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Esta campanha que também percorreu todo o Algarve durante o mês de Dezembro decorreu de duas formas distintas: uma mais organizada, que abrangeu os concelhos de Faro e arredores e outra, de forma espontânea, recorrendo à rede de contactos e colaboradores que a Plataforma possui um pouco por todo o Algarve, resultando, no total, numa colecta estimada em cerca de duas mil assinaturas, que se juntaram, agora, às mais de noventa mil recolhidas por todo o país.

A Plataforma ‘Algarve pela Vida’ considera ainda que o número total de recolhas no país (cerca de 1% do total da população portuguesa) é “bastante significativo” e que “superou todas as expectativas, tanto mais que a divulgação da iniciativa não contou com estruturas partidárias nem meios económicos”.

“É imperioso que os deputados compreendam o espírito da democracia e o desejo que o povo português tem de ser ouvido. O poder de fazer leis reside no povo. A democracia é um direito, não é uma benesse dos poderosos. E só há democracia plena quando não se nega ao povo o direito de exprimir claramente a sua vontade”, explica aquela organização, na expectativa de que “os deputados compreendam o sentir da população e viabilizem a realização do referendo”.

A representante da Plataforma Cidadania e Casamento Isilda Pegado apelou hoje aos deputados para que votem “em consciência e liberdade”.

Questionada, no final do encontro, sobre a anunciada recusa à realização do referendo por parte dos partidos de esquerda, afirmou que essa intenção ainda não foi expressa no voto.

“Todos os deputados que aqui estão são livres de votarem como entenderem. Ainda que as direcções dos partidos digam uma determinada coisa, aguardo serenamente para que, no momento da votação, cada deputado diga em consciência e em liberdade aquilo que é o sentido do mandato que o trouxe para aqui”, afirmou a mandatária da plataforma.

Entretanto a conferência de líderes decidiu hoje por unanimidade discutir e votar já na sexta-feira a petição que defende o referendo, sendo que a iniciativa popular irá ser discutida no mesmo dia das propostas do Governo, do BE e do partido ecologista Os Verdes para a consagração do casamento entre pessoas do mesmo sexo e do diploma do PSD para a instituição de uma união civil registada.

Este desenvolvimento veio dar razão a Isilda Pegado quando afirmou esta manhã que o referendo pode ser feito em qualquer fase do processo legislativo e defendeu que a petição não foi em vão.

“Eu não sou capaz de dizer a 90.000 pessoas que elas são um vão, que são um nada. Penso que nenhum dos deputados terá essa veleidade”, sustentou.
A Plataforma Cidadania e Casamento desafiou a classe política a “não ter medo do povo”.

“Voltarmos a ouvir o povo, voltarmos a empenhar o povo na recuperação deste país, que pode passar por circunstâncias tão concretas como esta, da estruturação da família a partir do casamento”, referiu.

A plataforma algarvia, explica ainda que, “de forma a compensar a enorme falta de debate e discussão pública sobre esta matéria”, disponibilizou no seu sítio da Internet (http://algarvepelavida.blogspot.com) e no YouTube alguns trechos das intervenções do professor de Direito e deputado do PSD eleito pelo Algarve, Jorge de Bacelar Gouveia, e do jurista algarvio, especialista em Direito Matrimonial, Luís Seabra Galante, no âmbito de um colóquio que teve lugar no final de Dezembro, na Universidade do Algarve, promovido por aquela organização em colaboração com a Capelania da academia. Os vídeos podem ser vistos aqui.

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