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Foto © Samuel Mendonça

O padre Atalívio José Rito, sacerdote da Fraternidade da Mãe de Deus e pároco de São Bartolomeu de Messines e de São Marcos da Serra, celebra na quarta-feira 25 anos de ordenação sacerdotal.

Natural de Alvalade-Sado, concelho de Santiago do Cacém, Diocese de Beja, onde nasceu a 27 de julho de 1948, o jovem Atalívio Rito veio para o Algarve como aluno de estudos hidráulicos que realizou em Silves, tendo conhecido o falecido cónego Firmino Ferro, então pároco local, de quem se tornou amigo.

Em 1969 veio para Faro realizar a formação para professor primário, profissão que exerceu em Sines e na sua terra natal. “Havia uma insatisfação contínua. Faltava-me o sentido para a existência”, confessa o padre Atalívio Rito ao Folha do Domingo, explicando que não se sentir realizado foi uma das razões para ter sofrido uma crise de identidade.

“As circunstâncias levaram-me a começar a rezar. Quando estava em casa rezava e sentia-me melhor”, explica, acrescentando que passava muito tempo em oração. “Comecei a perceber que esta dimensão espiritual da vida era um alívio para mim, uma identificação e uma esperança nova. Só quando pensava em Deus é que sentia paz no meu coração”, sustenta o sacerdote que nunca frequentou a catequese e que apenas foi batizado aos sete anos por iniciativa da professora primária.

A crise levou-o a aproximar-se da Igreja. “Comecei a ir à missa e o pároco informou-me da realização de um Convívio Fraterno”, conta, lembrando que participou naquela atividade com 30 anos, a qual considera um marco na sua vida. Integrou depois a equipa de Évora daquele movimento, tendo conhecido algumas pessoas que lhe deram uma “perspetiva esperançosa da vida, a partir do ângulo de Deus”. Nas férias começou a peregrinar regularmente ao Santuário de Fátima.

Começou então a interrogar-se se teria “alguma coisa a ver com Deus” ou Deus consigo e mais tarde, quando na Diocese de Beja teve contacto com um folheto da Fraternidade da Mãe de Deus (FMD), foi procurar mais informação junto do bispo de então, D. Manuel Falcão. O prelado aconselhou-o a ir a Sevilha (Espanha) conhecer aquela associação privada de fiéis, o que acabou por fazer. Aos 32 anos manifestou-lhe também vontade de receber o sacramento da Confirmação (Crisma). “Era como se dentro de mim houvesse um desejo imenso de me crismar”, conta.

Foto © Samuel Mendonça

Conheceu a comunidade de Onuva, da FMD, fundada há mais de 45 anos a cinco quilómetros de Puebla del Río (Sevilha) com uma espiritualidade mariana e uma clara opção pelos mais pobres. Voltou depois a casa e ao fim de um ano pediu a exoneração do Magistério Primário. Depois de um ano em Onuva, o superior perguntou-lhe se não gostaria de ir estudar para o Seminário de Huelva (Espanha), convite que aceitou.

Entrou para o Seminário em 1985 e ali completou estudos até 1991. Dois meses antes da ordenação entrou em “intensa oração”, pedindo a Deus que o ajudasse a dar o passo, de modo que fosse ele próprio a querê-lo e a perceber porquê. “É curioso que passados quinze dias percebi interiormente porquê”, testemunha, acrescentando que nunca tinha pensado ir para o Seminário ou enveredar pela vida sacerdotal.

Ordenado no dia 1 de fevereiro de 1992, pelo então bispo de Huelva, D. Rafael González Moralejo, o padre Atalívio Rito pertence àquela diocese na qual está incardinado. O sacerdote explica que a FMD não tem ainda capacidade de incardinação por ser uma associação privada de fiéis. “Somos incardinados na Diocese de Huelva e a diocese depois dispensa-nos”, complementa o sacerdote.

Depois de ordenado continuou a trabalhar na paróquia de Moguer, perto de Huelva, tendo sido nomeado coadjutor do pároco. Ainda ali se encontrava quando reencontrou o padre Manuel Oliveira Rodrigues que conhecera, através do cónego Firmino Ferro, quando esteve a estudar em Faro no Magistério Primário e aquele lhe perguntou se a FMD não teria um ou dois padres para ajudar a diocese algarvia. Pouco tempo depois o pedido era formalizado pelo então bispo do Algarve, D. Manuel Madureira Dias, ao que a FMD anuiu. “Veio o padre Mariano (que esteve dois anos) com a irmã Milagro, padre que eu vim substituir em Alcoutim, Pereiro e Giões”, contou, lembrando que antes de vir passou quase ano e meio em El Salvador, onde a sua fraternidade tem uma missão.

Nas paróquias do nordeste algarvio (as do concelho de Alcoutim e Cachopo) trabalhou quase a totalidade destes 25 anos e assegura que o investimento feito foi na “pastoral da presença” junto de uma população que ainda mantem uma “religiosidade profunda”. “Na serra do Algarve encontrámos pessoas da terceira idade, algumas com deficiência de quem tratámos de estar perto. É muito fácil, basta estar ao pé delas”, explica, lembrando que percorriam cerca de 30 montes isolados. “Na FMD temos uma atenção a que o nosso carisma seja estar com os mais pobres. Assumimo-los como parte da nossa família e procuramos reabilitar os que são reabilitáveis para que voltem às suas vidas”, sustenta.

Em agosto de 2015 foi nomeado para as paróquias onde agora está.

O sacerdote dá “graças a Deus” pelas bodas de prata da sua ordenação sacerdotal, mas confessa-se surpreendido. “Admira-me que o Nosso Senhor seja assim tão liberal, ao dar dos seus dons e se colocar na mão dos homens”, afirma, sublinhando ter no coração “um agradecimento imenso a Deus” e estar decidido a fazer a sua vontade de Deus e a seguir Cristo. “O único projeto que tenho é que o meu coração todos os dias se fixe em Cristo”, garante.

Na próxima quarta-feira será celebrada pelas 19h na igreja de São Bartolomeu de Messines uma eucaristia de ação de graças por estes 25 anos de sacerdócio do padre Atalívio Rito, presidida pelo aniversariante.

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