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Pe. Carlos de Aquino disse que obra de S. Lucas foi escrita para mostrar que a fé pode ser uma “medicina”

© Samuel Mendonça
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O padre Carlos de Aquino afirmou no último sábado que a obra de São Lucas foi escrita “em dois tónus” para mostrar “como a fé pode ser uma «medicina» para uma vida saudável”.

Na conferência, promovida no hospital de Portimão pelo núcleo do Algarve da Associação de Médicos Católicos Portugueses (AMCP) sobre o evangelista, o sacerdote disse aos cerca de 25 médicos, enfermeiros, auxiliares e voluntários presentes que “a fé não é concorrente à antropologia, à medicina”.

© Samuel Mendonça
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Na sua palestra, intitulada “Lucas, o amigo do médico divino – para a vida nova na ternura e na misericórdia” e realizada no contexto da comemoração do centenário da AMCP, o orador explicou que “em São Lucas, Jesus aparece como médico”, um “médico compassivo que se inclina sobre todos: cura doentes, salva pecadores, defende os pobres”, mas também “demonstra, para o seu tempo, particular consideração pela mulher, não teme os poderosos, ainda que religiosos”, e “é bom para todos, piedoso, paciente no sofrimento”.

“Lucas descreve Jesus como aquele que orienta a vida, que nos introduz na arte de viver sadiamente e nos precede no caminho de uma vida saudável, bela e boa, bem vivida”, explicou o padre Carlos de Aquino, considerando que as “expressões que melhor definem toda a obra de Lucas” são “ternura e misericórdia”. “Nos alvores do Renascimento, Dante Alighieri definiu o autor do terceiro evangelho como o evangelista da ternura de Deus, o escritor da mansidão de Cristo porque é aquele que melhor descreve a ternura, a misericórdia e a compaixão de Deus revelado em Jesus”, sustentou, lembrando que o livro dos Atos dos Apóstolos “é a segunda parte da obra de Lucas” que não deve ser dissociada do escritor sagrado.

© Samuel Mendonça
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“Ao analisarmos o vocábulo da sua obra, notamos que um número significativo de palavras refletem uma terminologia própria da linguagem da medicina”, destacou o conferencista, lembrando que Lucas também era médico e que a sua obra “reflete o coração de um verdadeiro pastor”.

O padre Carlos de Aquino frisou ainda que o evangelista, cuja obra se deve “datar entre os anos 80 a 90”, “era um cristão de segunda geração”, “culto, familiarizado com a cultura helénica, proveniente da gentilidade”, que terá vivido entre os anos 70 a 100 e que se terá encontrado com Jesus através “do testemunho, das palavras e da vida de Paulo”.

© Samuel Mendonça
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O orador afirmou que “para Lucas, Jesus é o profeta salvador, o hoje da salvação, o caminho para a salvação e a vida”. “Ele institui um grupo de discípulos para garantir a continuidade desta missão: de serem também eles portadores de salvação, de caminho, de vida, de alegria”, complementou, sublinhando a “dimensão teológica” de toda a obra do evangelista, onde apresenta “uma história da salvação divida em vários períodos” “como um caminho”. “O caminho do Senhor é o centro da obra. Lucas aproxima-nos de Jesus que é caminho de salvação”, sustentou.

A terminar, apontou as “prioridades” da obra de Lucas. “A história como lugar onde Deus se manifesta. É assim que Lucas entende a vida humana”, destacou, lembrando que “Deus age sempre nos acontecimentos e sinais da história”. “Esta salvação, que acontece na história, acontece no hoje. Este hoje é um convite permanente à abertura da existência a um projeto de uma vida outra, nova, boa, plena”, complementou, acrescentando que na escritura do evangelista “a vida é um louvor à alegria”. “Da espiritualidade de Lucas, nós, cristãos, somos herdeiros de três dos hinos mais bonitos que ele compôs e que, por acaso, a Igreja reza no princípio (Benedictus), ao meio (Magnificat) e no final do dia (Nunc Dimittis), como que a consagrar todo o tempo, toda a vida e toda a história a Deus, como que a senti-lo presente porque não há vida, para nós cristãos, sem Deus”, concluiu.

© Samuel Mendonça
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A seguir à conferência foi celebrada a eucaristia, presidida pelo padre Luís Gonzaga Nunes, capelão do Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa do Centro Hospitalar do Algarve, na capela daquele hospital.

Conferência do padre Carlos de Aquino:

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