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O sacerdote, que falava na última quarta-feira à noite, Dia Internacional da Família, no encontro promovido pela paróquia de São Luís de Faro, no seu centro paroquial, no âmbito da Semana da Vida que a Igreja católica assinala entre 12 e 19 deste mês.

Na iniciativa, subordinada ao tema “Dá mais vida à tua fé e na família”, o orador defendeu que o medo de «perder» a vida, o comodismo ou o bem-estar constitui um maior obstáculo ao nascimento de um filho do que problemas como a esterilidade conjugal, a fertilidade ou o medo de malformações ou doenças. “A sociedade de hoje dificulta a vida do matrimónio cristão quando diz que, para vencer e para conquistar algo, temos que ter prestígio, carreira e sucesso e, muitas vezes, os filhos são impedimento para os obter, pois, para ter filhos, é preciso, muitas vezes, morrermos para nós em benefício deles”, sustentou.

Neste sentido, o sacerdote considerou que “as tentações são muitas e a mais frequente é a de adiar o nascimento do próprio filho ou então de o impedir por outros meios”, criticando uma cultura “preocupada apenas com a pretensa qualidade de vida que, embora necessária, faz-nos esquecer a providência divina”. “Aqueles que se abrem à vida experimentam a providência de Deus, não só materialmente mas também em alegria, paz”, frisou.

O padre Flávio Martins considerou que “as famílias estão destruídas e os casais não querem ter filhos, não querem «morrer», não querem dar a vida, amar e abdicar dos seus caprichos e das suas comodidades, das ofertas do mundo pelo dom dos seus filhos”. “Os filhos são importantes porque aumentam o matrimónio, fundamentam-no e unem-no. Quantas famílias católicas se fecharam à vida? Quantos milhões de crianças, filhos da fé, faltam em toda a Europa?”, interrogou.

O orador sublinhou que a família “não é substituível por qualquer outra forma ou por outras pretensões de família que vão surgindo na nossa sociedade” e considerou que esta “não tem preocupação sobre a defesa da família” e “insiste num sistema erróneo”. “Fecharmo-nos à vida levou à crise da família que hoje leva a vivermos a crise da Europa e todas as crises”, complementou.

O padre Flávio Martins alertou mesmo que a cultura contemporânea “está a caminhar para um tipo de sociedade que, ao destruir a família, cria um novo fenómeno social: a solidão”.

O sacerdote exortou à vivência do “verdadeiro matrimónio”. “Como é possível que o amor seja como os iogurtes e tenha data limite? O amor é sempre a possibilidade de recomeçar. O amor é perdoar o outro naquilo que ele é diferente de mim. Com a atitude correta da fé poderá vencer sempre porque sempre vencerá o amor”, afirmou, advertindo que “os casais cristãos deveriam ser centros de vida”.

Neste contexto considerou que a consciência dos cristãos “não pode ficar indiferente”. “Devemos sentir a necessidade urgente de promover uma verdadeira estratégia a favor da vida e de solicitar a consciência da opinião pública em relação à difundida mentalidade contra a vida que invade os costumes, graças, muitas vezes, a um certo silêncio farisaico”, exortou.

O sacerdote apelou assim a uma “reevangelização”. “Em pleno Ano da Fé é necessário conhecer esta crise de fé: as pessoas participam na missa mas não há noção de mais nada, nem da graça nem do pecado”, referiu, lembrando que “a fé cresce quando é vivida como experiência do amor recebido e comunicada como experiência de graça e de amor”. “A fé leva-nos à alegria, a alegria ao testemunho e o testemunho à felicidade. Sejamos homens de fé alegre, gente que testemunha a felicidade de ser vida nova em Cristo Jesus”, pediu.

Também a outra oradora da noite defendeu que “a missão de cada família é viver tão perfeitamente a sua própria vocação a ponto de poder tornar-se modelo para a própria família humana”.

Helena Boavida, médica, apelou a uma “verdadeira cultura do dar”, sublinhando a necessidade de “estar atentos”, pois “o amor é aquilo que conta”, até porque, “é, comprovadamente, um fator de proteção cardiovascular”.

Samuel Mendonça

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