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Foto © Luís Forra/Lusa

A Sociedade Pólis Litoral da Ria Formosa vai tomar hoje posse administrativa de 22 residências para demolição nos núcleos habitacionais de Hangares e Farol, numa ação que as associações locais consideram ser “injusta” e “infundada”.

A Pólis, que tem a seu cargo o processo de “renaturalização” das ilhas-barreira da Ria Formosa e procedeu, desde 2014, à demolição de habitações de segunda residência e em zona de domínio público nos diversos núcleos habitacionais, notificou os proprietários destas 22 novas edificações a 13 de janeiro e agendou para hoje a posse a administrativa das mesmas, numa operação com início marcado para as 09:00, segundo fonte da capitania de Olhão.

Das 22 residências com posse administrativa agendada para hoje, 12 estão situadas na ilha do Farol e 10 no núcleo vizinho de Hangares e a Polícia Marítima vai “garantir a segurança dos elementos da Pólis” e “evitar que haja confrontos” com as populações descontentes e com eventuais manifestantes que estejam no local a protestar contra a ação, disse à agência Lusa o capitão do porto de Olhão, Nunes Ferreira.

A Associação da Ilha do Farol criticou a Pólis por ter avançado para a tomada de posse administrativa destas novas residências, com o seu presidente, Feliciano Júlio, a considerar que estas demolições “são insensatas e inoportunas” e a lembrar que há, nestas 22 habitações, casos de pessoas que aguardam o resultado de providências cautelares interpostas contra a decisão.

As manifestações de populações descontentes com a Pólis por causa das demolições de habitações foram já uma realidade noutras operações de tomada de posse administrativa realizadas nas ilhas-barreira da Ria Formosa, mas as autoridades conseguiram sempre, com a colaboração das associações locais, garantir a segurança e evitar confrontos físicos entre populares e elementos da Pólis.

O capitão do porto disse ainda que, com a deterioração prevista do estado do tempo e das condições do mar, pode também haver desta vez menos pessoas a manifestar-se contra a ação da Pólis e adiantou que o dispositivo de segurança será redefinido no local para evitar ao máximo o contacto entre as partes.

As últimas operações para demolição de habitações nestes dois núcleos habitacionais da Ria Formosa tinham sido realizadas em maio e em abril de 2017 e a associações de Moradores dos Hangares e a associação da Ilha do Farol acreditavam que já não haveria necessidade de proceder a mais intervenções deste tipo.

Em maio, a Polis demoliu 14 construções ilegais no núcleo dos Hangares, das 24 edificações inicialmente identificadas em zona de risco e em domínio público marítimo, porque 10 estavam na ocasião protegidas por providências cautelares ainda sem decisão.

Em abril, a Pólis tinha concluído a demolição de 23 construções ilegais no núcleo do Farol Nascente da Ilha da Culatra, mas essa intervenção também incidiu apenas sobre 23 das 36 edificações, porque as restantes 13 estavam protegidas por providências cautelares, interpostas antes e durante o processo de posse administrativa.

Hoje, às 09:00, está prevista a tomada de posse administrativa de outras 22 edificações.

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