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O assistente do Setor da Pastoral Juvenil da Diocese do Algarve defendeu no passado sábado o princípio da “corresponsabilidade projetual” no trabalho com os jovens na Igreja.

“Os jovens são voz a escutar e um recurso a envolver na nossa prática pastoral e depois, como consequência disso também, são mão-de-obra porque fazem parte de uma Igreja em que todos somos chamados a trabalhar”, afirmou o padre Nelson Rodrigues, lamentando que, por vezes, os jovens sejam apenas chamados à “corresponsabilidade executiva” para participarem numa “solução já encontrada por outros”. “Queremos jovens envolvidos na discussão sobre os caminhos e não jovens que sejam informados apenas do caminho que devem fazer”, afirmou o sacerdote.

A Igreja Católica do Algarve reuniu-se na igreja de São Pedro do Mar, em Quarteira, para apresentar o Triénio Pastoral 2021/2024 e o programa deste ano 2021/2022 sob o tema “Renovar pela transformação do Espírito (Ef 4,23)”.

O sacerdote, que participou numa mesa redonda sobre o tema “Os jovens e a sinodalidade na renovação da Igreja”, falou ainda sobre o Sínodo dos Bispos sobre os jovens de 2018. O assistente do Setor Diocesano da Pastoral Juvenil defendeu que a iniciativa “não teve uma receção fácil no âmbito eclesial” e disse que “os jovens lançaram um grande desafio à Igreja”: o da “revisão da forma como a Igreja está a ser Igreja”. “Os jovens pediram que a Igreja se tornasse cada vez mais fraterna e familiar”, concretizou.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Os jovens desafiam-nos a nível local a reconhecer que a experiência da comunidade continua a ser essencial para eles. Se por um lado eles têm «alergia» às instituições, por outro estão à procura de relacionamentos significativos em comunidades autênticas e de contactos pessoais com testemunhos radiantes e coerentes”, acrescentou, garantindo que “pesquisas atuais revelam que no mundo juvenil, apesar de haver uma diminuição da religiosidade institucional, há um crescente aumento da procura espiritual também por parte dos jovens” e que “tudo isto ficou comprovado com a participação dos jovens nos trabalhos do Sínodo”.

O padre Nelson Rodrigues referiu-se ainda à Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2023 em Lisboa para alertar para um “correto posicionamento” da Diocese do Algarve face à sua celebração. Segundo o sacerdote a participação algarvia no encontro mundial da juventude católica com o Papa “deve assentar em três alicerces: acolhimento, comunhão e missão”.

O orador defendeu ainda que “a preparação para as Jornadas Mundiais da Juventude seja uma tarefa diocesana e não apenas dos grupos de jovens e dos seus animadores”, adiantou, a título de exemplo, várias propostas que cada setor pode implementar com vista a contribuir para a celebração o evento e deixou desafios para que a sua preparação aconteça em cada comunidade.

“Se noutros encontros mundiais, o Setor Diocesano da Pastoral Juvenil assumia grande parte da preparação do grupo inscrito para as jornadas, desta vez esta preparação tem de ser uma missão de cada comunidade local”, afirmou, explicando que o organismo diocesano, em articulação com o Comité Organizador Diocesano (COD) “irá sempre oferecer vários instrumentos de congregação diocesana (como os encontros mensais a cada dia 23), mas deve haver um trabalho prévio às inscrições em cada paróquia e mesmo depois das inscrições”.

O sacerdote pediu a criação em todas as paróquias de um “Oratório JMJ”, um “espaço de oração por esta intenção para jovens e adultos” e que cada paróquia tenha um delegado responsável por fazer a comunicação entre a paróquia e o COD.

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