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Padre Manuel Coelho celebra 50 anos de sacerdócio ao serviço do Algarve

Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

O padre Manuel de Almeida Coelho, de 78 anos, pároco de Alcantarilha e de Pêra, que no próximo dia 27 deste mês celebra 50 anos de ordenação sacerdotal, faz parte de uma leva de padres que na década de 1960 veio de vários pontos do norte do país para a Diocese do Algarve.

O sacerdote foi ordenado no dia 27 de julho de 1969 na Sé de Faro pelo então bispo do Algarve, D. Júlio Tavares Rebimbas, com mais quatro padres, três deles de fora da diocese. Dos cinco, para além do padre Manuel Coelho, resta o padre Fernando Pedro, pároco de Salir. Os restantes, um deixou de exercer o ministério – o padre Jeremias da Silva Baptista – e dois já faleceram – o cónego Firmino Dinis Ferro e o padre Hermínio das Neves Fernandes.

Natural de Macieira de Cambra, concelho de Vale de Cambra, que na altura pertencia à Diocese do Porto (hoje Diocese de Aveiro), o padre Manuel Coelho explica em entrevista ao Folha do Domingo que nasceu a 22 de agosto de 1940 numa família que “todos os dias” rezava o terço em casa. Com mais duas irmãs, uma mais velha e outra mais nova, foi o facto de ter de decidir se faria o então exame de admissão para continuar a estudar que acabou por levar a equacionar entrar para o Seminário. “Foi influência dos meus pais, da minha catequista e da professora primária. Os meus pais viviam no campo e eu ajudava-os nas horas vagas e nunca pensava um dia ser padre, mas no fundo estava cá a sementezinha que me foi dada por eles”, assegura.

Frequentou então o primeiro ano de Teologia no Seminário do Porto, mas interrompeu durante quase dois anos. Nesse período de dúvida vocacional, chegou a falar com um bispo de Moçambique para ver da possibilidade de prosseguir a formação naquele país, mas foi o seu pároco – que tinha sido colega de D. Júlio Rebimbas, nomeado bispo do Algarve em 1965 – que o convenceu a ir falar com o prelado porque a diocese algarvia “precisava de muitos padres”. “Eu fui e ele mandou uma cartinha a dizer: «a partir de agora considera-te seminarista do Algarve e aguarda as minhas ordens». Uma semana depois disse-me: «quando puderes, vem para o Seminário»”, recorda.

Esteve um ano no Seminário de São José, em Faro, como prefeito, a “ajudar nos estudos” e, no final desse ano, foi para Lisboa prosseguir o estudo de Teologia no Seminário dos Olivais. Depois de ordenado, a 8 de setembro de 1969, foi nomeado coadjutor da paróquia de São Bartolomeu de Messines por D. Júlio Rebimbas. “Os jovens ligaram-se a mim e tinha lá um grupo de jovens extraordinário”, lembra, recordando a via sacra ao vivo, as festas dos santos populares e os arraiais que promoveram, não obstante não ter estado na paróquia mais de um ano.

Naquela freguesia foi ainda professor da telescola, de várias disciplinas, incluindo português e matemática.

Quando se preparava para regressar ao Seminário, foi chamado a substituir o padre Elísio Dias na paróquia Quarteira durante “dois ou três meses”, após o que o bispo lhes propôs que formassem uma equipa, incluindo o padre José Nobre Duarte, então pároco de Loulé. “Eu era coadjutor dos dois”, clarifica, lembrando ter trabalhado 10 anos em Loulé. “Eu aprendi a ser padre com o padre Nobre”, considera, acrescentando que “foram 10 anos muito bons”. “Ainda hoje vou a Loulé e tenho muitos amigos”, observa, salientando ter sido nesse tempo que começou a participar na Festa da Mãe Soberana.

Em Loulé, também foi professor de Estudos Sociais e de Religião e Moral.

Entretanto, o padre Jeremias Baptista, que tinha sido ordenado consigo, deixou a paróquia de Ferragudo, e foi substituí-lo por nomeação do então bispo do Algarve, D. Ernesto Gonçalves Costa, de 9 de novembro de 1979. “Passados dois domingos o senhor padre de Estômbar foi embora e eu comecei a ir lá celebrar missa”, recorda, acrescentando que o bispo lhe pediu para continuar.

