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© Samuel Mendonça
© Samuel Mendonça

O padre Flávio Martins considerou na Jornada de Pastoral Litúrgica, este ano dedicada ao tema “Na Família, chamados ao Amor”, que “a maior crise deste tempo é a crise familiar”.

“No momento em que nasceu o ataque, claro e ao mesmo tempo subtil, às famílias da tradição judaico-cristã, apareceu a crise do homem, logo a crise da sociedade e daí a crise económico-financeira que é apenas um disfarce da crise profunda que é crise da família. Não nos iludamos”, defendeu na iniciativa promovida pelo Departamento da Pastoral Litúrgica da Diocese do Algarve e participada por 101 pessoas de todo o Algarve no último sábado, no Centro Pastoral de Ferragudo.

O sacerdote, que citou o Papa emérito Bento XVI lembrando que “a palavra de Deus é o amparo precioso, inclusive nas dificuldades da vida conjugal e familiar”, disse que, “neste momento, a fuga parece o caminho mais fácil”. “O difícil é a reconciliação, o diálogo, a escuta”, acrescentou.

O orador, que refletiu sobre o tema “A Família e a educação na Fé”, apesar de reconhecer que “o tecido social e familiar não é favorável hoje para aqueles que querem viver como famílias cristãs”, lamentou nestas o “próprio contratestemunho” porque “vivem em grande parte como os outros, como os gentios, sem referências ao divino”. “Muitos chamam-se de cristãos mas vivem um autêntico paganismo, interpretando como acham que deve ser os textos sagrados e do magistério. As pessoas continuam a ir à missa ao domingo, comungam, sem que isso tenha qualquer influência na sua vida”, denunciou.

A estas pessoas chamou “pequenos burgueses”. “São as pessoas dos ideais: honestidade no trabalho, garantir a segurança da família, ter televisão, que os filhos estudem na universidade, gozar de um determinado prestígio, viver bem sem complicar demasiado a vida”, explicou, acrescentando que “estes nunca arriscam nada”. “Os ateus não acreditam também nisto?”, questionou, concluindo: “andamos todos em manifestações e em revoltas porque nos estão a tirar a vida burguesa que tínhamos”.

“Também na Igreja se fala em crise. Porquê? Porque nas famílias não se reza, nem se ensina a escutar a palavra de Deus, nem a colocá-la na vida do homem”, afirmou ainda o padre Flávio Martins considerando, por isso, “urgente a conversão também das famílias”.

O sacerdote, que defendeu o surgimento de “famílias crentes como polos de fé viva e irradiante”, lembra que os filhos “precisam saber quais são as razões da opção e da vida de fé dos seus pais”. “É necessário partilhar isto em casa. A família é a primeira e autêntica escola da fé”, evidenciou, advertindo que “a transmissão da fé deve ser mais testemunhada do que educada” e que “a catequese é uma complementaridade do trabalho iniciado em casa”.

Aludindo à necessidade de “educar para o amor e para a oração”, afirmou que, “quando os pais não rezam com os filhos, a família não resiste à investida do adversário”, o “demónio”. “Ao rezar em casa, os filhos não encontram dificuldades em rezar na comunidade na liturgia da Igreja”, evidenciou, lembrando que “a oração fortalece a família”.

O conferencista, que considerou a contraceção como um “mal ruim que entrou e esterilizou” a vida das próprias famílias, exortou à “família aberta à vida”, lamentando que haja um “défice de confiança”. “Por que é que, muitas vezes, se pensa de maneira calculista nas famílias? Se nos fechamos, Deus não gera vida”, complementou, explicando que o apelo a ter muitos filhos não deve ser entendido “como obrigação”. “É uma proposta. As inquietações materialistas não devem tender tanto na possibilidade de confiarmos em Deus porque Ele também age”, esclareceu, lamentando a falta de apoio aos casais por parte das comunidades paroquiais. “A família é uma pérola que temos que defender e a comunidade tem que ser a primeira a estar na linha da frente”, disse.

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