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Ao receber no Vaticano os membros das Academias Pontifícias, o Papa defendeu que, neste contexto, é necessário propor “os valores e a verdade, razões fortes de vida e de esperança”.

“A cultura dos nossos dias ressente-se fortemente, seja de uma visão dominada pelo relativismo e o subjectivismo, seja dos métodos e abordagens muitas vezes superficiais e mesmo banais, que prejudicam a seriedade da investigação e da reflexão bem como, por consequência, também do diálogo, do confronto e da comunicação interpessoal”.

Para Bento XVI, é essencial “recriar as condições essenciais para uma real capacidade de aprofundamento no estudo e na investigação, para que se dialogue com razoabilidade e se confrontem eficazmente as diversas problemáticas”.

O Papa lamentou a “falta de pontos de referência”, considerando que essa situação penaliza particularmente “a convivência civil e, sobretudo, a formação das novas gerações”.

A Igreja, acrescentou, é constantemente solicitada pelos “vários âmbitos em que emergem novas problemáticas”. Nesse sentido, Bento XVI deixou votos de que seja possível criar “ocasiões, linguagens e meios adequados para dialogar com as culturas contemporâneas”.

Prémio

O prémio que as Academias Pontifícias atribuem anualmente a jovens estudantes, artistas ou instituições que se tenham destacado na promoção do humanismo cristão foi entregue esta Quinta-feira por Bento XVI.

A distinção, que inclui uma dotação de 20 mil euros, foi concedida ao teólogo John Mortensen. Este leigo norte-americano, casado e pai de quatro filhos, escreveu uma tese de doutoramento na Universidade Pontifícia da Santa Cruz, em Roma, baseada na analogia de São Tomás de Aquino.

Durante a conferência de imprensa destinada a apresentar a cerimónia, o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, D. Gianfranco Ravasi, recordou que a investigação das Academias Pontifícias se centra nos âmbitos da teologia, da cultura e da recuperação das raízes cristãs, sobretudo na época do Império Romano.

A entrega do prémio fez parte do programa da audiência que Bento XVI concedeu às Academias Pontifícias. Cerca de 350 investigadores participaram num colóquio, que contará pela primeira vez com a participação do Papa, para relançar o projecto de um humanismo cristão no terceiro milénio. Este objectivo é uma das prioridades do Conselho Pontifício da Cultura.

Sessão pública

Na Quarta-feira, decorreu a 14.ª sessão pública das Academias Pontifícias. O evento, organizado alternadamente por aquelas instituições, é dedicado a um assunto da actualidade – em 2010 foi escolhido o Ano Sacerdotal.

O encontro, que reflectiu sobre "A formação teológica do presbítero", contou com o envolvimento da Academia de São Tomás de Aquino, Academia de Teologia, Academia da Imaculada, Academia Mariana Internacional, Academia das Belas Artes e Letras dos Virtuosos do Panteão, Academia Romana de Arqueologia e Academia Cultorum Martyrum.

Os trabalhos foram abertos por D. Gianfranco Ravasi. Seguiram-se as conferências dos teólogos Charles Morerod e Manlio Sodi.

A ligação entre as Academias Pontifícias é assegurada por um conselho de coordenação, criado em 1995 por João Paulo II. Este organismo pretende valorizar a actividade daquelas antigas instituições, colocando-as em rede entre si e com o exterior, a fim de serem um estímulo ao pensamento contemporâneo e referência para a sociedade.

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