Entretanto, tinha concorrido para fazer estágio, o que realizou no Liceu de Lagos durante dois anos. Esteve 10 anos nas paróquias de Ferragudo e de Estômbar. Na primeira lembra ter construído a residência paroquial e realizado as obras de recuperação da igreja, particularmente da cobertura que tinha estrutura em madeira. O agrupamento do Corpo Nacional de Escutas já existia, mas do ramo terrestre passaram para o marítimo.

Em Estômbar também não fundou o agrupamento escutista, mas garante que os escuteiros “nasceram” no seu tempo. “Já estavam em formação e depois foram ativados”, sustenta. Naquela paróquia diz ter sido responsável pela compra do terreno para a igreja da Mexilhoeira da Carregação e pela construção da igreja do Parchal.

Deixou depois o ensino, por não conseguir conciliar com o exercício do ministério e no dia 15 de agosto de 1989 foi então nomeado, pelo então bispo do Algarve, D. Manuel Madureira Dias, pároco “solidariamente” das paróquias de Monchique, Alferce, Marmelete, Aljezur, Bordeira e Odeceixe, sendo que nestas três últimas já era prior o padre José Nunes. Aquando da nomeação deste sacerdote para a paróquia de Lagoa, foi nomeado um novo pároco para as paróquias do concelho de Aljezur e o padre Manuel Coelho ficou só com as do concelho de Monchique.

Ali serviu durante 15 anos. “Gostava muito. As pessoas são diferentes no aspeto da prática religiosa, no aspeto humano. Convidavam-me para uma morte de porco, para um petisco, para a destilação de medronho e eu sentia-me bem com eles”, conta, lembrando que enquanto ali esteve construiu uma igreja nova na Ribeira Grande e recuperou a igreja de Marmelete e a casa mortuária.

Em 2003, D. Manuel Madureira Dias pediu-lhe para assumir as paróquias de Alcantarilha e Pêra, tendo sido nomeado a 17 de julho. Em Pêra promoveu a recuperação da igreja de São Francisco e da igreja matriz, esta última de alvo de uma intervenção de fundo. Construiu também o Centro Pastoral com residência paroquial, cartório paroquial e sala do pároco, sala de palco para espetáculos e atividades lúdicas, salas de catequese, de catequistas, sala polivalente para refeições e convívio com cozinha que garante o serviço de apoio domiciliário. Implementou ainda a recriação da paixão de Cristo ao vivo, realizada a cada dois anos, e, durante 10 anos, foi ainda provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcantarilha e, em 2016, a Câmara Municipal de Silves atribuiu-lhe um voto de louvor.

O padre Manuel Coelho recorda com muita satisfação o trabalho realizado no Movimento dos Cursos de Cristandade, com o qual colaborou desde que foi para São Bartolomeu de Messines. “Ia a todos os cursos com o D. António Carrilho, com o padre Joaquim Beato e com o padre João Sustelo”, testemunha, lembrando ter feito parte da equipa diocesana daquele movimento. “Tinha em Loulé uma grande equipa de cursistas. Em Estômbar também levei muita gente ao curso e de Ferragudo também bastante”, acrescenta, lembrando que antes de se começarem a realizar naquelas paróquias, as ultreias decorriam em Portimão. “Os Cursos de Cristandade é que deram vida à Igreja no Algarve”, remata.

Ordenado no rescaldo do Concílio Vaticano II, o aniversariante, que também foi vigário da vigararia de Loulé, reconhece que aquele acontecimento foi determinante na mudança da Igreja, mas defende que, ainda assim, em Portugal não alcançou toda a sua potencialidade. “O Concílio mudou muito, mas como o 25 de Abril abafou, a mudança foi pequena. Por aquilo que vejo, as coisas não estão melhor do que estavam. Houve mudança, mas se calhar foi só no aspeto litúrgico”, defende, não obstante considerar que este meio século teve coisas positivas no “aspeto pessoal”.

Para assinalar os seus 50 anos de ordenação sacerdotal será celebrada uma eucaristia de ação de graças no próximo dia 27 de julho, pelas 11h, na igreja matriz de Alcantarilha. No dia 4 de agosto, o sacerdote celebrará também o aniversário na sua terra natal.

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