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Padre Flávio Martins alerta que a catequese não é um “somatório de festas”

Foto © Samuel Mendonça
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O padre Flávio Martins alerta que “é importante redescobrir a catequese não como um somatório de festas, mas, acima de tudo, como uma caminhada que se deve fazer para descobrir Jesus”.

Esta foi a ideia-chave da conferência que proferiu na passada sexta-feira, na paróquia de São Luís, em Faro, promovida no âmbito do programa da celebração dos 25 anos daquela comunidade que se completarão no próximo ano.

“Fazer festas e etapas, mas não querer ver Jesus servirá para alguma coisa?”, interrogou o sacerdote da Diocese do Algarve, alertando que “a catequese não é uma escola de altruísmo ou de ética” mas “uma caminhada de constante conversão para melhor conhecer” Jesus Cristo.

Neste sentido, destacou que “realizar etapas ou festas não significa ter feito o caminho”, mas “ficar apenas e só no que é superficial”. ” Há um desejo no coração dos jovens e das crianças de algo ou alguém maior. Andam cansados e saturados da superficialidade e da materialidade das propostas e formas do mundo. Se a catequese não levar ao encontro de Jesus, não ajudar a crescer na oração e na escuta da palavra, não serve para nada”, advertiu, lamentando nunca ouvir os pais perguntar se o filho “alcançou os objetivos”, se “quer «ver» Jesus”, se “já reza” ou “sabe por que e para que participa na eucaristia”, se “ama, participa e vive como cristão”.

“Estamos preocupados em chegar às etapas e devemos preocupar-nos em chegar aos objetivos”, considerou, alertando que “entender a catequese como caminho exige tempo e disponibilidade”. “Tempo para descobrir Jesus na minha história”, especificou, salientando que “a descoberta é gradual”.”O tempo catequético é um tempo de gestação para a fé, para o testemunho e a nossa catequese não faz testemunhas, pois não damos a conhecer Jesus”, lamentou, criticando que, por vezes, se enverede pelo caminho do facilitismo. “Não estarão nas nossas catequeses, liturgias, ritos e práticas revestidas de sagrado, mas muito compostas das coisas do mundo?”, interrogou.

Foto © Samuel Mendonça
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O conferencista referiu-se à catequese como um “processo de educação na fé e para a fé e em comunidade, com dinamismo que base, sistemático e permanente”. “Ao falar de processo educativo referimo-nos ao testemunho da vida cristã do catequista e de toda a comunidade”, explicou, lembrando que “a catequese é, antes de mais, testemunhal” e só “depois é que passa a ser doutrinária”.

Neste sentido, destacou também que a catequese “deve ser um itinerário que orienta para um testemunho”. “O compromisso final [do catequizando] não é fazer coisas na paróquia, mas testemunhar Jesus Cristo”, alertou, lembrando que a “finalidade da catequese” é fazer de cada pessoa um “discípulo missionário” e uma “alegre testemunha” de Jesus. “A estrutura catequética deve orientar para uma participação ativa, mas não ativista do mistério litúrgico e dos ministérios eclesiais, uma vida apostólica, testemunhal e missionária”, acrescentou.

Destacando a catequese como este “esforço realizado pela Igreja para fazer discípulos para ajudar os homens a acreditar que Jesus é o filho de Deus”, o padre Flávio Martins afirmou que a Igreja assumiu assim uma “função remota dos pais porque a fé deveria ser transmitida em casa e não pela Igreja apenas”. “A demissão dos pais obrigou a Igreja a assumir essa tarefa”, lamentou, criticando que, por vezes, os pais queiram fazer da catequese um ATL.

Neste sentido, frisou que “a família é fundamental na caminhada catequética dos seus filhos”. “Os pais recebem no sacramento do matrimónio, a graça e a responsabilidade da educação cristã dos filhos”, lembrou, considerando que “a família deve recuperar a sua função educativa e a consciência da sua responsabilidade e capacidade na educação também cristã e religiosa”. ” Os pais devem ser motivados a descobrir a fé como necessária e útil para as suas vidas, para o futuro dos seus filhos. Os pais são os primeiros transmissores da fé, da herança e do património espiritual e cristão”, acrescentou.

A terminar, defendeu que os pais “deveriam ser acompanhados” e evidenciou a necessidade de “criar espaços e ocasiões de formação”. “Não podemos descurar a catequese de adultos que é muito importante. É necessário que a comunidade cristã preste uma especial atenção aos pais. Devem ajudá-los a assumir a sua tarefa de educar os filhos na fé por meio de contactos pessoais, encontros, cursos e também mediante uma catequese para adultos, dirigida concretamente aos pais”, propôs.

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