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A paróquia do Montenegro arrancou o mês passado com a obra de ampliação da sua igreja.

O projeto de alargamento do edifício, depois de concluído, deverá permitir duplicar a capacidade de lugares sentados.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A primeira fase, agora iniciada, visa a ampliação do lado esquerdo, e o pároco espera que esteja concluída entre a próxima Páscoa e o mês de junho. A segunda fase intervirá na lateral oposta e a última incidirá sobre o corpo central da igreja. O pavimento será substituído, o teto revestido de um material que permita melhorar a acústica e também o coro alto vai ser alargado.

Em declarações ao Folha do Domingo, o pároco explica que “o Montenegro deu um grande salto nos últimos anos em termos do número de habitantes”. O cónego César Chantre sustenta que o crescimento populacional daquela freguesia de Faro foi motivado pelo desenvolvimento do aeroporto, pela Universidade do Algarve e pela Concentração Internacional de Motos promovida pelo Moto Clube de Faro. O sacerdote diz serem “três realidades interessantes”, das quais “nem sempre o poder político se apercebeu”.

Em consequência disso, o pároco explica que “as assembleias dominicais começaram a aumentar” e, atualmente, a paróquia conta já com “cerca de 200 crianças” na catequese, mas “na igreja não cabem nem metade”. O sacerdote diz que aquela igreja, inaugurada a 12 de outubro de 1966, “feita em bom tempo e em boa hora pelo padre António Patrício”, “foi uma boa resposta naquela época”. “Este aumento começou a verificar-se já de há alguns anos a esta parte. Quando eu cheguei cá este aumento já estava a acontecer e os meus antecessores muito trabalharam para esse aumento”, conta.

“Esta igreja, que também serve de capela mortuária, nem sequer casa de banho tinha para as pessoas. Isso trazia-me grande preocupação e foi com este argumento que se conseguiu que o Estado viesse a intervir”, acrescenta, referindo que também a Câmara Municipal “tem sido um bom parceiro” no projeto. A autarquia já concedeu um apoio de 50 mil euros para a obra, que permitiu o arranque do projeto.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

A obra, que também incluirá a construção de duas capelas mortuárias com ligação interior à igreja, será comparticipada ao abrigo do ‘Programa Equipamentos’ que visa a atribuição de comparticipações por parte do Estado para a instalação de equipamentos de utilização coletiva, promovidos por instituições privadas de interesse público sem fins lucrativos, para a construção, reconstrução, ampliação, alteração ou conservação de equipamentos urbanos de utilização coletiva, incluindo os equipamentos religiosos.

A candidatura ao subprograma 2 (para obras com orçamento igual ou inferior a 100 mil euros) tem um investimento elegível de 99.328 euros e contará com um apoio de 46.664 euros, tendo como prazo de execução um ano.

Num pedido de apoio financeiro (através do IBAN PT500045 7222 4007 8387 4125 5) enviado por carta à população, o pároco, para além lamentar a “ausência de espaços condignos para a celebração de cerimónias fúnebres”, acrescenta ainda a “ambição de promover, cada vez mais, projetos de ação e solidariedade sociais”, dotando a paróquia, “no contexto de um projeto social integrado, de infraestruturas para assistência aos carenciados” através de uma “cozinha social”.

O sacerdote assegura que “os custos previstos para a concretização dos mencionados projetos, que já se encontram aprovados, ascendem a mais de 400 mil euros, valores que ultrapassam, em absoluto, a capacidade financeira” da paróquia.

Ao Folha do Domingo, o sacerdote explicou que “sem a ajuda, de imediato, de 50 mil euros do Município de Faro, não teria sido possível iniciar a obra”, acrescentando que o financiamento do Estado “ainda não entrou na conta da paróquia” mas espera que isso possa “acontecer a todo o momento”. “No entretanto, para as capelas mortuárias, só a Câmara Municipal se comprometeu a ajudar, quer em projeto, quer na execução”, completou.

Para além desse apoio da autarquia, alguns paroquianos também já começaram a contribuir. O pároco mostrou-se ainda esperançoso em relação a outros particulares que “parece que também querem colaborar”. “A segunda parte só arrancará quando houver dinheiro”, assegurou.

As capelas mortuárias eram desejo antigo da população, mas o prior conta que a pandemia veio priorizar o alargamento da igreja. “Com a pandemia, as coisas vieram a complicar-se porque só podíamos acolher 23 pessoas na celebração. Criámos uma missa a mais na igreja de São Pedro para abranger as comunidades do Montenegro e do Patacão e deixámos de celebrar aqui porque não era possível”, explica.

O cónego César Chantre adianta que também deverão ser construídas duas salas de apoio porque a paróquia não tem salas de catequese. “A catequese é atuamente feita nas salas de Gambelas, nas escolas e em casas particulares”, indica.

Na sua edição de 16 de outubro de 1966, Folha do Domingo noticiou a dedicação da igreja do Montenegro, um projeto concebido e acalentado pelo padre José Gomes da Encarnação, antigo pároco de São Pedro de Faro (paróquia de que mais tarde foi desmembrada aquela comunidade paroquial), cuja inesperada morte não deixou iniciar.

Na celebração, presidida pelo bispo do Algarve da altura com bênção do altar-mor, D. Júlio Tavares Rebimbas lembrou na homilia isso mesmo, destacando igualmente o papel do também já falecido padre António Patrício, pároco que concretizou a obra da autoria do arquiteto Alfredo Carlos Villares Braga, dos serviços técnicos da Câmara Municipal de Faro.

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