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O padre António Manuel Martins lembrou, no último sábado, que o ministério do padre Henrique Varela é um “testemunho vivo” da aplicação do Concílio Vaticano II na Igreja do Algarve.

Na conferência, intitulada “Memória de desafios da fé cristã em Loulé”, que se realizou à noite no Cine-Teatro Louletano, no âmbito das comemorações dos 25 anos de serviço do padre Henrique Varela em Loulé, o conferencista lembrou que o homenageado foi, juntamente com o clero da Diocese do Algarve formado no período pós-concílio, dos “principais protagonistas” da sua implementação no Algarve.

“Protagonizaram, a seu modo, na identidade da sua psicologia e do seu próprio modo de ser, esta renovação litúrgica, catequética da palavra de Deus, do modo de ser Igreja, cooperando com todos e unindo todas as forças próprias dos cristãos neste diálogo sincero com o mundo de hoje”, afirmou o padre António Martins, sublinhando que aquela geração de padres “protagonizou um novo modo de ser sacerdote”.

Referindo-se à “aventura do ministério do padre Varela em Loulé”, o conferencista referiu-se ao significado desta celebração destas bodas de prata. “Celebrar estes 25 anos é celebrar, invocar e perspetivar a rede das nossas pertenças, dos nossos afetos, das nossas relações humanas e cristãs”, disse.

O padre António Martins lembrou o contributo do homenageado na “renovação da catequese no Algarve”, juntamente com as irmãs que trabalhavam naquele setor da pastoral e destacou o seu “sentido de equilíbrio” para acolher “sensibilidades diferentes”. “O padre Varela é uma pessoa espaciosa, que dá espaço. Junto dele não se perde a identidade. É uma riqueza que tem servido para fazer pontes entre sensibilidades diferentes dentro da nossa vida diocesana e, particularmente, dentro da cidade de Loulé”, constatou o orador, destacando a sua “capacidade de unir tendências e personalidades diferentes que se podem encontrar, sem prejuízo de se anularem nesta espacialidade do seu ministério”.

O padre António Martins, que considerou que o padre Varela “reconciliou Loulé com a memória do padre Cabanita e com a memória do padre Morais”, identificou as cinco “marcas conciliares” presentes, ao longo destes 25 anos, no ministério pastoral do aniversariante. “A prática da corresponsabilidade eclesial, a aposta na palavra de Deus através da catequese e da evangelização, a qualidade das celebrações litúrgicas, a pastoral da família como opção e uma Igreja de todos e para todos” foram os aspetos enfatizados do ministério do pároco de Loulé.

Neste sentido, o orador salientou que o padre Henrique Varela implementou em Loulé uma “pastoral de renovação”, a partir de um curso do Movimento Por um Mundo Melhor realizado em Madrid, para que “ninguém se sentisse excluído”. “Construir uma Igreja o máximo alargada possível foi uma intuição que a certa altura marcou uma viragem na vida do padre Varela”, complementou, acrescentando que “a comunidade das irmãs doroteias veio depois a integrar-se, constituindo a principal alma do projeto por serem as principais dinamizadoras do movimento a nível nacional”.

A terminar, destacou ainda a iniciação de uma “preparação séria, litúrgica e catequética, para os batismos e casamentos”. “E aí houve tantas resistências e tantas incompreensões mas hoje que parece que é um dado adquirido”, constatou.

A noite contou ainda com um concerto do Coro da Câmara da Sé de Faro que interpretou diversas peças musicais.

Samuel Mendonça

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