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Foto © Samuel Mendonça
Foto © Samuel Mendonça

O padre Frederico Lemos afirmou no passado sábado que “a justiça pode ser aperfeiçoada pela misericórdia”.

O sacerdote da Companhia de Jesus (jesuíta) falava na Jornada Teológico-pastoral da Diocese do Algarve, que decorreu no Centro Pastoral e Social de Ferragudo sob o tema “A Misericórdia Divina, fonte de vida”, com a participação de cerca de 250 pessoas.

Na conferência (áudio disponível abaixo), sob o tema “Jesus, o rosto da misericórdia de Deus”, que apresentou para evidenciar a dimensão bíblica da jornada, o orador lembrou que “Deus não impõe a justiça em detrimento do amor e, às vezes, por causa do amor, supera a justiça”. “Pergunto se o nosso sistema judicial, em que quando uma pessoa vai para a prisão para se fazer justiça, poderá ser restabelecida como pessoa através dessa punição ou dessa reparação?”, interrogou, acrescentando que “a misericórdia ultrapassa a justiça para que a pessoa que fez o mal ou que sofre possa ser restabelecida”.

No entanto, o sacerdote, que apresentou uma leitura da Sagrada Escritura a partir da “chave” da misericórdia de Deus, disse que essa misericórdia, esse “cuidar de Deus”, “não é moleza”. “Deus exige sempre que procuremos ser justos e a justiça nunca passa de moda”, afirmou, acrescentando que “falar muito de misericórdia, às vezes, faz correr o risco de cair num tipo de espiritualidade que é suave, livre de compromissos e da justiça que é devida também”. “Não nos podemos esquecer que Deus é juiz e não tolera a injustiça. A misericórdia volta-se para aqueles sofrem, mas pode também revoltar-se contra aqueles que fazem sofrer”, alertou, acrescentando que “a misericórdia não é só para o povo de Deus” mas “é também aberta aos pagãos”.

O conferencista disse que “a misericórdia tem o traço muito forte e fundamental que é ser graça”, explicando que “nunca é merecida” e que “é sempre gratuita”. “Sejamos justos (ou injustos) ainda por isso não é que mereçamos a misericórdia de Deus. Deus é livre, é fiel a si próprio e nós não podemos atrair ou provocar a sua misericórdia”, afirmou, referindo-se ao objetivo do presente Ano Santo da Misericórdia: “um ano de graça em que procuramos e aceitamos a graça para nos restabelecermos na justiça com a misericórdia de Deus”.

Foto © Samuel Mendonça
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O sacerdote, que evocou a aliança de Deus com o seu povo, renovada ao longo da história da Salvação, lembrou que a relação entre Deus e a humanidade começou estreitar-se e a misericórdia e o amor começaram a “reforçar os laços”.

O padre Frederico Lemos disse que Jesus é a “imagem fiel” da misericórdia de Deus. “Ao enviar o seu filho, Deus faz-se presente entre nós e este é o maior gesto da misericórdia de Deus: a encarnação. Deus põe-se todo aqui no meio de nós. Jesus é a misericórdia feita homem. No Novo Testamento vamos ver a misericórdia na pessoa de Jesus em ação”, afirmou, explicando que “Jesus é o rosto da misericórdia de Deus porque põe a misericórdia em prática” e que “as palavras de Jesus também falam da misericórdia”.

A terminar, o conferencista explicou que “a misericórdia também vem pelo perdão dos pecados”. “E nós, por muito que nos custe, também podemos ser misericordiosos perdoando aqueles que nos ofendem”, sustentou.

“Ao darmos a nossa vida para que os outros possam ser levantados da sua miséria, estamos a fazê-lo em memória de Jesus. Se ser cristão é seguir Jesus, também nós devemos ser rostos da misericórdia do Pai. O grande desafio deste ano jubilar é que nós também, como Jesus Cristo, sejamos o rosto da misericórdia do Pai”, concluiu.

Conferência do padre Frederico Lemos:

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