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Peregrinação das famílias das paróquias da vigararia de Faro exortou à missão iniciada em casa

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

As famílias das paróquias que constituem a vigararia de Faro peregrinaram no passado sábado à catedral.

Com cerca de 450 participantes, oriundos das paróquias de Conceição de Faro, Fuseta, Moncarapacho, Montenegro, Olhão, Pechão, Santa Bárbara de Nexe, São Brás de Alportel, São Luís, São Pedro (incluindo da comunidade de São Paulo, no Patacão) e Sé de Faro, a peregrinação teve início em três locais diferentes.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

As crianças e adolescentes foram acolhidos no Colégio de Nossa Senhora do Alto, mas as atividades decorreram em separado. Os catequizandos do primeiro ao quarto ano realizaram, por grupos, um jogo de postos na mata do colégio sobre os temas do dia: família, missão, Igreja, Maria e amor. Ao passar pelos postos, os grupos tinham de realizar provas relacionadas com cada um dos temas. Diferenciar atitudes de missão das que não eram de missão ou identificar os elementos da família de Jesus. À medida que terminavam cada prova recebiam duas dezenas para formar o terço que resultou do jogo e que ficou exposto no altar da eucaristia, junto à imagem de Nossa Senhora.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Os adolescentes estiveram no ginásio do colégio, sob a orientação do padre Vasco Figueirinha e dos catequistas, a refletir sobre o filme “O Circo das Borboletas” (The Butterfly Circus, na versão original), com realização de Joshua Weigel, que apela à superação e a confiar nas próprias capacidades. O resultado da reflexão pessoal ficou resumido na resposta à pergunta “Qual a tua missão?” que foi colocada num pote apresentado no ofertório da eucaristia. Os catequizandos adolescentes realizaram depois jogos de cooperação por grupos relacionados com a importância de superar as limitações do corpo para alcançarem algo de positivo.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Os jovens reuniram-se na igreja do Montenegro sob a orientação do padre António de Freitas. Ali participaram num momento de oração, durante o qual o sacerdote desafiou os participantes a serem “sinal do amor de Deus em cada uma das suas casas”. “Deus quer que cada um de vós seja o seu rosto e a sua imagem junto de cada uma das vossas famílias para que Ele possa entrar nas vossas casas e aí permanecer convosco”, afirmou, lembrando a importância de reconhecer a família “um dom de Deus”. Cada um dos jovens procurou então responder à pergunta “Qual a importância da família para ti?” e as respostas foram afixados num quadro que foi apresentado durante o ofertório da eucaristia.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Seguiram-se depois testemunhos de alguns jovens que realçaram a perseverança desta missão no contexto familiar. Dois irmãos, que cresceram numa família não praticante, testemunharam como serviram de apoio um ao outro na sua caminhada de fé. Um casal de namorados testemunhou como um dos seus membros, nascido numa família cristã, influenciou o outro a descobrir a fé, embora não fosse originário de uma família crente. Uma jovem, que casou com uma pessoa não cristã, atestou como essa circunstância não determina o abandono da Igreja.

Em pequenos grupos refletiram ainda sobre o modo como a sociedade atual vê as relações e procuraram perceber como devem aprofundar e consolidar uma relação de namoro.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Os adultos reuniram-se no salão da paróquia de São Luís, sob a orientação do frei Paulo Ferreira, vigário da vigararia de Faro, para escutar uma palestra da pediatra Isabel Rodrigues, do Centro Hospitalar do Algarve, sobre o tema “Vida, Família e Missão”. A médica aludiu à questão do início da vida, referindo-se a “alguns milagres da pediatria”, exortou à meditação da palavra de Deus segundo o método da Lectio Divina e desafiou a família à oração e ao testemunho, sabendo “enfrentar as críticas à Igreja”.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Isabel Rodrigues exortou ainda a “não ter vergonha de falar sobre os sacramentos e de ensinar os outros a entregarem os seus sofrimentos aos pés da cruz, nos braços de Cristo”. Lembrando que “a família é um laboratório de humanização e de cidadania”, referiu a importância de preparar os filhos “para também saberem dar este testemunho cristão”. “É dentro das nossas famílias que temos este espaço de missão”, realçou.

