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Na celebração da eucaristia, que teve lugar ontem à noite na igreja matriz de Loulé e que inaugurou o programa comemorativo das bodas de prata, o pároco daquela cidade recordou o dia em que ali chegou. “Tinha-me proposto, entre outras coisas, estar atento à educação das crianças na família e na catequese e procurar a unidade entre todos os louletanos. Não eram tempos fáceis, esses, há 25 anos”, testemunhou.

“Tenho procurado responder aos apelos do Senhor, certo de que o meu objetivo aqui é responder à missão que Jesus Cristo me dá, de ser, no meio de vós, anunciador da Boa Nova, congregador de todos em ordem à salvação, procurando estar atento, sobretudo, aos mais frágeis e necessitados”, afirmou o pároco das paróquias de São Clemente e São Sebastião de Loulé.

Neste sentido, o homenageado lembrou que a “missão” nem sempre é fácil. “Não vim procurar aqui honras de espécie nenhuma, nem procurei ser bajulador, dizendo coisas só para agradar. Não foi esse, nem será nunca, o caminho que vou trilhando. Por vezes é preciso dizer não e vós sabeis como custa dizer não quando a gente vê que todos gostariam que disséssemos sim. Mas, por amor à verdade, por amor a vós e à missão que me foi confiada, por vezes é preciso dizer não”, sustentou, deixando um pedido aos seus paroquianos. “Peçam tudo o que eu posso fazer dentro da minha missão, mas, por favor, não me peçam aquilo que eu não posso fazer. Assim estaremos caminhando juntos”, apelou.

O sacerdote, de 71 anos, considerou ainda que a celebração daquela efeméride traz consigo uma “responsabilidade”. “Já não sou o jovem que era há 25 anos mas penso que não me falta o ânimo para poder continuar esta missão e levá-la para a frente com a vossa colaboração, porque o padre não é sozinho na Igreja mas o coordenador de uma comunidade que é viva, onde todos têm um papel e uma função”, afirmou.

O padre Henrique Varela, que afirmou que o “envio” de Deus “é a força” da sua “vida de padre”, destacou o “apoio extraordinário” dos “amigos” e colegas sacerdotes que com ele têm colaborado em Loulé, lembrando os padres João Coelho Cabanita (cujo 10º aniversário de falecimento foi também evocado na eucaristia), Nobre Duarte, António Martins e António de Freitas, e agradeceu também a amizade de todos os colegas da vigararia (circunscrição eclesiástica da qual fazem parte várias paróquias), muitos deles presentes.

O aniversariante agradeceu, emocionado, a “presença amiga” e o “carinho” dos paroquianos, referindo-se à “força da oração” e da “amizade”. “Só elas me têm sustentado e muitas vezes tenho sentido que a mão do Senhor me amparou para não cair. Sabem como é gratificante ouvir, várias vezes, dizer: «Senhor padre, eu, todos os dias, rezo por si». É gratificante e é uma força. Obrigado”, agradeceu, dando “graças a Deus por todos os dons” que lhe tem concedido em Loulé.

No final da eucaristia, o sacerdote informou que o cálice e a patena que lhe foram oferecidos pelos paroquianos ficarão para as paróquias.

O programa comemorativo das bodas de prata, que se estende até ao dia 19 deste mês, contempla ainda amanhã um almoço comemorativo no Centro Paroquial de Loulé e uma conferência no dia 12, pelas 21h, no Cine-Teatro Louletano, intitulada “Memória de desafios da fé cristã em Loulé” e proferida pelo padre António Manuel Martins, com concerto pelo Coro da Câmara da Sé de Faro.

No dia 13, pelas 15h, será inaugurada, no Convento de Santo António, uma exposição de arte sacra, fotografia e vídeo, intitulada “Mistérios do Céu na Terra”, que abordará o mistério do ministério sacerdotal. A mostra comemorativa ficará patente ao público até ao dia 16 de fevereiro e terá entrada livre.

O programa encerra no dia 19, pelas 21h, com um concerto da Orquestra do Algarve, na igreja de São Francisco.

O padre Henrique Varela foi nomeado a 25 de dezembro de 1987 pelo bispo do Algarve de então, D. Erneto Costa, “por motivo de falta de saúde” do então pároco, padre João Cabanita, considerando que a paróquia de São Clemente se encontrava numa “fase de grande crescimento demográfico que se estende numa extensa área urbana e rural”. O sacerdote tomou posse no dia 3 de janeiro de 1988.

Samuel Mendonça

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