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Foto de arquivo © Nuno Veiga/Lusa

A greve da função pública no Algarve está a ser visível na Saúde e na Educação, mas afeta também tribunais e serviços de Finanças, disse uma fonte sindical, à porta das consultas externas do hospital de Faro.

Rosa Franco, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e das Regiões Autónomas (STFPSSRA), disse que o balanço feito até às 10:00 da manhã permite dizer que, nos hospitais da região, “a adesão à greve ronda os 80%” e é visível num “maior atraso para as consultas”, por falta de pessoal administrativo e auxiliar, estando apenas a ser garantidos os serviços mínimos.

A sindicalista apontou como exemplo a “fila anormalmente grande” que se fazia sentir à entrada do edifício das consultas externas, no balcão para pagamento de taxas moderadoras, para onde os “utentes estão também a ser encaminhados para marcar consultas” de especialidades, procedimento que se faz habitualmente no próprio piso da especialidade.

“Há outros sinais, como o bloco operatório encerrado, porque não há auxiliares em número suficiente para o bloco estar a funcionar. Estão garantidas as urgências, com os serviços mínimos, e os pisos estão todos a funcionar com serviços mínimos, mas estão todos em greve. Nos hospitais podemos dizer que temos uma adesão a 80%”, quantificou.

Alguns utentes que se deslocaram de localidades distantes do hospital de Faro para realizar exames tiveram que regressar sem os fazer, porque os técnicos estavam em greve, como explicou à agência Lusa Carlos Evaristo, que estava na unidade de saúde a acompanhar uma familiar que ia fazer uma mamografia.

“Vinha fazer uma mamografia, mas não conseguiu e agora vai ter que esperar por nova marcação”, afirmou, lamentando a deslocação e o tempo perdido” e frisando que “vai ter que voltar outro dia, não se sabe ainda quando”.

Outras pessoas conseguiam ter as consultas previstas, mas com alguma demora devido à falta de pessoal auxiliar e administrativo, como contou outro utente, Rui Oeiras.

“Eu consegui ter a consulta que tinha marcada para hoje, apesar de ter demorado um pouco”, afirmou Rui Oeiras, que estava já no balcão de pagamento de taxas moderadoras para marcar nova consulta.

Rosa Franco disse também que a greve de hoje “está a ter um grande impacto na educação, porque os colegas sentem-se cada vez mais revoltados devido à falta de pessoal que existe nos estabelecimentos escolares” e “por nada ser feito para resolver o problema, apesar das promessas do senhor ministro”.

“As informações que nos vão chegando é que a grande maioria das escolas do Algarve estão encerradas ou irão encerrar da parte da tarde porque não têm condições para funcionar”, disse a sindicalista, que não estava na posse de percentagens da adesão à greve na Educação devido ao facto de serem muitas as escolas da região e ser difícil reunir essa informação.

A mesma fonte precisou que, nos casos em que os refeitórios não estão a funcionar, as escolas “só têm condições para funcionar de manhã”.

“À tarde poderá haver mais escolas a encerrar, tanto por falta de refeitórios como de segurança”, afirmou.

Convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), a greve nacional de hoje na Função Pública foi anunciada no início de abril para reivindicar aumentos salariais, pagamento de horas extraordinárias e as 35 horas de trabalho semanais para todos os funcionários do Estado.

O regime das 35 horas foi reposto em julho de 2016, deixando de fora os funcionários com contrato individual de trabalho, sobretudo os que prestam serviço nos hospitais EPE.

A FNSTFPS, afeta à CGTP, é composta pelos sindicatos do norte, centro, sul, regiões autónomas e consulares, e representa 330 mil funcionários.

A última greve geral convocada pela FNSTFPS com vista à reposição das 35 horas semanais realizou-se em janeiro do ano passado, e teve, segundo a estrutura, uma adesão média entre 70% e 80%, incluindo os hospitais.

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