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© Samuel Mendonça
© Samuel Mendonça

O padre Carlos de Aquino lamentou na Jornada de Pastoral Litúrgica, este ano dedicada ao tema “Na Família, chamados ao Amor”, a falta de acompanhamento aos casais que pedem à Igreja o sacramento do matrimónio.

“Exigimos tanto a quem vem celebrar o matrimónio, quase a perfeição e a indissolubilidade antes da celebração, e depois de tudo celebrado em Igreja – onde muitas vezes nem estamos como comunidade a acolher, amparar e a fazer festa –, também os esquecemos. Isto é um pecado que os padres e toda a comunidade têm de confessar. Exigimos tanto na teoria e na perfeição como exigência de santidade, quase que deem garantias de que são cristãos, mas depois de celebrado o sacramento, já prescindimos de todas as garantias e não acompanhamos em nada”, lamentou na iniciativa promovida pelo Departamento da Pastoral Litúrgica da Diocese do Algarve e participada por 101 pessoas de todo o Algarve no último sábado, no Centro Pastoral de Ferragudo.

O sacerdote, que refletiu sobre o tema “O Sacramento do Matrimónio”, lamentou também que, muitas vezes, não se prepare “cuidadosamente” a celebração matrimonial com os noivos, para que estes a “possam viver” “como um acontecimento espiritual”. “Às vezes, na nossa avaliação, precipitada e injusta, dizemos logo que a consciência dos noivos não é consistente, mas também não ajudamos os noivos a preparar-se para o matrimónio. Quais são os padres que, com os noivos, preparam a celebração do sacramento?”, questionou, evidenciando que “cada casamento é único porque a experiência e a história de cada casal também é única”.

“É preciso, antes de mais, falar com os noivos acerca do sentido da celebração, do significado dos gestos, dos sinais, bem como do sentido das perguntas e das respostas e das próprias orações de bênção e das outras. O padre tem que apresentar aos jovens nubentes as várias possibilidades do ritual e o casal, consoante a sua história, sensibilidade, vida e inserção comunitária, escolhe a que melhor se adequa”, sustentou, lembrando que os noivos podem até ajudar a construir a palavra do consentimento e a oração universal.

O orador, lamentando que hoje haja na celebração do sacramento “uma pobreza de gestualidade e de significação”, exortou à “valorização a dar à homilia” e apelou a “alguma criatividade pastoral” no “esforço” de acolher os que raramente vão à Igreja.

O padre Carlos de Aquino, que já tinha abordado este tema na Jornada de Pastoral Litúrgica de 2010, referiu-se ainda à “união da carne, cuja comunhão dos corpos é expressão da comunhão total das pessoas do seu amor, da sua vida e dos seus projetos”. “Esta fecundidade da comunhão carne não tem necessariamente que gerar sempre a vida no dom biológico de um filho porque a fecundidade da união dos corpos, que corresponde à união de vida, não significa sempre a procriação e nem por isso o amor deixa de ser profundo”, defendeu, lembrando ser o caso “daqueles e daquelas que nem sempre, olhando a realidade da sua biologia, do seu corpo e da sua carne, podem gerar vida”. “Nem por isso deixa de ser sagrado o seu matrimónio e a fecundidade da sua união e do seu amor”, sustentou, lamentando, no entanto, aqueles que “casam e não querem ter filhos”.

O conferencista, que apresentou o historial do ritual do sacramento, instituído desde o século I, deixou alguns “desafios pastorais” como a “formação do namoro ao casamento e também para o sacramento”, a necessidade de “entender o matrimónio, não apenas como um rito, mas como verdadeiro processo de vida” ou a valorização de celebrações com a família.

Após a última conferência, a jornada terminou com uma celebração mistagógica.

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