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Padre Vasco Pinto Magalhães veio ao Algarve explicar como “envelhecer com graça”

Foto © Samuel Mendonça

“Envelhecer com graça é acolher a graça de ser quem somos”. Foi esta a certeza deixada pelo padre Vasco Pinto Magalhães no encontro do passado sábado em Portimão, intitulado precisamente “Envelhecer com graça”.

Na iniciativa, promovida pela paróquia de Nossa Senhora do Amparo, o sacerdote jesuíta defendeu que os três “pilares” para viver bem toda a vida, particularmente a “idade da sabedoria” após a idade adulta, são “a segurança, o sentido e o lugar”.

“O que é que, verdadeiramente, nos dá segurança? É a certeza de sermos amados. A última fonte da segurança é a certeza profunda de que Deus me ama. Deus ama completamente a realidade de cada um de nós e não aquilo que a gente gostava de ser”, acrescentou, considerando que “sentir-se amado, estar convencido de que se é amado, em termos de vida cristã, chama-se fé”. “A fé cristã é a convicção de que sou amado infinitamente por Deus. Foi isso que Jesus que veio garantir”, sustentou no encontro que teve lugar no Centro Paroquial de Nossa Senhora do Amparo com cerca de 30 participantes.

O formador referiu-se depois ao sentido. “A virtude da esperança é a convicção de que a minha vida faz sentido e tem sentido”, afirmou, explicando que a esperança é a “força interior” que leva a “dar o passo seguinte”.

“No amor de Deus, eu tenho um lugar único. No coração de Deus todos têm lugar”, considerou relativamente à última das três dimensões que disse constituírem a “base da vida”. “A base da vida é a convicção de ser amado, a convicção de que a minha vida tem sentido e a convicção de que tenho um lugar no coração de Deus”, enumerou.

Foto © Samuel Mendonça

O sacerdote começou o encontro por se referir à “verdadeira alegria” com “humor” e exortar a uma visão pessoal que não seja “triste” e “depressiva”. “Que o amadurecimento não seja uma crise negativa, mas uma crise construtiva”, apelou, advertindo para as “más saídas” dessa mudança de idade. “Um grande exercício para esta graça é decidir-se a amar o seu lado mal-amado. Conhecer e amar o nosso lado mal-amado é o que me vai dar de novo a segurança, o sentido e o lugar”, completou, lembrando que “as forças psicológicas e físicas certamente que abrandaram, mas há atividades que não exigem esse ímpeto”.

Neste sentido, apresentou a vida em oito etapas (segundo o esquema do psicoterapeuta Erik Erikson) para se centrar nas últimas etapas da maturidade e da velhice, sublinhando ser fundamental ir “vivendo bem cada fase e integrando as fases anteriores”. O padre Vaz Pinto Magalhães desafiou os presentes ao exercício de se reencontrarem consigo mesmos, numa atitude de “tirar proveito de uma forma positiva” de toda a sua realidade. “Não se integra o negativo como negativo. Só se integra o negativo enquanto ele pode produzir positivo”, afirmou, exortando à aceitação, o “primeiro grau do amor”, que disse ser “a capacidade de tirar bem daquilo que existe, ainda que possa parecer mal, limitado e negativo”.

O orador desafiou ainda à perfeição como Deus concebeu. “Trata-se de pôr a render a minha realidade para a comunicar aos outros. A perfeição para Deus é a do amor. Não é a quantidade das coisas que faço ou não faço e sei ou não sei. Se me virar para fora, dou o que tenho e sou. E isso é a perfeição”, referiu, alertando que “um dos maiores erros da vida são as comparações”, “com o outro ou com um ideal”.

Foto © Samuel Mendonça

O padre Pinto Magalhães lembrou ainda que para os cristãos “a morte é uma mudança de estado”. “O cristão entende a morte, não como um fim, mas como o «nascimento» de uma «semente» que foi amadurecendo e chegou a hora de «dar frutos»”, acrescentou, lembrando que a morte começa assim que se nasce.

Em declarações ao Folha do Domingo, o sacerdote lamentou que na cultura ocidental se tenha desvalorizado a idade madura com “o ativismo e a tecnocracia que valoriza sobretudo a prática, a eficácia e a utilidade e não tanto a experiência de vida e a sabedoria”. “O ocidente perdeu esse sentido quando entrou nesta forma rica onde a produção e o consumo são os valores. Há mais vida para além da produção e do consumo”, acrescentou.

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