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O padre Carlos de Aquino evidenciou nas XIX Jornadas de Ação Sociocaritativa da Diocese do Algarve, que se realizaram no passado dia 7 deste mês, a necessidade de a Igreja dar maior importância à “evangelização das periferias”.

O sacerdote realçou que “os pobres são os periféricos da vida que Jesus sempre privilegiou na sua missão, identificando-se com eles”. “As periferias assumem uma longa e complexa história de experiências diferentes ao longo dos tempos e na vida da própria Igreja”, lembrou, considerando que hoje “não temos comunidades com este espírito de saída”.

Segundo o orador é necessário “sair da própria comunidade e ter coragem de alcançar todas as periferias”. “[É preciso] sairmos de nós mesmos, descentralizarmo-nos, não vivermos a autoreferencialidade para irmos às periferias, não apenas geográficas”, acrescentou, desafiando “cada comunidade e com cada cristão a fazer este discernimento”.

“É fundamental estarmos no terreno”, complementou, considerando que o apoio social prestado não se pode limitar à entrega de um saco de alimentos.

Sendo claro na rejeição da “pobreza que Deus abomina, fruto da injustiça e do pecado”, o sacerdote realçou que “a opção pelos pobres constituirá sempre uma realidade básica e irrenunciável do ser cristão, da sua própria identidade e missão”porque “pertence ao núcleo da mensagem evangélica”. O orador sublinhou assim que a opção pelos pobres “não pode ser apenas uma opção ideológica ou política” porque “a caridade cristã não é sinónimo de filantropia”.

Neste sentido, o padre Carlos de Aquino advertiu que “só celebra verdadeiramente o culto aquele que o prolonga e completa no serviço a Deus e aos irmãos”. “Não há verdadeiro culto, se este não for prolongado no amor, no serviço, na solidariedade, na partilha, na defesa dos mais fragilizados, no empenhamento da justiça”, sustentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Adoramos a presença realíssima do Senhor nas espécies eucarísticas. Não teremos muita dificuldade em sentir essa presença de divino numa imagem, num espaço sagrado. É tão difícil percebê-lo na carne do pobre, do frágil, do doente”, constatou.

“É necessário aprendermos a testemunhar a fé na caridade, para que esta seja celebrada em maior verdade e autenticidade. Parece-me importante aprendermos a nos compadecer, identificando-nos com o sofrimento alheio”, prosseguiu.

Nas XIX Jornadas de Ação Sociocaritativa da Diocese do Algarve, que refletiram no Centro Pastoral e Social em Ferragudo sobre o tema “Caridade, a fé em movimento”, com a presença de 65 agentes da pastoral social, foi lançada a ideia da constituição de uma rede de trabalho e renovado o apelo ao envio da contabilização dos apoios prestados ao longo do ano.

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