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“Pais em Rede” ocupa tardes de sábado de crianças portadoras de deficiência em Faro

Associacao_pais_em_redeA associação “Pais em rede” criou, em Faro, um projeto dirigido aos pais de crianças com deficiência, que permite libertá-los ao fim de semana da rotina exigente de cuidadores.

O projeto “Pais, a nossa hora” arrancou em outubro deste ano, em Faro, e está a funcionar gratuitamente aos sábados à tarde, durante quatro horas em que as crianças ficam ao cuidado de voluntários, profissionais e estudantes da Escola Superior de Saúde, da Universidade do Algarve, contou Teresa Oliveira, uma das coordenadoras do projeto.

Durante o período em que estão na sede do núcleo de Faro daquela associação sem fins lucrativos, as cerca de 20 crianças e jovens participantes têm atividades como pintura, recortes, jogos, música, contos de histórias e musicoterapia adequados às suas necessidades e interesses.

“Nos primeiros dias os pais podem estar presentes até as crianças se habituarem a ficar connosco, depois têm o sábado à tarde livre para fazerem o que entenderem, nem que seja só para descansarem um pouco e terem uns momentos só para si, o que é muito difícil quando estão com as crianças”, disse aquela responsável.

Este espaço de atividades está a receber crianças e jovens com problemas desde as síndromes de Asperger, de Angelman, Rubinstein Taybi, paralisia cerebral, Trissomia 21, autismo, entre outros, e foi pensado para permitir que os pais possam ter tempo para si aos fins de semana, altura em que as instituições estão fechadas.

Mariana, de quatro anos, é uma das meninas que está a frequentar as atividades do projeto, apesar de ainda estar em fase de adaptação aos voluntários. A mãe, Mónica Afonso, de 33 anos -cuidadora a tempo inteiro -, acredita que dentro de algum tempo já poderá ter umas horas livres.

“Para os outros pais tenho visto muita melhoria, porque aos sábados podem ter um pouco sozinhos e usufruir do tempo a dois, o que é difícil com estas crianças”, explicou.

Apesar do objetivo do “Pais, a nossa hora” não ser a troca de experiências entre pais, o encontro ao início das atividades ou no final da tarde, que termina com um lanche, acaba por proporcionar esse entrosamento.

Para essa troca de experiências e para o ganhar de novas técnicas para conseguir o melhor desenvolvimento para os filhos, a “Pais em rede” criou o projeto “Do conhecimento à ação” e está a desenvolver novos projetos que deem ferramentas aos pais e cuidadores.

“Sonhei muito tempo com este projeto e quanto mais pensava, mais longe via a hipótese de o iniciar, mas conseguimos vencer, já tem rosto e não vamos desistir”, frisou Teresa Oliveira.

Esta responsável, que é mãe de uma jovem de 26 anos com deficiência mental e com parte da motricidade fina comprometida, recordou que o projeto foi conseguido com muito empenho, tendo recolhido material usado de filhos de colegas e amigos e com a angariação de fundos em eventos, porque na “Pais em Rede” não existe a obrigatoriedade de quotas.

“Não temos apoio financeiro, nem do próprio movimento, mas estamos a tentar que o núcleo nacional faça os seguros dos voluntários e o seguro de responsabilidade civil, para protegermos as crianças que estão naquele espaço”, explicou Teresa Oliveira.

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