A pediatra disse que na família “o Cristianismo está substituído pela livre circulação do mercado” e apelou a que as comunidades cristãs sejam “acolhedoras das diferenças”. Isabel Rodrigues acrescentou ainda que, segundo as estatísticas, “é nas famílias monoparentais que há mais abusos sexuais, mais miúdos propícios à violência, mais crianças que têm depois um futuro que passa por cadeia, mais hábitos aditivos ao álcool e à droga”. “A família monoparental é uma família desprotegida, onde o progenitor tem imensas dificuldades para garantir a maior segurança para os filhos”, testemunhou.

Referindo-se à problemática da eutanásia e do aborto, a pediatra defendeu que “a vida humana é sagrada e inviolável”. “Hoje em dia, em muitos países, quem é objetor de consciência não arranja emprego nos hospitais”, lamentou.

Os casais assistiram depois à atuação do Grupo de Santa Maria e tiveram um lanche de convívio.

Por volta das 17h, os grupos saíram então dos respetivos pontos de encontro com destino à catedral de Faro. As crianças e adolescentes, que desceram a avenida 5 de outubro e a rua de Santo António, chegados ao jardim Manuel Bívar, rezaram ali uma Avé Maria antes de rumar ao largo da Sé. Os jovens peregrinaram pelo Parque Ribeirinho com uma dinâmica a partir de passagens da exortação apostólica pós-sinodal ‘Cristo Vive’, documento que cada um deles recebeu no final da eucaristia. Fizeram ainda a oração de uma dezena do rosário. Os casais, pelo percurso até ao largo da catedral, entoaram cânticos marianos e do Arco da Vila até ao largo rezaram também uma dezena do terço.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Na eucaristia, que teve lugar no largo da Sé, presidida pelo padre António de Freitas, o vigário episcopal para a Pastoral voltou a insistir na família como espaço privilegiado do testemunho cristão dos seus membros. “A família é o primeiro lugar de missão de cada um de nós”, afirmou, propondo às famílias ali reunidas o “enorme desafio” de rezarem em casa, exortando os filhos “desafiarem os pais” e os pais a “ajudarem os filhos”. “Que a oração possa ser esta força que une a família, num tempo em que, às vezes, estamos todos numa mesma casa, mas cada um para seu lado. Que a oração possa ser esse elo de ligação, comunhão e união. Estou certo que, se aproveitarmos esse dom de Deus que é a oração, a família fortalece-se, une-se e aprende a amar ao modo de Jesus”, sustentou.

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Foto © Samuel Mendonça/Folha do Domingo

“Temos que ser gente de portas abertas”, pediu o sacerdote, apelando a “famílias que não têm medo de abrir as portas do coração, de casa e da comunidade cristã aos outros”. “Que todos sintam que na Igreja há lugar para eles, para o acolhimento, para se sentirem abraçados e amados, acudidos nas suas aflições”, sustentou no final da eucaristia que terminou com a recitação da oração das famílias do papa Francisco.

Ao Folha do Domingo, o vigário episcopal para a Pastoral destacou as peregrinações da família nas quatro vigararias da diocese algarvia como prova da vitalidade da Igreja diocesana. “Foi a resposta ao sentir do povo de Deus que participou na sugestão de ações pastorais. Em todas as vigararias, com simplicidade, conseguiu-se viver este dia a partir do trabalho dos leigos. Isto é sinal de que a Igreja está viva e de que, quando queremos fazer um caminho sinodal que se fala tanto, colocando os leigos a lutar e a trabalhar pela Igreja, é possível, desde que nós, os padres, demos esse espaço, assumamos essa condição de sermos guias e não substituir os leigos naquilo que eles são bons a fazer”, concluiu.

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