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Padre Spadaro disse ao clero do sul que as viagens do papa às “periferias” têm objetivo “terapêutico”

Foto © Samuel Mendonça

O padre Antonio Spadaro disse ontem aos bispos, padres e diáconos das dioceses do sul que as viagens do papa têm um objetivo “terapêutico” de “curar feridas que sangram” provocadas por conflitos políticos, religiosos ou sociais.

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O sacerdote jesuíta, diretor de La Civiltà Cattolica e consultor do Conselho Pontifício para a Cultura, que tem acompanhado as viagens de Francisco, falava na conferência inaugural da atualização do clero das dioceses do Algarve, Beja, Évora e Setúbal, que teve início no Hotel Júpiter, em Portimão, e que se prolongará até à próxima quinta-feira.

Lembrando as visitas papais já realizadas, o padre Spadaro, que abordou o tema “As periferias geográficas e a misericórdia”, aludiu ao “gesto de cura” do papa argentino ao tocar o muro que separa Israel da Palestina ou o Muro da Morte, em Auschwitz. “São gestos de valor terapêutico”, considerou.

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Referindo-se ao “valor político da misericórdia” e considerando que “o poder da misericórdia, no meio geopolítico, é mudar o significado dos processos históricos”, o orador assegurou que é a misericórdia que impulsiona a decisão geopolítica das visitas do papa. “O que significa a misericórdia como categoria política? Significa que não se pode considerar nada nem ninguém como definitivamente perdido. A misericórdia orienta novamente as águas do curso da história. Este é o motivo pelo qual o papa decide abrir as portas santas durante o Ano Santo da Misericórdia”, acrescentou.

Como exemplo desta influência da misericórdia na história, o padre Spadaro lembrou que “o papa evitou que houvesse uma guerra entre os EUA e a Síria em 2013” e “contribuiu para o levantamento do embargo ao Irão por causa da questão nuclear”. “Este ano, pela primeira vez, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, num discurso oficial, abordou a relação com o Vaticano, dedicando-lhe um parágrafo”, acrescentou ainda.

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O orador afirmou ainda que “o papa sabe que, na questão geopolítica, não se trata de saber quem está errado e quem tem razão”. “Não vê o mundo dividido em bons e maus, mas um mundo feito de interesses e quer falar com todos. O papa usa a sua autoridade moral para falar com todos sem qualquer barreira”, contou, explicando que Francisco procura “entrar na dinâmica conflitual para fazer emergir a misericórdia”.

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O padre Spadaro considerou ainda que “o papa não é pacifista”. “O papa sabe perfeitamente que o confronto, a luta e as tenções fazem parte da vida humana. E preocupa-se quando não há conflito. O papa não tem medo do conflito porque sabe que a vida é feita de conflito. A sua luta é pela paz, mas sabe perfeitamente que a guerra tem sempre uma razão económica. Não quer a paz pela paz, mas que se resolvam os problemas, os conflitos”, sustentou.

O conferencista disse ainda que Francisco também escolhe “lugares periféricos” de visita na Europa porque “é a partir da periferia que se vê tudo está bem”. “O papa quer perceber como está a Europa a partir da periferia. Não vai aos centros do poder, nem aos centros económicos”, constatou, acrescentando que Francisco “considera a Europa, não como uma coisa feita ou um espaço a defender, mas como um processo, um tempo”.

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A atualização do clero das dioceses do sul conta com cerca de 120 participantes, incluindo, para além dos bispos das quatro dioceses, o bispo emérito da Diocese de Singüenza-Guadalajara (Espanha), D. José Sánchez González, que também está a participar.

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