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Foto © Samuel Mendonça

“O padre Nelson que hoje aqui se apresenta é o mesmo Nelson que vistes aqui nascer e crescer”, afirmou o padre Nelson Rodrigues no início da sua missa nova, a que ontem presidiu, na sua paróquia da Conceição de Faro.

Após ter sido ordenado no passado dia 28 de junho, acontecimento que considerou como “o maior milagre” da sua vida, o novo sacerdote da Diocese do Algarve, de 26 anos, regressou à sua comunidade para presidir à celebração da eucaristia que teve de ter lugar no largo da igreja, encerrado ao trânsito, para que pudessem caber todas as pessoas que quiseram participar, vindas não só de vários pontos do Algarve, mas também de fora.

O recém-ordenado sacerdote, que começou por agradecer o “percurso” e a “coragem” que Deus lhe concedeu para se “consagrar totalmente a Ele”, destacou que a atitude perante Deus deve ser só uma: “louvor, honra e glória”. “Ao longo desta minha primeira semana como sacerdote tenho insistido muito com todos aqueles que se cruzam comigo para que seja Deus o único destinatário desta atitude. Para mim nunca procurarei louvores, honras e glórias. E, se até hoje, alguma vez procurei isto para mim, meus irmãos, perdoai-me e permiti que recomece, dando toda a primazia durante todo o meu ministério a Deus e só a Deus”, prosseguiu.

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Foto © Samuel Mendonça

O padre Nelson Rodrigues testemunhou que o “desafio em acreditar na proximidade de Deus é um convite gravemente exigido” na sua vida. “Durante esta semana, todos os dias sem exceção, olhei para as minhas mãos agora ungidas. Tenho falado em meu coração com Jesus, autor de tudo o que aconteceu na minha vida. Pergunto-me como é possível Deus agir na minha fragilidade. O sentimento dos conterrâneos de Jesus para com um dos seus é o sentimento que batalha dentro de mim entre o Nelson que sempre fui e o padre Nelson que agora sou. Como pode Deus agir assim em mim? Como posso ser seu instrumento, mãos da ação de Deus, boca da Palavra de Deus, coração do amor de Deus? Como é possível?”, interrogou, acrescentando a “certeza” de que lhe basta a “graça de Deus” para exercer o ministério. “É na minha fraqueza que se manifesta todo o poder do Senhor Jesus. Assim e só assim consigo descansar, rezar e dar todo o louvor, honra e glória ao Senhor”, sustentou.

O novo sacerdote lembrou ainda que “um padre, mais do que qualquer cristão, deve acreditar em todo o instante e não somente quando administra os sacramentos, que é o próprio Jesus que age nele”. “E quando eu disto me esquecer, nada sou”, advertiu.

Aos seus conterrâneos, o novo presbítero recordou que a festa não deve ser só “por ter surgido um primeiro sacerdote” daquela terra. “O motivo primeiro desta festa é o da gratidão por Cristo não faltar às suas promessas. Não nos abandona e continua a enviar operários para o seu reino”, afirmou, pedindo-lhes que agradeçam a Deus porque foi possível daquela aldeia “surgir uma luz para iluminar tantos corações que vivem nas trevas”, por mais que essa “luz” viva marcada pelo pecado próprio da condição humana.

“Peço agora, depois de terdes dado um padre à Igreja, que não descanseis. Continuai este trabalho recompensador de ser Igreja ao máximo. Quero que a paróquia da Conceição de Faro seja um oásis na nossa diocese, que aqui se respire fraternidade, unidade, comunhão, reconciliação e todos os outros sentimentos próprios do ser cristão, daqueles que querem viver à maneira de Cristo”, complementou, pedindo que sejam “uma comunidade missionária, pronta a ir por todos os lugares da freguesia para falar de Jesus”. “Tenho a certeza que, de uma comunidade que vive à maneira do evangelho, surgem vocações, sejam elas sacerdotais, matrimoniais ou de especial consagração. Não descansem neste trabalho. Agora que tendes um padre desta terra, continuai este trabalho. Formemos autênticas comunidades de Jesus, apesar do espinho do pecado que cada um traz cravado nas suas vidas. É connosco que Deus conta e não com seres perfeitos que não existem”, acrescentou.

Referindo-se a tantas pessoas que foram “instrumentos de Deus” para si, o padre Nelson Rodrigues disse acreditar que Jesus as recompensará. “Foram 10 anos bonitos. Eis-me aqui agora para servir. Depois da minha ordenação sacerdotal, aguardo agora o meu encontro definitivo com o Senhor, quando Ele assim entender. Até esse dia chegar ocupar-me-ei a falar do próprio Jesus Cristo a todos”, afirmou, manifestando felicidade pela sua opção vocacional. “Acreditai, estou bastante feliz com este dom que o Senhor concedeu à minha vida. E a minha felicidade só poderia ainda crescer mais se soubesse que todas as nossas atenções de hoje para a frente estarão sempre no Senhor. Que a nossa prioridade na vida seja à procura do reino de Deus. Procuremos ser cristãos a valer. Agarremo-nos a Jesus. A nossa vida terrena é só esta, não a vamos desperdiçar. Amemo-nos uns aos outros e a Jesus Cristo acima de tudo”, concluiu o padre Nelson Rodrigues, que destinou a parte final da sua homilia (áudio abaixo) aos adolescentes e jovens presentes. “Sou padre e não sou menos homem por isso. Considero-me tanto mais homem, quanto mais respondo afirmativamente aos pedidos que Deus me faz. Senti que este era o caminho. Avancei. Porquê ter medo? Porquê ter vergonha? Porquê esconder que a minha vida não tem de ser igual à de tantos amigos meus? Importa que nos entreguemos de alma e coração àquilo que é a vontade de Deus”, disse-lhes, lembrando-lhes que a resposta que Deus quer dar à vida de cada um, “não está em livros, na internet e muito menos em fenómenos extraordinários”. “Permiti que o vosso dia-a-dia fale ao vosso coração e lede daí a vontade de Deus para cada um”, exortou.

No final da celebração pediu não só a “amizade”, mas também a “correção” de todos. “Gostava que também se preocupassem quando me vissem a errar e ir por caminhos menos próprios”, apelou.

A celebração ficou também marcada por dois momentos distintos. Após a homilia o sacerdote fez a sua profissão na Ordem Franciscana Secular e depois da comunhão realizou a consagração do seu ministério à Virgem Maria aos pés da imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da sua paróquia natal.

Homilia do pe. Nelson Rodrigues

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