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Quando descobriu a pequena aldeia, localizada no concelho de Vila do Bispo, a meia dúzia de quilómetros da praia, o antigo publicitário procurava uma casa de férias. Acabou por encontrar não uma, mas cinquenta e começou a esboçar um plano.

“Encontrei uma aldeia fantasma”, resume António, adiantando que em 2005 viviam na aldeia nove habitantes – agora são seis -, que tinham que se deslocar a Vila do Bispo para fazer quase tudo, pois os poucos serviços que existiam praticamente desapareceram.

As ruínas que dominavam a paisagem foram a pouco e pouco sendo transformadas em pitorescas casas com nomes de praias e portas coloridas, que se erguem agora sobranceiras nas três ruas da aldeia – a rua de Baixo, do Meio e de Cima.

Até a mercearia – que esteve fechada 25 anos e juntava os serviços de correio e barbearia -, foi recuperada no âmbito do projeto de requalificação da aldeia, imaginado por quatro lisboetas e que arrancou “a sério” este verão.

A ideia é promover experiências típicas da vida quotidiana de uma aldeia, aliadas a programas de passeios na natureza que arrancam a partir de outubro e visam dar vida à Pedralva na época baixa do turismo.

Ao todo são 24 casas (de um total de 30) que por estes dias alojam muitas dezenas de turistas, de portugueses a estrangeiros, mas todos com um gosto especial pela natureza, que é, aliás, a raiz de todo o projeto.

Apesar de a ocupação estar quase a 100 por cento, são poucas as pessoas que se veem nas três ruas da aldeia. O calor quase sufoca às 15:00 e as praias, onde se chega de carro em poucos minutos, convidam a mergulhos demorados.

“Faz todo o sentido que em vez de ser uma aldeia morta seja uma aldeia viva e que possa ser um motor económico para o concelho”, diz António, de 38 anos, e que se mudou com a família para a Carrapateira para gerir o negócio.

Um dos maiores desafios, conta, foi reunir os proprietários das casas. Ao todo António e os sócios tiveram que localizar mais de 200 pessoas e lidar com muita documentação antiga, trabalho que durou mais de um ano.

A partir de outubro arrancam na Pedralva os programas semanais de “trekking” – percursos pedestres – orientados por Nicolau, um mariscador que conhece a zona como a palma da mão e quer mostrar as suas maravilhas naturais.

Da costa Sul à costa Oeste, passando pelo Cabo de São Vicente e por algumas áreas do interior, o guia já preparou quatro percursos entre os 14 e os 17 quilómetros e cuja duração oscila entre as cinco e as seis horas.

Na calha está ainda a criação de uma rota de artesãos, com a abertura de vários ateliers na Pedralva abertos a quem quiser praticar e mostrar a sua arte.

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