa de me interpelar e de me levar a uma introspeção, pelo modo como sou chamado a realizar esta dimensão da misericórdia. Sinto-me feliz por os meus 50 anos ocorrerem neste ano e espero a partir daqui, com uma disposição cada vez mais firme, ser instrumento da misericórdia de Deus”, refere.

Embora considere que já não está em tempo de “definir metas”, mas de aceitar o que o Espírito Santo lhe vai suscitando para “tentar responder da melhor maneira”, o aniversariante aponta a construção de uma capela mortuária no Montenegro e algumas salas de catequese como projetos futuros, assim como a possibilidade de construção de um espaço de culto nas Gambelas, onde também a “catequese cresceu bastante”, num terreno cedido pela Câmara de Faro.

O padre António da Rocha participou no passado dia 1 deste mês em Braga num encontro do seu curso com antigos colegas e os 50 anos de sacerdócio serão ainda assinalados no próximo dia 15 de agosto com a celebração da eucaristia, pelas 18h, na igreja de São Luís, em Faro.

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