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"Ainda não nos disseram para que sítio vão os pescadores, parece que está em segredo, o que faz com que as pessoas fiquem ainda mais revoltadas", disse Gilberto Silva, pescador residente na Praia de Faro e presidente da Duna Mar.

O prazo para os proprietários das construções abrangidas pelo programa de requalificação Polis declararem que têm habitação permanente nas ilhas-barreira termina hoje, tendo até agora sido entregues declarações por parte de cerca de 600 famílias.

Na Praia de Faro, uma das situações em que as anunciadas demolições estão a gerar mais apreensão entre os moradores, praticamente todas as famílias já procederam à entrega dos documentos sob pena de ficarem automaticamente excluídas do processo, acrescentou Gilberto Silva.

É o caso da família Silva, que vive no lado Poente da praia, na zona que delimita os concelhos de Faro e Loulé, que diz ter entregue toda a documentação dentro do prazo estipulado, apesar de estar contra as demolições.

Ali foram identificadas no levantamento efetuado pela Sociedade Polis Litoral Ria Formosa 155 construções no lado Poente e 93 no lado Nascente, sendo que as casas situadas na zona central da praia não estão abrangidas por estarem desafetadas do Domínio Público Marítimo.

As famílias que comprovem ali viver em regime de permanência terão direito a ser realojadas, contudo, até agora, quase dois anos depois da constituição do Polis Ria Formosa, ninguém informou os pescadores para onde iriam, diz Gilberto Silva.

O pescador, que vive na Praia de Faro desde que nasceu e cuja família ali está há cinco gerações, defende que a área do Parque de Campismo da Praia de Faro – fechado ao turismo há alguns anos -, é a solução mais viável para realojar as pessoas.

"Os pescadores não podem ser desviados da zona ribeirinha, têm ali os seus barcos e as artes de pesca e não faz sentido irem para outro local", defende Gilberto Silva, que considera que devia "ir tudo abaixo".

Segundo o morador, se os pescadores não têm o direito de manter as suas casas na Praia de Faro, o mesmo devia acontecer com as residências usadas para segunda habitação, com as quais muitos proprietários fazem "negócio".

"Devia ir tudo abaixo, assim acabava-se logo com a situação de uns serem privilegiados e outros terem que sair", remata, lembrando que já se ouve falar das demolições há pelo menos vinte anos e que agora o assunto "é sério".

Lusa

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