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"Há muita informação retida por diferentes forças policiais que não está numa base de dados única disponível para pesquisa", vincou hoje Gerry McCann, numa conferência de imprensa em Londres.

O cardiologista lamenta que não tenha sido feita "uma revisão sistemática de toda a informação e pistas, algo que se faz automaticamente no Reino Unido".

"Desde que o caso foi arquivado, o que é que foi feito? Praticamente nada. E isto no caso mais mediático de sempre de uma criança desaparecida na Europa! Deus sabe o que acontecerá a outras famílias nesta situação", exclamou.

Gerry McCann exortou as autoridades portuguesas e inglesas a trabalharem em conjunto.

O apelo foi feito um dia depois de um tribunal em Lisboa manter a suspensão da venda do livro "A Verdade da Mentira", do ex-inspector da Polícia Judiciária Gonçalo Amaral, que sugere que os pais de Madeleine teriam estado envolvidos no desaparecimento.

Madeleine McCann desapareceu a 03 de maio de 2007, poucos dias antes de completar quatro anos, de um apartamento na Praia da Luz, no Algarve, onde passava féroas com a família.

Desde então os pais mantêm uma campanha de procura pela filha, enquanto a investigação em Portugal foi encerrada por falta de provas.

De acordo com o pai, "a tese de Amaral foi muito seguida durante o verão de 2007" e só quando chegou o sucessor, Paulo Rebelo, para liderar a investigação é que "foi feito muito bom trabalho".

Gerry McCann vincou que o objetivo de uma revisão do caso "não é identificar críticas e erros – toda a gente sabe que foram cometidos erros – mas identificar novas pistas ou áreas para investigação que não foram seguidas ou que foram seguidas e tiveram uma conclusão inadequada".

Kate e Gerry McCann acrescentaram que não fazem questão de que processo seja reaberto, mas querem que "nova informação e pistas sejam seguidas convenientemente e não colocadas num armário e arquivadas".

"O mais importante", defendeu Kate McCann "é que a busca continue".

Quanto ao resultado do processo contra a venda do livro Gonçalo Amaral, que vai enfrentar ainda outro por difamação, Gerry McCann admitiu que um dos motivos foi atrair atenção de muitos portugueses que foram convencidos de que Madeleine está morta.

Pela análise do processo, revelou, a maior parte da informação recolhida pela polícia portuguesa foi dada por estrangeiros residentes no Algarve.

"Sentimos que ainda temos de tentar chegar a eles como uma potencial fonte de informação pouco explorada", justificou.

Lusa

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