As paróquias de Alferce, Marmelete e Monchique têm novo pároco desde ontem.


O padre Bruno Valente, de 27 anos, nomeado em julho passado pelo bispo do Algarve, substituiu o padre Tiago Veríssimo, que era pároco daquelas paróquias desde 2018 e que foi nomeado para as paróquias de Lagos.

A Eucaristia de início daquele serviço, vivida “como expressão de comunhão e de serviço eclesial” na Igreja Diocesana algarvia, teve lugar ontem de manhã na igreja matriz de Monchique com o administrador apostólico da diocese, que presidiu à celebração mesmo ainda a recuperar da intervenção cirúrgica a que foi sujeito, a começar por realçar ser um “dia significativo de passagem de testemunho dos párocos”. “Damos graças a Deus pelo serviço que o padre Tiago prestou a estas paróquias nos anos em que aqui esteve, agora que foi chamado a outro serviço nesta nossa Igreja diocesana. Acolhemos e invocamos a bênção de Deus e a força do Espírito Santo para o senhor padre Bruno, que hoje vai assumir esta missão de serviço”, afirmou D. Manuel Quintas.


O administrador apostólico apresentou, de seguida, o novo pároco, lembrando não só ser o padre mais novo da diocese como também o último a ter sido ordenado. “Confio nas suas qualidades, recomendo-o à vossa oração, peço o vosso apoio, como é habitual prestardes àqueles que são colocados à frente destas vossas paróquias. Penso que ele tem as qualidades necessárias, qualidades naturais e também aquelas que ele foi adquirindo e assumindo ao longo da sua formação sacerdotal, particularmente ao longo deste ano, para poder ser presença de Deus entre vós; para poder indicar-nos o caminho que nos conduz a Cristo e, necessariamente também com Cristo, abrir-vos o caminho do céu que é a nossa pátria definitiva”, disse D. Manuel Quintas, lembrando que o padre Bruno Valente terá associado a si o diácono Manuel Chula, há muitos anos ao serviço daquelas paróquias.

O rito de entrada do novo pároco incluiu a leitura da provisão de nomeação, o seu juramento de fidelidade ao colégio presbiteral, ao bispo, ao Papa e a toda a Igreja, e a entrega simbólica da chave da igreja. Após aquele momento, seguiu-se outro de cumprimentos de alguns membros do Conselho Pastoral Paroquial ao novo pároco.



O administrador apostólico convidou depois o novo pároco a aspergir a assembleia e, após esse gesto, um dos membros do Conselho Pastoral paroquial agradeceu a D. Manuel Quintas e dirigiu-se ao novo pároco. Depois da homilia, a Eucaristia prosseguiu com a renovação das promessas da ordenação sacerdotal e a profissão de fé do novo pároco e o auto de posse foi lido no final da celebração.



Antes disso, houve ainda um gesto simbólico. D. Manuel Quintas convidou o novo pároco a sentar-se na cadeira presidencial. “Presidir, na Igreja, significa servir. É o serviço que dá consistência e que justifica o presidir. Portanto, ao convidá-lo a sentar-se nesta cadeira da presidência, estou a convidá-lo a servir estas comunidades que hoje lhes são confiadas”, explicou.


Agradecendo ainda ao padre Bruno Valente pela sua disponibilidade para assumir aquele serviço, D. Manuel Quintas dirigiu-se aos seus novos paroquianos. “Ele tem muito para aprender convosco, mas muito para vos ensinar. Estou certo de que não deixará de vos apontar o caminho de Cristo, do Evangelho, a verdade e a autenticidade da vida. E estou certo também que, pela sua humildade e disponibilidade, aprenderá muito convosco e que o apoiareis em todas as situações e circunstâncias”, disse, lembrando que “um pároco novo significa sempre alguma coisa nova” e, por isso, é possível que ele procure “revitalizar” a fé daquelas comunidades, “apoiado sempre pelo diácono Manuel [Chula]”.
Antes de terminar a Eucaristia, o novo pároco de Alferce, Marmelete e Monchique dirigiu umas palavras à numerosa assembleia que não coube no interior daquela igreja, tendo começado por cumprimentar o administrador apostólico e, na sua pessoa, o bispo eleito, D. Vitorino Soares, os colegas presbíteros e os diáconos, “de um modo muito especial e com profunda gratidão por todo o trabalho desenvolvido”, o padre Tiago Veríssimo, seu antecessor, e o diácono Manuel Chula, com quem, a partir de agora, irá trabalhar.

