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A 9 de Fevereiro de 2008, assinalando o 20.º aniversário da publicação da carta apostólica “Mulieris Dignitatem”, de João Paulo II, o actual Papa condenava “uma mentalidade machista que ignora a novidade do cristianismo, o qual reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher em relação ao homem”.

“Existem lugares e culturas em que a mulher é discriminada ou subestimada unicamente pelo facto de ser mulher, onde se faz recurso até a argumentos religiosos e a pressões familiares, sociais e culturais para sustentar a desigualdade dos sexos, onde se perpetram actos de violência contra a mulher, tornando-a objecto de atrocidades e de exploração na publicidade e na indústria do consumo e da diversão”, alertou.

Neste contexto, o Papa considerou urgente que os cristãos promovam uma cultura que reconheça à mulher, “no direito e na realidade dos factos, a dignidade que lhe compete”.

Em Angola, a 22 de Março de 2009, o Papa falou aos movimentos católicos para a promoção da mulher, alertando para “as condições desfavoráveis a que estiveram – e continuam a estar – sujeitas muitas mulheres, examinando em que medida a conduta e as atitudes dos homens, às vezes sem sensibilidade ou responsabilidade, possam ser a causa daquelas”.

Bento XVI lembrava que “a história regista quase exclusivamente as conquistas dos homens, quando, na realidade, uma parte importantíssima da mesma se fica a dever a acções determinantes, perseverantes e benéficas realizadas por mulheres”.

Em Janeiro deste ano, Bento XVI como subsecretária do Conselho Pontifício Justiça e Paz (CPJP) Flaminia Giovanelli, que integra a equipa deste Conselho há mais de 35 anos. Os responsáveis do CPJP destacam que “a nomeação de Giovanelli confirma a grande confiança que a Igreja e o Papa Bento XVI depositam nas mulheres”.

Antes dela, a leiga Rosemary Goldie desempenhou um cargo semelhante no Conselho Pontifício para os Leigos e a Ir. Enriaa Rosanna é a actual subsecretária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Feminismo(s)

Em Agosto de 2004, ainda Cardeal, Joseph Ratzinger assinava uma “Carta aos Bispos da Igreja Católica, sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no mundo”, na qual se critica o feminismo radical e se lembra a importância das mulheres na vida da Igreja.

O documento aborda a antropologia cristã que propõe a igualdade de dignidade pessoal entre o homem e a mulher, no respeito de sua diversidade, e a necessidade de superar e eliminar qualquer discriminação.

Enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o actual Papa lembrava a oposição da Igreja à “ideologia de género”, cujo objectivo é superar um suposto determinismo biológico.

Nesse sentido, foi dada uma atenção particular à tendência do feminismo radical, nos EUA, cuja porta-voz é Judith Butler. “A mulher, para ser ela própria, porta-se como rival do homem. Aos abusos do poder, responde com uma estratégia de busca do poder e esse processo conduz a uma rivalidade entre os sexos", pode ler-se.

No documento é criticada "a tendência para sublinhar fortemente a condição de subordinação da mulher, com vista a suscitar uma atitude de contestação". "A ocultação da diferença ou da dualidade de sexos tem consequências enormes a diversos níveis", afirma-se nesta carta aos bispos.

A missiva relembra que a ordenação sacerdotal é exclusivamente reservada aos homens, mas assegura que isso "não impede às mulheres de terem acesso ao coração da vida cristã".

Entre as recomendações do documento da Congregação para a Doutrina da Fé está uma promoção das mulheres na vida pública e social, o reconhecimento social e económico do papel de mãe e o reconhecimento da mulher dentro da Igreja.

"As mulheres desempenham um papel de máxima importância na vida eclesial, lembrando essas disposições a todos os baptizados e contribuindo de maneira ímpar para manifestar o verdadeiro rosto da Igreja, esposa de Cristo e mãe dos crentes", pode ler-se.

O tema foi retomado numa audiência geral de Bento XVI, a 14 de Fevereiro de 2007, dedicada às mulheres e à sua responsabilidade eclesial desde as primeiras comunidades cristãs até hoje.

“Além dos Doze, colunas da Igreja, pais do novo Povo de Deus, são escolhidas no número dos discípulos também muitas mulheres. Apenas brevemente posso mencionar aquelas que se encontram no caminho do próprio Jesus, a começar pela profetisa Ana (cf. Lc 2, 36-38), até à Samaritana (cf. Jo 4, 1-39), à mulher sírio-fenícia (cf. Mc 7, 24-30), à hemorroíssa (cf. Mt 9, 20-22) e à pecadora perdoada (cf. Lc 7, 36-50). Não me refiro sequer às protagonistas de algumas parábolas eficazes, por exemplo a uma dona de casa que amassa o pão (cf. Mt 13, 33), à mulher que perde a dracma (cf. Lc 15, 8-10), à viúva que importuna o juiz (cf. Lc 18, 1-8)”, afirmou.

“Mais significativas para o nosso assunto são aquelas mulheres que desenvolveram um papel activo no contexto da missão de Jesus. Em primeiro lugar, o pensamento dirige-se naturalmente à Virgem Maria que, com a sua fé e a sua obra materna, colaborou de modo único para a nossa Redenção, tanto que Isabel pôde proclamá-la "bendita és tu entre as mulheres" (Lc 1, 42), acrescentando: "Feliz de ti que acreditaste" (Lc 1, 45).

Para Bento XVI, é claro que “a história do cristianismo teria tido um desenvolvimento muito diferente, se não houvesse a generosa contribuição de muitas mulheres”.

Ecclesia

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