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© Samuel Mendonça
© Samuel Mendonça

“Não é preciso ser um entendido na matéria para ter essa noção, até porque há um laicismo dominante. Não é que o Estado tenha religião, mas a nova religião do Estado é o laicismo”, afirmou o sacerdote da Prelatura do Opus Dei na última sexta-feira à noite na apresentação do livro “Auto de Fé – A Igreja na inquisição da opinião pública” que teve lugar no Seminário de São José, em Faro, considerando que “o poder olha com alguma desconfiança para a Igreja, pela sua influência, pela sua doutrina, sobretudo em matéria familiar e em matéria educativa.”

O padre Portocarrero de Almada defendeu ainda que “as poderosas organizações internacionais, muitas vezes, são dominadas por lobbies anti-cristãos que não escondem até os seus propósitos”. Considerando haver “uma certa tendência a minar toda a construção teórica da própria religião cristã” e que “todos os fundamentos da civilização ocidental são também postos em causa”, disse haver “uma tentativa de descristianizar todo o ocidente e de retirar toda a marca cristã à cultura ocidental.”

O sacerdote apontou o dedo também à comunicação social. “Depois, talvez não tão ligada ao poder, temos a comunicação social que é uma espécie de caçador furtivo que está escondido no mato à espera de qualquer deslize de qualquer cristão, sobretudo se for bispo ou padre, para poder disparar contra a Igreja”, acusou, lamentando haver hoje em dia “muitas pessoas que olham com desconfiança para a Igreja.” “Veem na Igreja uma realidade não totalmente fiável”, sustentou.

O presbítero da Prelatura do Opus Dei criticou o “relativismo subjetivista” atual. “Há algo deste relativismo e deste subjetivismo instalado também entre a comunidade cristã. Há pessoas que não consideram que a verdade seja objetiva. [Para elas] não há a verdade, não há algo que se possa afirmar em termos absolutos e cada um tem a sua visão da verdade, cada um tem a sua opinião. [Para elas] não há verdades, há opiniões”, lamentou.

Neste sentido criticou a ideia de que “não há família mas famílias”, ironizando que “a união de um homem, uma pedra e um periquito poderia ser também uma família, se entre eles houver amor”.

“Este tempo, que é um tempo magnífico, é também um tempo de implosão de novas heresias velhas”, advertiu. “Há muitas manifestações heterodoxas do espírito cristão que são perfeitamente admitidas na nossa vida cristã. O gnosticismo é algo que está muito espalhado”, complementou, dando ainda como exemplo o “pelagianismo” e os “cátaros”, “os puros que se consideram os verdadeiros cristãos.”

O sacerdote considerou, no entanto, que “boa parte do insucesso da transmissão da mensagem cristã não é tanto culpa do poder laicista ou da comunicação social, eventualmente, hostil ou de uma sociedade desconfiada dos cristãos”. “A culpa é nossa porque não sabemos traduzir, exprimir e dar nota da nossa alegria, felicidade e esperança”, afirmou, alertando para o “perigo” de o “cristão não estar bem fundamentado na sua fé.” “Acho que se tende a criar uma espécie de complexo de inferioridade do cristão”, referiu, apelando à “alegria e ao orgulho de ser cristão.” “É um desafio viver a nossa fé nesta sociedade que eu diria que é parecida com a dos primeiros cristãos e a nossa diferença tem de ser marcada pela caridade. Acho que este é o grande desafio para nós, cristãos”, concluiu.

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