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As autoridades policiais detiveram ontem, no Algarve, duas mulheres suspeitas de homicídio e profanação de cadáver, no âmbito de uma investigação ao surgimento de partes de um corpo desmembrado, em Tavira e em Sagres, anunciou a Polícia Judiciária (PJ).

A detenção foi feita pela Diretoria do Sul da PJ, depois o Departamento de Investigação Criminal de Portimão ter recolhido indícios que permitiram identificar e deter as duas mulheres, com “19 e 23 anos, residentes no Algarve, social e familiarmente inseridas e sem antecedentes criminais”.

As detidas são suspeitas da autoria de um crime de homicídio qualificado e outro de profanação de cadáver, que “ocorreram na região algarvia entre os dias 20 a 25 de março”, quando a vítima, com 21 anos, também residente no Algarve, terá sido desmembrada, “tendo partes do corpo sido encontradas nas zonas de Sagres e de Tavira”, contextualizou a PJ num comunicado.

A mesma fonte referiu que, desde o aparecimento de partes do corpo em diferentes locais, a investigação decorreu “ininterruptamente” e “permitiu a recolha de relevantes elementos indiciários” que conduziram à detenção das duas mulheres durante o dia de hoje.

As detidas vão ainda ser presentes a interrogatório judicial e, no final, ficarão a conhecer as eventuais medidas de coação a que ficarão sujeitas, acrescentou a PJ, sem revelar quando se produzirá a comparecência perante um juiz de instrução.

Na passada sexta-feira, a PJ disse à Lusa que estava a investigar a origem de partes de corpos humanos encontradas em Tavira e em Sagres, confirmando que tinham sido encontradas junto à Fortaleza de Sagres e em Tavira.

A PJ adiantou na ocasião que estava a “decorrer a investigação para apurar a origem e se pertenciam à mesma pessoa” as partes de corpo encontradas.

Fonte da GNR indicou que tinha sido acionada para a zona circundante ao Pego do Inferno, em Tavira, uma brigada da intervenção daquela força que, com o auxílio de cães pisteiros, tentou localizar, sem sucesso, outras partes do corpo encontrado no local.

Suspeitas de matar jovem no Algarve terão agido por motivos económicos

As duas jovens detidas terão agido por motivações económicas, para se apoderarem de quantias monetárias da vítima, indicou hoje o diretor da PJ de Faro.

De acordo com o diretor da PJ de Faro, António Madureira, o crime “estará eventualmente relacionado com motivações económicas”, uma vez que a vítima “tinha algum dinheiro” e houve “efetivamente uma tentativa de apropriação de quantias monetárias por parte das suspeitas”.

Segundo aquele responsável, o jovem, residente no Algarve, “foi morto por asfixia, crime que terá sido cometido na casa de um dos envolvidos e o desmembramento [do corpo] terá ocorrido a seguir ao crime, num local também no Algarve”.

“O transporte do corpo foi feito numa viatura de um dos envolvidos”, frisou aquele responsável em declarações à imprensa, nas instalações da diretoria de Faro da PJ, sem concretizar o local para onde o corpo foi levado.

De acordo com António Madureira, os investigadores recolheram fortes indícios de as duas jovens “terem atentado contra a vida do jovem, o qual conheciam, tendo uma delas alguma proximidade com a vítima”.

“Os investigadores recolheram elementos de prova científica, digital, apreensões, de vigilâncias, com testemunhos que permitiram concluir que as duas cidadãs terão cometido os factos qualificados como homicídio”, referiu.

António Madureira referiu que face aos indícios recolhidos pela PJ “não há razão para acreditar que há mais envolvidos”, mas, ressalva, a investigação é dinâmica, o que quer dizer que podem surgir outros indícios.

António Madureira realçou que o trabalho da PJ foi feito “num período de enormes restrições, ao qual os investigadores souberam dar a resposta a um crime que chocou toda a comunidade, num excelente trabalho de equipa entre Portimão e Faro”.

“Foi um sinal à comunidade que a PJ deu, de que investigação não está suspensa e que, mesmo nos momentos mais críticos, a PJ não vacila e está firme no combate ao crime”, destacou.

As duas mulheres vão ser apresentadas ao Tribunal de Portimão para serem ouvidas em primeiro interrogatório judicial e para aplicação das medidas de coação, “assim que o tribunal o entenda”, concluiu o responsável.

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