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Padre Carlos de Aquino celebra 25 anos de sacerdócio marcados pelo serviço em várias frentes

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Ordenado sacerdote no dia 29 de junho de 1993 na Sé de Faro pelo então bispo do Algarve D. Manuel Madureira Dias, o padre Carlos de Aquino está a completar 25 anos de sacerdócio marcados pelo serviço nas paróquias por onde passou – e foram mais de uma dezena –, mas muito também pelo trabalho no âmbito da juventude, da liturgia, da caridade e da cultura.

Ao Folha do Domingo, o aniversariante diz serem “25 anos para dar graças”, “enriquecedores” para a sua vida “como pessoa e como padre”, em que, “pela partilha dos cristãos das várias comunidades” que o “foram ajudando a ser pastor”, procurou centrar a sua vida em Jesus “porque Ele é que é o Pastor”.

Num exercício de gratas recordações, o sacerdote percorre os caminhos da memória para regressar ao ano de 1983, quando, com 14 anos, decidiu entrar no Seminário juntamente com conterrâneo amigo, e hoje também presbítero, Mário de Sousa. Ambos naturais de Vila Real de Santo António, acólitos e pertencentes ao grupo paroquial de jovens “Os Luizinhos”, após uma decisão, “também discernida em amizade”, que até surpreendeu os familiares, seguem para o Seminário Menor de Vila Viçosa, por não poderem ingressar no de São José, em Faro, na altura encerrado.

No entanto, o padre Carlos de Aquino consegue identificar na história da sua vocação um outro acontecimento que terá concorrido para o despertar do ministério que abraçou há 25 anos. O sacerdote recorda a primeira saída de casa em criança para uma peregrinação a Fátima com os avós, da qual trouxe uma imagem de Nossa Senhora que contemplava muitas vezes e que o acompanhou durante todo o percurso no Seminário. “Olhando para aquela imagem foi um princípio de motivação que depois também se foi purificando pela minha entrada na Igreja graças a um amigo – José Eduardo – que já estava no grupo de jovens e que me levou a pertencer a ele”, conta.

A interpelação pela imagem de Nossa Senhora, a pertença ao grupo paroquial de jovens e a influência do regozijado pároco Vicente Passos, que recorda como “pastor bom” e “uma pessoa espiritual”, constituiu o tripé que fundamentou o desejo que o jovem Carlos de Aquino acabou por cimentar na sua caminhada vocacional.

O entusiasmo motivado pelo “grande desejo da descoberta de ir para o Seminário” começou a desvanecer-se com a dificuldade inicial da adaptação que teve como principal fator a distância de casa. Num tempo em que apenas as tão esperadas cartas ajudavam a encurtar quilómetros de lonjura e de saudade, os primeiros meses de Seminário constituíram até ao Natal um período “de provação” e de dúvida quanto ao acerto da opção.

Concluído ali o 9º ano letivo, o início do ensino secundário trouxe nova mudança com a ida para o Seminário Maior de Évora, onde completou toda a formação, primeiro até ao 12º ano –, na altura ainda realizado em regime interno na instituição –, e depois a licenciatura em Teologia. Mas foi no terceiro ano daquele curso que se impôs o “discernimento maior”, “onde aconteceram as crises mais humanas e previstas das decisões que se têm que tomar”. “Esse foi o ano de crise, de transformação, em que fui muito ajudado pelo reitor da altura que hoje é o bispo de Évora, D. José Alves, que, para além do meu bispo Manuel Madureira, foi sempre um pai que me acompanhou nesse processo. Também o reitor da altura foi um grande amigo e o diretor espiritual, o padre Basílio [do Nascimento], que agora é o bispo de Baucau, me ajudaram nesse discernimento e nessa decisão mais madura de opção pelo presbiterado”, lembra.

De entre as experiências “enriquecedoras” mais marcantes, o aniversariante destaca um retiro de um mês orientado por padres jesuítas aos seminaristas. “Sinto que me marcou muito também em discernimento vocacional e, como experiência na oração, no aprofundamento da fé”, recorda, acrescentando também a segunda visita de João Paulo II a Fátima. “Curiosamente Fátima é um centro e um acontecimento que tem estado muito presente na minha vida, que me inspira e me marca”, realça.

O último ano de curso era simultaneamente de estágio pastoral e as primeiras paróquias onde trabalhou no Algarve foi precisamente nas de Loulé, onde volvidos 25 anos se encontra de novo desde agosto de 2015. Desde então até agora, o périplo começou por ser constituído, após a ordenação sacerdotal, pelo trabalho no Seminário de Faro, instituição que só conheceu já como membro da equipa formadora na função de prefeito, serviço que acumulou com o de vigário paroquial de Quelfes.

