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A obra “Peregrinação”, de Fernão Mendes Pinto, publicada há 400 anos, vai ser, durante hoje e amanhã, revisitada num colóquio internacional realizado na Universidade do Algarve (UAlg), onde se abordarão também obras contemporâneas de literatura de viagens.

O colóquio pretende alargar a abordagem deste género literário a diferentes perspetivas de investigação, explicou à Lusa João Carlos Carvalho, da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (FCHS) da UAlg.

Além da evocação dos quatro séculos de publicação da obra, o evento científico “A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto e a perenidade da literatura de viagens” associa-se ainda às comemorações dos oito séculos da língua portuguesa.

Segundo João Carlos Carvalho, a literatura de viagens tem uma particular relevância na história literária de Portugal, em grande parte potenciada pelos Descobrimentos, que foi fértil na produção de várias obras do género.

“É nesse período que a literatura nos mostra a importância que os descobrimentos portugueses têm para a história da Europa, é quase como um momento de uma primeira globalização”, observou o docente.

Para João Carlos Carvalho, a “Peregrinação” não deve ser entendida no “sentido estritamente histórico”, mas também no “sentido criador”, uma vez que, não se tratando de uma obra de ficção, também ali entra a imaginação do autor.

“Esta é uma questão que tem dividido os estudiosos. A obra tem, sem dúvida nenhuma, muito de realidade e da experiência vivida pelo seu autor, mas também tem muito da sua própria imaginação”, afirmou.

Quatro séculos depois da publicação da obra, em 1614, a título póstumo, uma vez que foi escrita no século anterior, a literatura de viagens continua a ser um género apreciado pelos leitores do “mundo global”, considerou o docente.

“São sempre textos que têm uma boa recetividade, os leitores de hoje como os do passado tiveram sempre interesse na leitura que lhes possa proporcionar experiências vividas por outros, o que faz deste um género perene”, concluiu.

O evento, que decorre no anfiteatro Teresa Júdice Gamito, na FCHS, é organizado, em parceria, pelo Centro de Literaturas Lusófonas e Europeias (CLEPUL) e o Centro de Investigação em Artes e Comunicação (CIAC).

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