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Padre Flávio Martins lembrou que também se atinge a santidade pelo matrimónio

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© Samuel Mendonça

O padre Flávio Martins lembrou no passado domingo a cerca de 70 casais do Algarve e de Huelva (Espanha) pertencentes ao Movimento das Equipas de Nossa Senhora (ENS) que também os cônjuges são chamados à santidade por meio da sua vocação específica no sacramento do matrimónio.

“No estado de vida que é a matrimonial também se pode ser santo, nas dificuldades, «carregando a cruz», mas sempre querendo alcançar este estado de perfeição, não separados, mas numa só carne porque o que Deus uniu, jamais o homem pode separar”, sustentou o sacerdote que foi o orador do encontro ibérico com equipas da Diocese do Algarve e da vizinha diocese espanhola de Huelva, realizado em Tavira com a presença do bispo daquela Igreja do sul de Espanha, D. José Vilaplana Blasco.

Lembrando que “não é possível viver a santidade sem ter presente esse símbolo do amor total que é a cruz de Cristo”, o orador constatou que “os casais são para o mundo de hoje ainda sinais de esperança e perseverança, aqueles que lutam para que os sinais menos bons e menos claros não sejam o todo do matrimónio”. “E por aí também nos fazemos santos e chegamos à santidade”, considerou na sua reflexão sob o tema “Casais Chamados à Santidade”, inspirado no programa pastoral da Diocese do Algarve para este ano de 2014/2015.

O conferencista lamentou que haja em muitos casais “um cansaço no amor”. “Isso também se nota nos casais das Equipas [de Nossa Senhora]. Às vezes parece que nos cansamos de amar”, afirmou, considerando haver “casais que não suportam o caminho da vida conjugal e familiar”, que “perdem o gosto do matrimónio” e que “deixam de ir «buscar a água à fonte» do sacramento”. “Quando não se reza em família, quando não se vai à eucaristia em família, quando não há uma comunhão de vida familiar, perde-se a alegria, o gosto e tudo começa a ser obrigação exigente e muito pesada”, alertou.

O padre Flávio Martins advertiu, por isso, que a santidade consiste na união com Cristo. “Somos santos, enquanto unidos a Cristo pelo Espírito Santo, através da Igreja e vivendo a vida cristã. Isto é fundamental para podermos ser santos e sem isto não é possível. Sem Cristo, na vida do homem e do matrimónio, não há santidade. Não podemos querer ser santos só a partir dos nossos esforços, mas apenas e só com Deus”, alertou.

O conferencista completou então que “é da santidade de Cristo que decorre a santidade da Igreja”. “Somos santos porque Ele é santo e porque nos concede esse dom e não porque somos melhores que os outros”, afirmou, considerando que “santo é alguém com limitadas, porém, irrepetíveis características, qualidades e circunstâncias pessoais, dentro da vocação e da graça que Deus lhe deu, segundo a medida da doação de Cristo”. “Não é preciso sermos como A, B ou C. É sermos o que somos e deixar que Cristo trabalhe no que sou para que possa ser totalmente santo”, completou.

Por isso, acrescentou que “todos os fiéis devem ser santos com o que são e a viver na Igreja”. “Também não se pode ser santo estando fora da Igreja e só se é santo com o que somos e não com o que gostaríamos de ser. É-se santo na realidade, não no virtual”, complementou.

Citando o padre Henri Cafarel, fundador das ENS, defendeu então que cada membro do casal “deve tornar-se «prisioneiro» de Cristo”. “Deste amor a Cristo nasce o amor pelo cônjuge”, referiu, considerando que “Cristo torna-se via de santificação e de amor”.

O padre Flávio Martins alertou que, “no casal, cada um faz a sua caminhada pessoal também, ao seu ritmo e ao seu tempo”, “mas isso não implica que não faça a caminhada comunitária matrimonial” e desafiou os cônjuges a “aprender a caminhar juntos”. “Todos os dias é preciso aprender a caminhar com o outro. O segredo é o amor”, afirmou, exortando-os a redescobrir a “alegria do amor”.

Lembrando que “a santidade gera a vida”, interrogou: “como a temos gerado? Se a santidade gera a vida, será que o nosso matrimónio tem dado vida a outros, tem sido testemunho dessa vida?”.

A terminar, afirmou que “a vida do casal está em Deus e não na posse de um pelo outro”. “Nenhum deve possuir o outro mas deve entregar-se ao outro”, concretizou, lembrando que “a família é a primeira escola de vida cristã, a escola do mais rico humanismo”. Neste sentido exortou a fazer da casa “um santuário onde se respira Deus e onde se respira vida”. “No santuário da casa e na nossa família deve-se respirar este amor que não pergunta, que não questiona, que não condena, que não julga e que, simplesmente, ama”, afirmou.

Como conclusão enumerou alguns “meios”, já conhecidos dos casais das ENS, para chegarem à santidade. “Participar juntos na eucaristia, rezar em família, crescer no perdão e na comunhão, viver a mística da partilha e dos pontos concretos de esforços, oração pessoal e conjugal, Lectio Divina, regra de vida, dever de sentar e retiro”, foram os conselhos apontados com mais três atitudes que disse serem necessárias: “procura da vontade de Deus, a verdade de nós mesmos e espaço de encontro e de comunhão”.

Conferência do Pe. Flávio Martins:

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