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Na sua intervenção na Jornada de Pastoral Litúrgica da Diocese do Algarve, promovida no último sábado, o padre Flávio Martins alertou que sem oração, que complemente a participação na celebração da eucaristia na comunidade cristã, “a família não consegue ser firme e fiel aos mandamentos de Deus e à doutrina da Igreja”.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O orador, que abordou o tema “O sentido espiritual da Liturgia na vida familiar” na ação de formação que teve lugar no Centro Pastoral de Pêra sobre o tema geral “Liturgia e Missão” com a participação de quase 140 pessoas de todo o Algarve, destacou que “a oração é o pilar de sustento de uma família”. “Não é a carreira ou o estudo, o trabalho ou o ordenado”, alertou, reforçando que “aquilo que sustenta uma família é a sua vida de oração com Deus”.

“Se uma família não reza em casa, só participa na eucaristia dominical e nada mais, como se aguentará? Como permanecerá de pé? Como viverá?”, interrogou.

“Se os pais não rezam com os filhos para escutar a Deus, como é que há de haver vocações sacerdotais ou até religiosas ou vocações ao matrimónio (que já vai sendo raro) dentro da Igreja?”, prosseguiu.

Neste sentido, o conferencista justificou que “na oração os membros da família encontram a sua espiritualidade, o seu caminho de relação com Deus”. “Família que não reze está entregue aos «bezerros de ouro» da época: ao dinheiro, à carreira, ao estudo, ao êxito e às tecnologias”, alertou, constatando que “abunda nas famílias o silêncio provocado pelas tecnologias e pelo individualismo”. “A seguir abundam as consultas porque se começa a entrar em depressão porque se vive sozinho, isolado e depois abundam as revistas da ‘New Age’, do tarot e das espiritualidades alternativas”, lamentou.

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O sacerdote criticou uma sociedade “onde se obriga os pais a trabalhar sem pararem para ganharem muito dinheiro, como se isso fosse trazer a felicidade aos filhos e às famílias”, considerando que “hoje é preciso espaço para escutar Deus”.

Nesse sentido, lembrou que “a missão dos pais é conduzir os filhos ao mistério”, ou seja, “ensinar o caminho para Deus, ensinar a rezar, ensinar as verdades da fé, a ler e meditar a palavra e o Catecismo da Igreja”. “É na família que se aprende a rezar, a estar com Deus, a viver a palavra e a cumprir os seus mandamentos. É necessário educar para a escuta de Deus, mas também para o louvor e a ação de graças”, afirmou, desafiando os pais a estudarem com os filhos o ‘YouCat’, a versão juvenil do Catecismo da Igreja Católica.

O sacerdote, que para além da oração, da participação na eucaristia e da “escuta da palavra”, exortou também as famílias à “contemplação silenciosa”, desafiou-as também a “celebrar, mesmo em casa, e de forma adaptada aos seus membros, os tempos e as festividades do tempo litúrgico”.

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