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Bento XVI pronunciou-se esta Segunda-feira sobre os projectos que legalizam casamento entre pessoas do mesmo sexo, considerando que, "em nome da luta contra a discriminação", os mesmos "atentam contra o fundamento biológico da diferença entre os sexos”.

Sem citar nenhum caso específico, o Papa lembrou que o mesmo se verificou “em países europeus ou do continente americano”. Num encontro com o corpo diplomático acredito no Vaticano, afirmou que “o caminho a seguir não pode ser fixado pelo que é arbitrário ou apetecível, mas deve, antes, consistir na correspondência à estrutura querida pelo Criador”.

“As criaturas são diferentes umas das outras e podem ser protegidas ou, pelo contrário, colocadas em perigo de diversas maneiras, como no-lo demonstra a experiência diária”, advertiu Bento XVI, frisando que “a liberdade não pode ser absoluta”.

"A natureza exprime um desígnio de amor e de verdade que nos precede e que vem de Deus”, disse o Papa no seu discurso.

Na passada Sexta-feira, o Parlamento português aprovou o projecto de lei do governo que abre a porta ao casamento entre pessoas do mesmo sexo no nosso país, uma medida apresentada pelo primeiro-ministro José Sócrates como um “marco na história da luta contra a discriminação”.

Bento XVI manifestou ainda a sua tristeza por considerar que “em certos países, sobretudo ocidentais", se difundiu "nos meios políticos e culturais, bem como nos mass media, um sentimento de pouca consideração e por vezes de hostilidade, para não dizer menosprezo, para com a religião, particularmente a religião cristã”.

“É claro que, se se considera o relativismo como um elemento constitutivo essencial da democracia, corre-se o risco de conceber a laicidade apenas em termos de exclusão ou, mais exactamente, de recusa da importância social do facto religioso”, atirou, considerando esta atitude como “uma estrada sem saída”.

Por isso, afirmou o Papa, “é urgente definir uma laicidade positiva, aberta, que, fundada sobre uma justa autonomia da ordem temporal e da ordem espiritual, favoreça uma sã cooperação e um espírito de responsabilidade compartilhada”.

Notando “com satisfação” que o Tratado prevê que a União Europeia mantenha com as Igrejas um diálogo «aberto, transparente e regular» (art. 17), Bento XVI fez votos de que “a Europa, na construção do seu futuro, saiba sempre beber nas fontes da sua própria identidade cristã”, a qual, observou, tem “um papel insubstituível” na promoção de “um consenso ético de base”.

O Papa, que apresentara uma reflexão sobre a actual crise ecológica, deixou ainda aos presentes uma questão: “Se se quer construir uma paz verdadeira, como se poderia separar ou mesmo contrapor a protecção do ambiente e a da vida humana, incluindo a vida antes de nascer?”.

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