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Solidariedade, desenvolvimento e esperança foram os pontos em que assentou esta apresentação. O padre Feytor Pinto começou por referir o conceito de solidariedade como “o novo nome do amor”, em que “para amar os outros implica ser-se solidário”. Mas numa sociedade caracterizada por um certo egoísmo colectivo, referiu-se ao “4º Homem, o cidadão do mundo neste terceiro milénio”.

Numa retrospectiva histórica da Humanidade, o conferencista falou de quatro tipos de Homem que evoluíram ao longo dos tempos. Assim, no período da Antiguidade, os valores caracterizavam o “Homem Filosófico”, pré-cristão, contemporâneo de Sócrates, Aristóteles ou Platão. Com o advento do Cristianismo surge o “Homem Religioso”, que tem como referência Cristo, Alá ou qualquer outra expressão de Deus, com um comportamento em sociedade balizado pelo Além, em que as religiões dominavam a própria História, e que predominou entre os séculos I e XVIII. É então que surge o “Homem Científico”, que nasce com o Iluminismo, e para o qual a grande preocupação é o progresso técnico e a ciência. Foi o Homem que dominou até ao século XX.

Mas, segundo o orador, com o Maio de 68 este processo alterou-se e surgiu o que o padre Feytor Pinto designa como o “4º Homem” ou o “Homem Anárquico”. Este tem como características o egoísmo, o individualismo, só quer o que é bom, com uma dinâmica económica forte, que tem o culto do agradável, é ahistórico (não tem referências históricas nem interesse pelos antepassados), só se interessa pelo actual e é defensor de uma autonomia radical.

“É este ‘4º Homem’ que, pouco a pouco, vai invadindo a Humanidade”, explicou o conferencista, acrescentando que o contexto actual é marcado pela existência do egoísmo humano e das grandes idolatrias que dominam nos dias de hoje: o ter, o poder e o prazer. Por contraposição, considerou que este panorama só poderá ser ultrapassado por valores como a partilha e o sacrifício.

Considerando a “solidariedade como a inovação na viragem do milénio”, o orador referiu os quatro valores sociais de referência para construir uma nova sociedade: tolerância (aceitar que o outro é diferente de mim), convivência (saber estar com os outros), diálogo e solidariedade (ser capaz de repartir com os outros).

De acordo com o padre Feytor Pinto, “temos que acabar rapidamente com o assistencialismo, com a subsídio-dependência e criar o dinamismo da promoção humana”, e nesse sentido, disse que esta solidariedade em exercício exige conhecer as pessoas com os seus problemas, encontrar os recursos para resposta às carências detectadas, sejam materiais, sejam de outra natureza, e organizar respostas para garantir a eficácia (“a distribuição dos recursos é o mais difícil para manter a justiça”, salientou).

Quanto ao desenvolvimento enquanto “promoção global de cada pessoa no emocional, no cultural, no espiritual, no biológico, entre outras áreas”, este responsável da paróquia do Campo Grande reportou-se aos princípios das Nações Unidas e aos oito objectivos para o desenvolvimento integrado. Assim, os três grandes objectivos em que é urgente alterar a situação actual são: erradicar a extrema pobreza e a fome; alcançar a educação primária universal; promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres.

Na área da saúde, falou de três objectivos fundamentais: reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde materna; combater algumas pandemias como o HIV/SIDA, malária, lepra, entre outras.

Finalmente, abordou ainda dois objectivos que são da maior oportunidade neste momento da evolução da humanidade: garantir a sustentabilidade ambiental e desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento.

Para concluir a sua apresentação, o orador falou de um “caminho de esperança que é o que falta percorrer”. Nesse sentido disse que, perante uma crise de valores, “as soluções não são só económicas e políticas”. “É preciso promover uma educação para os valores da verdade, justiça, liberdade e amor, é preciso a descoberta do outro e também é preciso acreditar”, realçou.

Para percorrer este caminho disse ser necessário “encontrar os lugares de esperança”, através do trabalho como contributo para o bem-comum, do sofrimento humano quando convertido em algo positivo, ou do silêncio, enquanto dinâmica que permite redescobrir a intervenção a fazer.

Abordou ainda a redescoberta do amor neste caminho, “o sair ao encontro do outro para o tornar feliz, o privilegiar os mais pobres e os que mais sofrem e recriar, constantemente, a intervenção na sociedade, na economia, na política, no trabalho, nas relações sociais”.

Em jeito de conclusão, e integrando a sua apresentação no tema dos “Horizontes do Futuro”, o padre Feytor Pinto afirmou: “O futuro está à nossa espera, os horizontes estão abertos. Se está tudo dito sobre o desenvolvimento, o tempo é de acção”.

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