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© Samuel Mendonça
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O padre Carlos de Aquino disse no sábado, na Jornada de Pastoral Litúrgica, que um santo é “modelo” e um “intercessor”.

“Os santos são propostos à comunidade como aqueles que souberam viver, em plenitude e verdade, o mistério da Páscoa e é nesse sentido que eles se tornam para a Igreja um modelo de vida cristã e históricos intercessores do povo santo de Deus porque viveram com muita profundidade e verdade a sua identificação ao Senhor”, afirmou o orador na iniciativa promovida pela Igreja algarvia, através do seu Departamento da Pastoral Litúrgica, este ano dedicada ao tema “A Liturgia, fonte e escola de Santidade”.

“Os santos auxiliam-nos, inspiram-nos e ajudam-nos na caminhada. A vida cristã é uma caminhada, a santidade é uma caminhada”, prosseguiu, considerando que “o santo é um pecador que nunca desiste”. “Quando a gente venera, faz memória, acolhe e testemunha a vida de um santo é para que o seu exemplo nos leve a imitar mais fielmente a Jesus”, sustentou na sua intervenção sobre “o culto dos santos na liturgia da Igreja”.

O sacerdote apresentou os “três grandes santos que todos os algarvios deveriam conhecer e celebrar com uma piedade mais sublinhada”: São Vicente, mártir e padroeiro da diocese, que é celebrado de modo particular em Sagres, o beato Vicente de Albufeira e São Gonçalo de Lagos”. “Também é beato, embora nós tenhamos adquirido a autorização para o chamar de santo”, explicou sobre o último, lamentando que os santos “algarvios” não estejam “nem no coração, nem nos altares” e que se vá perdendo a memória dos santos.

© Samuel Mendonça
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Sobre a origem e a história do culto dos santos, o orador explicou terem sido duas a fontes a partir das quais se constituiu a liturgia dos santos na Igreja: o culto dos mártires, a “primeira expressão do culto aos santos”, e o culto dos confessores da fé. Sobre estes últimos disse que, apesar de muitas vezes não terem perdido a vida por causa do evangelho, “a beatitude da sua vida os leva a serem considerados por todos como pessoas excelentes na sua fé pelo seu batismo”. “Foram, verdadeiramente, beatos e a gente não deve ter vergonha de ser beatos. A beatice é outra coisa. Isso roça a falsidade de um culto hipócrita e de uma vida medíocre. Mas a beatitude da vida é coisa séria que devemos acolher e promover”, completou.

Tal como o orador que o antecedeu, aconselhou também a ler os “testemunhos patrísticos” da Igreja e conhecer “outras obras importantes”: os calendários, os martiriológicos e as canonizações.

O padre Carlos de Aquino deteve-se na distinção entre solenidades, festas e memórias, lamentando que se tenha perdido o seu “sentido” e “conteúdo”. Retomando uma das principais afirmações doutrinais da reforma conciliar sobre o significado do culto dos santos lembrou que o “momento mais importante” de encontro com os santos é na eucaristia “porque a sua vida também foi uma encarnação continua dentro do mistério pascal”.

O conferencista enumerou ainda as “grandes diretrizes da reforma conciliar” relativamente ao culto dos santos. A “necessidade de se diminuir o número de festas de devoção, privilegiando os acontecimentos concretos da história da salvação”, a “importância de uma revisão critica”, “eliminando do calendário nomes de santos que oferecem dificuldades históricas”, a seleção de santos que “são proposta oficial à Igreja do mundo pela excelência da sua vida” e a recuperação das “datas das festas dos mártires e santos correspondendo, com maior justeza, à data da sua morte”, foram as propostas apresentadas.

A terminar criticou “meditações medíocres e muito pouco bíblicas”, a “devoção piegosa” ou uma certa “desafeição” no culto a Nossa Senhora, assim como o “legado excessivo no culto à virgem em comparação com o realizado em relação ao seu Filho” e destacou a importância da Virgem Maria na origem da construção de Portugal e do povo português. “Maria é modelo porque fez da própria vida uma oferenda permanente a Deus”, justificou.

“Na praxis pastoral, o culto dos santos deve ser ocasião para amadurecermos e aprofundarmos uma autêntica espiritualidade cristã, na qual Cristo seja realmente o centro objetivo de toda a fé”, advertiu a concluir.

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