Diante da numerosa presença também das paróquias de Boliqueime, Ferreiras e Paderne, onde esteve no último ano como vigário paroquial, o padre Bruno Valente dirigiu a palavra aos seus novos paroquianos. “Quero dizer-vos, desde já, que venho muito mal-habituado porque me trataram muito bem ao longo do último ano e por isso, creio que agora Monchique não se pode ficar atrás”, brincou, agradecendo também ao padre Pedro Manuel, natural de Monchique, com que trabalhou nas paróquias de onde veio. “Caro padre Pedro, obrigado por tudo. Possa eu retribuir agora junto deste povo todo o bem que um filho desta terra fez por mim”, afirmou.



O sacerdote lembrou ainda ter escolhido para lema da sua ordenação, há pouco mais de um ano, a frase do Evangelho segundo São Marcos “Jesus subiu ao monte, chamou os que Ele queria e foram ter com Ele”. “Olhando hoje novamente para esta frase do Evangelho, atrevo-me a dizer que talvez desde então o Senhor, que conhece como ninguém o nosso coração, tenha vindo a preparar esta feliz subida ao «monte», para aqui, com cada um de vós, poder continuar a descobrir o que significa ser discípulo e amigo de Jesus”, referiu, lembrando que “naquela altura estava longe de imaginar” que agora iria assumir aquelas paróquias. “Mas hoje, diante de vós, quero renovar a minha disponibilidade para responder tal como naquele dia a este mesmo chamamento que o Senhor me fez”, acrescentou.


“Creio que iremos viver agora um tempo muito bonito, que da minha parte será em primeiro lugar de conhecimento das dinâmicas, dos ritos e dos modos de ser Igreja aqui nesta porção do Algarve. O primeiro desafio que vos faço é que a partir de hoje possais rezar por mim, pedindo especialmente a Jesus que eu possa ser um verdadeiro pastor à imagem de Cristo, o bom pastor, fazendo das minhas alegrias e esperanças, dos meus sonhos e projetos, as vossas alegrias e as vossas esperanças, os vossos sonhos e os vossos projetos. Peço-vos que me acolham no vosso coração como aquele que vem para partilhar convosco este dom que é a fé e a alegria do Evangelho”, prosseguiu.


O padre Bruno Valente acrescentou que “uma comunidade sem pastor fica muito mais pobre e enfraquecida” e que “a razão de ser do ministério de um pastor também não encontra sentido senão num verdadeiro serviço àqueles que lhes são confiados”. “Por isso, queridos paroquianos, conto com todos e cada um de vós para continuarmos a fazer das paróquias de Monchique verdadeiras comunidades que crescem cada dia na amizade com Jesus e num testemunho cada vez mais verdadeiro e autêntico da sua fé a todos os homens e a todas as mulheres. Queridos paroquianos, quando me encontrarem na rua, cumprimentem-me com alegria. Sou o vosso pároco”, concluiu.

Depois da Eucaristia seguiu-se um almoço-convívio no Parque Urbano da vila, uma zona verde de recreio, lazer e cultura ambiental, que se desenvolve ao longo de um vale com uma ribeira na área envolvente às piscinas, mercado e antigo heliporto. Tanto a celebração como o convívio que se seguiu foram participados pelo presidente da Câmara de Monchique, Paulo Alves, entre outras autoridades locais. Para além do pároco cessante e do pároco novo, a Eucaristia foi ainda concelebrada pelos padres Pedro Manuel, António de Freitas, António Manuel Martins, José Nunes e servida pelo diácono Rogério Egídio, para além do diácono Manuel Chula.









