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António da Branca, da Organização de Produtores de Pesca do Algarve, a maior da região, com 143 embarcações para pesca artesanal e polivalente, crustáceos, bivalves e moluscos defende que a União Europeia (UE) tem a obrigação não só de proteger o pescado, mas também o dever de compensar a sociedade da Pesca que se vê obrigada a parar de pescar meio ano.

"Nós somos os meninos bonitos da comunidade, cumpridores, mas a UE tem um dever para connosco, que é olhar para estes homens do mar com atenção, porque senão qualquer dia nem peixe fresco para comer temos na nossa costa", declarou, reiterando a necessidade de uma compensação para os pescadores atracarem os barcos seis meses por ano.

António da Branca acusa, por outro lado, as autoridades nacionais de apenas autuarem os portugueses, deixando os espanhóis venderem peixe pequeno nas praças.

"Se for a qualquer mercado vê peixinho pequenino sem medida [exigida pela UE] que vem da Espanha e ninguém os autua, mas se for o peixe português é autuado", acusa o pescador, indignado com a diferença de tratamento.

António da Branca pensa que o caminho para melhor servir a pesca é a privatização da empresa "Docapesca Portos e Lotas SA", organização que gere e regula a primeira venda do pescado, controlando as embarcações e a quantidade e espécies capturadas.

"As administrações da Docapesca muitas vezes é que obrigam os pescadores a fugir à lota, porque se um pescador traz 50 quilos de polvo do mar, não vai pagar 38 quilos à lota, se puder fugir, vai vender ao armazém clandestinamente", conta António da Branca, acrescentando que "mais dia, menos dia, têm que privatizar as lotas".

Também Hélder Rita, da Associação de Armadores e Pescadores de Quarteira (Quarpesca) afirmou que a "pesca em Portugal está a afundar-se cada vez mais, porque a desvalorização do peixe nas lotas é cada vez maior".

Segundo aquele pescador, os dois principais problemas no sector relacionam-se com a concorrência do pescado internacional que entra no mercado português e a desvalorização do pescado nas lotas, locais onde os "pescadores e armadores saem sempre a perder".

António da Branca e Hélder Rita são dois pescadores do Algarve que se deslocam a Bruxelas (Bélgica), para assistir à discussão do Livro Verde da PCP, que vai a debate no Parlamento Europeu dia 25.

A comitiva terá cerca de 50 pescadores e armadores portugueses, adiantou à Lusa a eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves.

Modelos alternativos da gestão das pescarias e modernização das frotas são alguns dos pontos que o Livro Verde prevê.

O relatório sobre o Livro Verde, do qual a eurodeputada Patrão Neves é relatora, foi aprovado na Comissão Parlamentar das Pescas do Parlamento Europeu.

Patrão Neves defende a necessidade de descentralizar a PCP e garantir mecanismos de micro gestão que aproximem os profissionais da pesca do poder decisório.

A Política Comum das Pescas é o instrumento da UE para a gestão da pesca e da aquicultura.

Lusa

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