Até ao regresso a Loulé, seguiram-se então as paróquias de Alcantarilha e Pêra, para onde foi nomeado pároco em 1994, e três anos depois, as de todo o concelho de Aljezur, onde também esteve três anos. No ano 2000, o bispo do Algarve pediu-lhe que fosse para Roma fazer formação em liturgia. Regressou à diocese algarvia para voltar à paróquia de Quelfes, mas desta vez como pároco, onde esteve dois anos. Em julho de 2002 foi nomeado pároco das paróquias de todo o concelho de Alcoutim e Cachopo e em julho de 2005 pároco de Silves, onde esteve nove anos, tendo acumulado desde janeiro de 2014 com as paróquias de São Bartolomeu de Messines e de São Marcos da Serra juntamente com o padre Vasco Figueirinha.

Do interior ao litoral, passando pelo barrocal e pelos extremos, o padre Carlos de Aquino é conhecedor das várias realidades que constituem a diocese algarvia, o que diz ter constituído uma “experiência muito enriquecedora” e uma “aprendizagem enorme” ao nível da pastoral. O sacerdote considera que o serviço na serra, onde foi “muito feliz” e se realizou “profundamente”, foi “desafiador” e acrescenta que “o trabalho na cidade é mais desgastante porque tem outros desafios”. “No interior há quase uma fé e uma religião espontânea onde as pessoas estão muito próximas e a fé e a religião unem quase a todas”, observa, considerando ser mais fácil perceber na cidade a alteração do conceito de paróquia por via da atual realidade paroquial onde diz haver “muita liquidez no modo como se vive a fé” e um “déficit imenso de compromisso”.

Para além das paróquias, assumiu diversos serviços na diocese, com particular realce os que desempenhou ou ainda desempenha no âmbito da pastoral juvenil, da pastoral litúrgica e da pastoral da cultura. É ainda assistente da Cáritas Diocesana e foi diretor do Centro de Bem-Estar Social Nossa Senhora de Fátima, em Olhão. Fez parte de vários organismos da diocese como o Conselho Presbiteral ou o Colégio de Consultores e é vigário da vigararia (conjunto de paróquias) de Loulé.

O seu ministério sacerdotal também tem sido também muito marcado pela dimensão poética e artística que, aliada à formação litúrgica, tem contribuído não só para a construção de celebrações diocesanas importantes, mas também para a edição de publicações formativas e culturais e para a criação de um vasto património musical com letras de sua autoria.

A colaboração do sacerdote tem-se estendido também para além das fronteiras da diocese e a nível nacional tem sido requisitado inúmeras vezes, sobretudo para o aprofundamento de temáticas na área litúrgica.

Ao celebrar este quarto de século de vida consagrada com o olhar levantado ao horizonte, o padre Carlos de Aquino diz que a prioridade atual do seu ministério passa por “estar mais com o Pastor”. O sacerdote diz também que gostaria de ver concluídos alguns projetos que iniciou em Loulé, de escrever algumas catequeses mistagógicas sobre a iniciação cristã e os sacramentos e de publicar também um “olhar crente” no âmbito da poesia.

O sacerdote – que diz olhar para o presbiterado como “um serviço de amor” porque “o padre é fruto do mistério de amor em primeiro lugar” e “há de ser sempre este servidor feliz de um amor maior” – afirma gostar de “ser um homem simples, sem ser simplista, autêntico e verdadeiro, mas próximo”. “É isso que as pessoas mais esperam de um padre hoje, que seja uma pessoa feliz, que dê o céu, que dê Jesus Cristo, que dê o evangelho, que as pessoas, quando se encontram com o padre, se possam encontrar com Cristo, possam encontrar respostas de sentido à sua vida”, conclui, sublinhando que o desafio aos padres de hoje passa por “serem homens de Deus e pastores felizes”.

Para assinalar os 25 anos da ordenação sacerdotal do padre Carlos de Aquino será celebrada uma eucaristia de ação de graças no próximo dia 29 deste mês, às 19h, no Santuário de Nossa Senhora da Piedade (Mãe Soberana). Depois da celebração realizar-se-á um jantar no Centro Paroquial de Loulé. Os interessados em tomar parte naquela iniciativa deverão formalizar a sua inscrição nas paróquias, através do telefone 289415167.

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