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O aniversariante, o mais velho de três irmãos, explica à FOLHA DO DOMINGO que a vocação surgiu com “naturalidade” no seio de uma família católica, com “uma fé viva”, em que a catequese era feita pelos pais. “Eles é que me incentivaram”, testemunha o padre Leitão Marques, lembrando o apoio aquando da entrada para o Seminário dos Carvalhos, Vila Nova de Gaia, em 1948, com apenas 13 anos.

Por outro lado, o sacerdote jubilado reconhece a “influência” de sacerdotes claretianos da sua paróquia natal, que “iam de férias à aldeia com muita frequência”, e do então bispo da Guarda, D. João de Oliveira Matos, que também por ali passava. “Um dia, o bispo perguntou-me se queria ser padre e eu respondi que sim”, recorda, apontando destacando o “exemplo e o acolhimento” daqueles membros do clero.

Depois de cinco anos de estudo no Seminário dos Carvalhos, foi estudar Filosofia para o Porto, de onde rumou a Barcelona (Espanha) para estudar Teologia, durante um ano. Seguidamente, já com 19 anos, foi para Inglaterra completar estudos em Teologia, tendo sido ordenado em Hayes, com 26 anos, pelo bispo auxiliar de Westminster (Londres), D. George Lawrence Craven.

Após a ordenação, regressou ao Seminário dos Carvalhos para dar aulas de 1961 a 1964 e, neste ano, foi para o Porto como capelão e professor de um colégio de raparigas abandonadas.

De 1967 a 1976 cumpriu o serviço militar obrigatório em Moçambique e Angola, Porto, Viana do Castelo e Castelo Branco e depois foi para Sintra colaborar nas paróquias de São João das Lampas e Terrugem.

Em 1979 veio, a pedido do Superior Provincial, para a paróquia algarvia de Odiáxere, onde esteve até 1981, conciliando com a lecionação de aulas em Lagos. Na paróquia de Alvor, onde ainda é pároco “in solidum”, começou a colaborar com o padre Manuel Honorato Antunes quando ainda estava em Odiáxere. Hoje diz que a vila está muito mais “cosmopolita”. “É um lugar de diversão de Portimão”, considera o sacerdote, referindo-se aos muitos bares ali existentes.

Um dos marcos do seu trabalho pastoral ao longo destes anos é a atual construção do complexo paroquial do vicariato do Sagrado Coração de Jesus, na Pedra Mourinha, que deverá estar concluída dentro de um ano, a manter-se a generosidade dos paroquianos. “Antigamente contávamos com o apoio de entidades públicas mas agora é impossível porque ninguém pode dar o que não tem”, adverte o sacerdote. A primeira parte da obra já está concluída, incluindo um salão, salas de catequese, sala mortuária e residência paroquial. Em construção está agora a igreja, embora a comunidade já celebre a Eucaristia no salão desde 2006. “A construção da igreja foi criar a comunidade”, testemunha o sacerdote, acrescentando que “está a crescer a comunidade”. “No antigo salão emprestado cabiam 100 pessoas e agora são 350 pessoas a participar, sobretudo casais novos que vieram morar para a Pedra Mourinha pela comodidade e segurança”, justifica.

Em jeito de balanço, afirma que o balanço de meio século de exercício de ministério “é bom”. “Fiz o que quis fazer e não estou arrependido do que fiz. Se voltasse ao princípio faria o mesmo”, testemunha, destacando o “serviço à Igreja”. “Não o realizei por obrigação mas por vocação e por resposta àquilo que o Senhor me deu”, afirma.

No próximo dia 24 deste mês será celebrada uma missa de ação de graças pelas bodas de ouro sacerdotais, pelas 18h, na igreja de Alvor que o sacerdote diz ser um “momento de encontro, partilha e oração pelas vocações”.

Samuel Mendonça
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