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O sacerdote, que afirma que o que mais o marcou neste quarto de século foi o “crescimento espiritual e o conhecimento do povo” a que pertence, considera mesmo que a questão da Educação é um “desafio permanente que se põe à Igreja”. “Hoje, em que a Europa está em declínio cultural, a única instituição que pode colaborar no rejuvenescimento deste continente é a Igreja católica. Por isso, a questão militar e a educação tiveram sempre, no meu pensamento, uma preocupação muito forte”, explica o aniversariante que exerceu sempre o seu sacerdócio de modo muito ligado à educação, considerando esta como uma “arte nobre”, “por ventura, a mais difícil do ser humano”.

Primeiro foi prefeito do Seminário de Faro e professor de Educação Moral e Religiosa Católica no antigo liceu da mesma capital algarvia, de Moral e sua Didática na Escola Superior de Educação da Universidade do Algarve e de Desenvolvimento Pessoal e Social (DPS) no Colégio Militar, em Lisboa. Desde há quatro anos aceitou ser diretor do Colégio de Nossa Senhora do Alto.

O padre César Chantre diz-se mesmo convencido de que, neste século, “a Igreja vai ser chamada a investir muito na área social”, que tem sido outra das suas preferências como o demonstra a criação do Centro Paroquial de Paderne ou o acolhimento dos africanos no Algarve a que se têm dedicado há mais de uma década. “A área social e a educação vão ser duas áreas fundamentais para a Igreja”, refere.

Outra das áreas a que se dedicou, estimulado por outro sacerdote da Diocese do Algarve que tinha sido igualmente capelão militar do Exército – o cónego monsenhor Joaquim Cupertino – foi à assistência espiritual militar, ainda que de forma involuntária. “A minha ida para capelão militar do Exército foi exclusivamente da iniciativa do bispo da diocese que me pediu esse serviço para a Igreja”, afirma, lembrando que, por força da lei, a Diocese do Algarve tinha que nomear um capelão militar regional.

Primeiro foi capelão regional do Exército, depois capelão do Colégio Militar, mais tarde capelão-chefe da GNR e, por fim, capelão regional daquela guarda. “Desta experiência guardo uma recordação extraordinariamente positiva porque vi que as pessoas estão abertas à mensagem de Jesus Cristo, embora haja uma informação deformada do que é ser Igreja no mundo”, testemunha, acrescentando ter sido um “trabalho aliciante”.

No seu trabalho pastoral diz procurar ainda privilegiar de igual forma as três colunas de ação da Igreja: a pastoral profética, litúrgica e sócio-caritativa. “Os três pilares são parte integrante de uma só coisa: a mensagem de Cristo”, salienta.

O pároco de Boliqueime, Ferreiras e Paderne reconhece o facto de poder ter estado na criação da segunda freguesia e paróquia como um “momento importante” na sua vida pessoal, sacerdotal e na vida da Diocese do Algarve. “Para qualquer sacerdote, a criação de uma paróquia é sempre um marco importante na sua vida espiritual e humana”, diz, ressalvando que continuou um “trabalho iniciado pelo pároco de Albufeira”.

Segundo o sacerdote, todo o trabalho nas paróquias tem sido fruto de uma “sucessão natural do serviço pastoral”. “Dei continuidade aos meus antecessores de acordo com as orientações do bispo diocesano”, explica.

Agradecido a Deus por “tudo” o que lhe tem acontecido e aos colegas que com ele têm partilhado esta caminhada, o aniversariante diz apenas que os seus planos para o futuro passam por “cumprir as orientações da Igreja e da diocese” e por “pôr aquilo que tiver ao serviço dos irmãos”. Questionado sobre se no Algarve ou em Cabo Verde, responde: “onde for necessário trabalhar, aí estarei”.

Samuel Mendonça
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