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Pe. Carlos de Aquino lembra que “não há nova orientação” sobre divorciados e casamento homossexual

Foto © Samuel Mendonça
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O padre Carlos de Aquino lembra que “não há nova orientação na Igreja” na questão dos batizados divorciados ou recasados civilmente, nem relativamente ao casamento homossexual e diz que aquela deve, por “amor à verdade, exprimir com clareza a doutrina”.

O sacerdote, que deu a conhecer o relatório final do último Sínodo dos Bispos sobre a família, deixou clara esta ideia no encontro da rubrica “Tertúlias da Fé” que decorreu, uma vez mais, promovido pela paróquia de Armação de Pêra e que desta vez teve lugar no Centro Pastoral de Pêra no passado dia 12 deste mês.

Foto © Samuel Mendonça
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“Não está nada dito [no relatório] com a clareza que nós vamos afirmando no sentido de mais liberdade, mais aceitação. A Igreja nunca defendeu o casamento homossexual. Não faz parte do projeto de desígnio de Deus”, frisou, explicando que esta posição não pode ser incompatível com o acolhimento das pessoas homossexuais. “Como acolher? Não está registado [no relatório], mas o que não está mesmo é a defesa e muito menos chamar-se casamento ou matrimónio a essa união”, acrescentou.

O orador evidenciou que “a Igreja é portadora de uma verdade que é definitiva” e não “mutável consoante as culturas ou os tempos”. “O evangelho é uma verdade perene. Podem mudar as culturas ou os tempos, aparecerem modos diferentes de construção de vida, mas o evangelho, como verdade perene, permanece”, frisou.

“Há uma verdade que temos de transmitir com acolhimento e compaixão, mas sempre fiéis à doutrina da Igreja e só assim damos amor”, afirmou o orador, advertindo que “não há a doutrina de cada um”. “Às vezes, a gente adocica mas não resolve nada”, criticou, lembrando que só a “verdade, dita com amor”, liberta.

Neste sentido, o sacerdote acrescentou que a comunhão sacramental de divorciados ou recasados civilmente só será implementada se o papa, na exortação apostólica pós-sinodal, der esse indicativo, o que, na sua opinião, parece difícil que possa vir a acontecer.

“A Igreja, embora reconheça que entre os batizados não há outro vínculo nupcial além do sacramento e que toda a rutura do mesmo é contra a vontade de Deus, também tem consciência da fragilidade de muitos filhos”, prosseguiu, acrescentando que “a Igreja deve acompanhar os filhos mais frágeis com misericórdia”, procurando “seguir, apoiar e encorajar”. “Isto parece um trabalho que está feito mas não está. Os primeiros obstáculos são os cristãos dentro da Igreja, que olham com muita suspeição a um recasado. Muita gente que fala mal dessas situações está dentro da Igreja e é gente que comunga diariamente”, criticou.

Neste sentido lamentou que divorciados e recasados civilmente sejam rejeitados, não acolhidos, “olhados com suspeição, mal falados e mal integrados na comunidade”, quando até “há tanta coisa que podem fazer”. O padre Carlos de Aquino entende que neste aspeto o papa deverá esclarecer quais são esses serviços que podem prestar. “Aqui é importante a Igreja falar a mesma linguagem”, afirmou.

Foto © Samuel Mendonça
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O padre Carlos de Aquino considerou que os cristãos devem “evitar falar de múltiplos ou diversos modelos de família ou até de modelos de matrimónio” como se quisessem “todos equivalentes ou até elegíveis ou até justos” porque para os cristãos “há um modelo de família e a referência desse modelo é Deus”. “Isto era bom que estivesse claro entre os cristãos, mas às vezes estamos divididos neste aspeto”, criticou.

Neste sentido, o sacerdote disse ser “preciso aprofundar-se mais, também entre os cristãos, a natureza e identidade humana e cristã do matrimónio” para se evitar uma dicotomia “muito grave”. “O nosso agir corresponde àquilo que é a revelação de Deus a respeito da família? É que se não corresponde a gente está a fazer o divórcio entre o que se pensa e o modo como acolhemos as próprias famílias”, advertiu.

“Aquilo que é essencial a gente se perguntar é qual é o plano de Deus para a família, para o matrimónio e para o casamento porque senão andamos a falar dos nossos planos para a família, para o matrimónio e para o casamento e esquecemos que somos uma vocação, um chamamento, um querer de Deus”, destacou, considerando que esta questão leva a outra “pergunta essencial”. “Temos é que nos perguntar: os cristãos estão encantados com o projeto de Deus sobre a família? ”, interrogou.

Considerando que muitas vezes, na Igreja, as “reflexões andam à volta dos sintomas e não das causas”, o sacerdote considerou ser “essencial redescobrir e dizer da identidade e da missão da família cristã”. “Entender o matrimónio como sacramento é um grande desafio como o grande sinal e expressão de presença e do amor de Deus derramado, nos corpos, nos corações e na vida das pessoas”, prosseguiu, lembrando que “também hoje o Senhor chama o homem e a mulher ao matrimónio”. “Acreditamos nisto, que as nossas escolhas não resultam numa atração física, de um mero querer ou desejo humano?”, questionou.

Neste sentido, o sacerdote considerou que “educar para o amor é um grande desafio”. “Os jovens que casam e que pedem o matrimónio estão educados para o amor, para a sua própria sexualidade?”, questionou, frisando que “o matrimónio cristão não pode ser reduzido a uma tradição cultural ou a uma simples convenção jurídica, um contrato” porque “é um verdadeiro chamamento de Deus que exige atento discernimento, oração constante e adequado amadurecimento”. “São necessários percursos formativos que acompanhem a pessoa e o casal”, defendeu, referindo-se a “itinerários que garantam a formação dos jovens para o matrimónio”.

Do relatório final do Sínodo dos Bispos sobre a família, o padre Carlos de Aquino enumerou as mudanças antropológicas e culturais identificadas e identificou os desafios contemporâneos que, perante aquelas, foram apontados.

No encontro, participado por cerca de 140 pessoas, o sacerdote, considerando que a família “não é um problema” mas “um evangelho, uma boa notícia”, defendeu que “uma das tarefas mais graves e urgentes da família é assegurar a ligação entre as gerações para a transmissão da fé e dos valores fundamentais da vida”.

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