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Padre António de Freitas: a catequese tem de “passar do modelo escolar ao catecumenal”

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre António de Freitas aludiu no passado sábado no Dia Diocesano do Catequista à, tantas vezes repetida, necessidade de a catequese “passar do modelo escolar ao catecumenal”.

O sacerdote, que apresentou a carta pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, intitulada «Catequese: A Alegria do Encontro com Jesus Cristo», lembrou aos cerca de 300 catequistas algarvios presentes no Centro Apostólico de Santo André, na Penina (Alvor), que aquela necessidade, indicada no documento dos bispos portugueses publicado em maio do ano passado, já era sentida na Diocese do Algarve “há 15 ou 20 anos atrás”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Lembro-me da «batalha» permanente de não escolarizar a catequese. Não é de hoje o problema. Os vários documentos, as mensagens do papa aos bispos portugueses, as reflexões em fóruns e outros encontros sobre a catequese têm vindo constantemente a alertar-nos para isto”, lembrou no encontro promovido pelo Sector da Catequese da Infância e Adolescência da Diocese do Algarve sob o mesmo tema da carta pastoral dos bispos portugueses.

Insistindo nessa urgência de desassociar a catequese do modelo educativo da escola, o sacerdote lembrou que “a catequese não é transmissão de conhecimentos, mas de uma fé feita de encontros” no objetivo de levar ao encontro com Cristo. “É encontrar-se com Deus que o ama; encontrar-se consigo mesmo no constante caminho de conversão e de configuração com Jesus; encontrar-se com a comunidade eclesial que é o lugar onde Deus se revela por excelência; encontrar-se com a humanidade quando compreender que o amor de Deus o compromete com os outros”, enumerou.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Neste sentido, o formador realçou que o catequista, “mais do que um mestre que transmite saberes, deve considerar-se um guia espiritual”. O padre António de Freitas desafiou assim os catequistas a mudar o “estilo de fazer catequese, de compreender a catequese, de preparar os miúdos, de ser criativo”.

“Percebemos que os guias são excelentes no que respeita aos conteúdos, às pedagogias e às orientações, mas a catequese não é uma escola onde há um manual que se segue tacitamente em busca de ser atingido o objetivo de terem sido dadas todas as lições propostas. Não façamos dos guias manuais escolares porque senão fazemos as crianças encontrarem-se com livros”, alertou.

O padre António de Freitas desafiou assim a “levar os catequizandos a integrarem-se na comunidade”, advertindo que isso “não se pode resumir a simples tarefas num ou noutro momento”. “É fazer refletir na catequese a vida comunitária e integrá-los nos vários momentos da comunidade paroquial: na caridade, nas orações, nos momentos de decisão de programas pastorais”, defendeu, desafiando a “fazê-los sentir participantes, construtores do seu próprio caminho”. “Escutemos as crianças e os jovens quando programamos”, exortou o orador, que considerou “errado” fazer depender a receção do sacramento do crisma da realização de tarefas na comunidade.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Lembrando que “a catequese, sendo vivida comunitariamente, tem um progresso interior pessoal e personalizado”, defendeu que todos os catequizandos devem transitar de ano e que nenhum deve realizar etapas “só porque os outros fazem”. “Não podemos medir todos do mesmo modo, senão não estaremos a ajudar”, considerou.

O sacerdote lamentou ainda que as reuniões de catequistas sejam “reuniões pedagógicas” à imagem das que têm lugar nas escolas. “Quando é que os catequistas se encontram, não se reunir mas para rezar, para adorar o Santíssimo, para escutar a palavra de Deus em comunidade?”, questionou, desafiando os catequistas a fazerem Lectio Divina ou um dia de reflexão, recoleção ou retiro.

Da mesma forma, criticou que o contacto com as famílias seja reduzido a reuniões do mesmo género. “Não podemos reduzir o nosso contacto com as famílias a reuniões. Temos instrumentos que não podemos desperdiçar e que são os meios para gerar o encontro daquelas famílias com a Igreja e com Deus”, observou, considerando que “a catequese de adultos têm de ser uma necessária aposta”. “Vale a pena apostar porque os miúdos encontrarão em casa o eco e o ambiente se os pais participarem”, sustentou.

Conferência do padre António de Freitas:

 

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