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Os cerca de 21 mil passageiros que semanalmente chegam aos aeroportos de Faro, Lisboa e Porto provenientes da China e de Itália estão a receber um cartão que permite a rastrear contactos mantidos, como medida de contenção do novo coronavírus.

A ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou a nova medida durante uma audição na comissão parlamentar de Saúde, onde foi questionada pelos deputados sobre as medidas que estão a ser tomadas para combater o surto de Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus.

Segundo Marta Temido, há já algumas semanas que está a ser partilhada informação com os passageiros que chegam em voos provenientes da China e “a aplicar um cartão que tem um conjunto de informação sobre o local onde a pessoa se encontra no avião, com quem esteve e onde vai estar para que se possa fazer uma rastreabilidade da pessoa”.

“Desde ontem [segunda-feira] passamos a fazer isso nos voos provenientes de Itália. Estamos interessados em combater este vírus mais do que mostrar que o combatemos”, disse a ministra.

Assim, salientou, “os cerca de 21 mil passageiros que por semana chegam a Portugal (provenientes da China e de Itália) em voos para o Porto, Lisboa e Faro têm neste momento não só informação disponível para efeitos de contacto, mas a partir de hoje têm essa aplicação do cartão que permite a rastreabilidade dos contactos”.

Relativamente ao controlo da temperatura, a ministra explicou que de todos os 27 países da União Europeia só a Itália introduziu essa medida.

“Aquilo que partilhamos entre todos [os países] foi a baixa efetividade de uma medida desse tipo”, uma vez que “é possível, com facilidade, mascarar uma temperatura”.

Alguns casos têm confidenciado que por sentirem primeiros sintomas confundíveis com uma gripe tomaram antipiréticos que mascaram a temperatura. Casos que não se vieram a confirmar, sublinhou.

“A temperatura é apenas um indício, o que significa que nós teríamos que ter a capacidade para encaminhar todas as pessoas com temperatura para um teste, o que podia vir a conduzir a um falso positivo com a inerente consequência nos recursos”, disse a ministra.

“Estamos a falar de recursos que temos de gerir de uma forma eficiente para garantir que quem efetivamente precisa deles tem a resposta adequada. Portanto, por ora, deixamos cair o controlo das temperaturas”, vincou.

Questionada pela deputada do CDS-PP sobre o caso de uma mulher que esteve fechada numa casa de banho do centro de saúde de Cantanhede durante seis horas, Marta Temido afirmou que, “por mero acaso”, conhece o centro de saúde e disse saber que tem “uma sala onde é possível fazer o isolamento da pessoa”.

“Estamos a apurar o que aconteceu neste caso como em todos os outros que correram mal”, adiantou.
Sobre os hospitais, a ministra referiu que depois dos hospitais de primeira linha (Curry Cabral, Dona Estefânia, em Lisboa, e São João, no porto), “há um conjunto de hospitais de segunda linha, Braga, Centro Hospitalar do Porto, Matosinhos, Guarda, centros hospitalares Lisboa Norte, Lisboa Ocidental e do Algarve que estão a ser preparados para responder numa segunda fase.

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