Pub

O vice-presidente, um vereador da autarquia, e outras três pessoas, duas das quais administradores da Picture Portugal, foram detidos na quarta-feira, estiveram a ser ouvidos na quinta-feira e continuaram hoje até cerca das 15:30, em primeiro interrogatório judicial, no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa.

Os arguidos conheceram hoje as respetivas medidas de coação.

A iniciativa da Câmara de Portimão e da Algarve Film Commission, apresentada em maio de 2009, previa a criação de um complexo cinematográfico e a construção de um parque de diversões, num investimento de 750 milhões de euros.

Designado "Media Park", com implantação prevista para um terreno de 150 hectares junto ao Autódromo Internacional do Algarve, o projeto chegou a ter o ator Joaquim de Almeida como um dos rostos mediáticos para a sua dinamização.

Na ocasião, Luis Carito, presidente da empresa municipal Portimão Turis, mais tarde integrada na Portimão Urbis, revelou que dos 750 milhões de euros, 550 milhões destinavam-se a erguer o parque de diversões, e os restantes 200 milhões para o complexo de produção cinematográfica.

A negociação do parque de diversões, apontado como uma das maiores componentes do projeto, e que tinha como temática "a história do cinema e o mundo automóvel", chegou a ser anunciada com a companhia norte-americana "Universal Studios", que dispõe de parques temáticos em Hollywood, Orlando e no Japão.

O complexo cinematográfico previa a construção de 11 estúdios, dois dos quais com o prazo de conclusão previsto para o final de 2010, no sentido de captar produtores e realizadores para o Algarve.

Em 2010, o projeto liderado pela Picture Portugal, cujos administradores Artur Curado e Luís Marreiros, foram detidos na quarta-feira, passou a ser gerido em parceria com a Portimão Urbis, empresa municipal que teria 20 por cento do capital.

Na altura, Luís Carito definiu à agência Lusa o projeto como "uma nova visão na produção de cinema em Portugal, não só por criar equipamentos como por disponibilizar ferramentas para dinamizar a indústria".

Para gerir a "cidade do cinema", Carito defendeu a criação de uma "holding", com parceiros internacionais, onde o município de Portimão "surgia como sócio minoritário", mas cada equipamento teria a sua própria sociedade gestora especializada.

O grupo deveria incorporar uma sociedade para a construção e gestão dos estúdios, outra vocacionada para a gestão de recursos audiovisuais e uma terceira cuja missão seria a gestão do fundo de 25 milhões de euros (17,5ME financiados pela banca).

Em março de 2010, Luís Carito, presidente da Portimão Urbis, admitiu que o planeamento "havia resvalado", devido ao atraso na conclusão do estudo económico, mas garantiu a continuidade do projeto.

Entre os potenciais investidores apontados, estavam a CBS-Paramount, a Universal, a Fox, a Sony e a Warner Brothers, previstos juntar-se ao lote de investidores portugueses.

Como "embaixadores" da iniciativa nos Estados Unidos eram apontados o ator português Joaquim de Almeida e Carlos Mattos, empresário português e vencedor de dois Óscares da Academia Norte-Americana, que tinham como missão convencer as "majors" norte-americanas a investir parte dos 25 milhões de euros necessários à construção da primeira fase do complexo de estúdios.

Uma das produções dadas como garantidas pela Picture Portugal, no final de 2009, foi a reposição do clássico de Steve McQueen "Le Mans" – com a participação dos atores Brad Pitt, Al Pacino e Penélope Cruz – cuja rodagem em Portugal dependia da garantia de 20 por cento dos 52 milhões de dólares (36 milhões de euros) por parte da Picture Portugal até ao final de 2009.

Em 2011, denúncias anónimas sobre a gestão do projeto, deram origem à investigação policial que culminou na quarta-feira com a detenção do vice-presidente da Câmara e do vereador Jorge Campo, do gestor Lélia Branca, todos ligados à empresa municipal Portimão Urbi, e de dois administradores da Picture Portugal.

Lusa

Pub